Batalhão de Policiamento das Ilhas será comandado por uma mulher

O Batalhão Batalhão de Policiamento das Ilhas terá à frente de seu comando, pela primeira vez, uma mulher, a coronel Érika Natalie Duarte, que está na PM paraense há 26 anos. (Foto: IGOR BRANDÃO / AG. PARÁ)

Belém possui mais de trinta ilhas, entre elas, algumas bastante povoadas como Mosqueiro, Caratateua, Cotijuba, e Combu. Agora estas ilhas passarão a contar com o Batalhão de Policiamento das Ilhas, criado pela Polícia Militar do Pará para atender à população desses lugares. Outra novidade, é que pela primeira vez um batalhão da Região Metropolitana de Belém terá à frente do comando uma mulher, a coronel Érika Natalie Duarte, na PM Pará há 26 anos. O Batalhão especial funcionará na sede do 10º Batalhão, no Distrito de Icoaraci.

A comandante do novo Batalhão terá sob seu comando mais de 500 policiais para fazer o policiamento das ilhas. E contará ainda com o apoio do Grupamento de Polícia Fluvial da Polícia Militar do Pará, com a missão de combater a ações criminosas na região insular de Belém e realizar o policiamento ostensivo nos rios.

Para a comandante do Batalhão, assumir o comando de um batalhão na capital é um desafio que, nenhuma outra mulher, havia assumido na PM Pará. Ela explica que já houve mulheres em outros comandos regionais, mas na capital será a primeira vez. Para ela, estar à frente do policiamento nas ilhas de Belém é um privilégio, especialmente pelo fato de ser apaixonada pela cultura e pela natureza das ilhas de Belém.

“Para mim é um desafio e abracei esta causa pela necessidade de ter esta representatividade feminina dentro de Belém e da Região Metropolitana. Entre os comandos de batalhões e de companhias da capital, nós não tínhamos mulheres. E até mesmo para a Polícia Militar isso representa uma quebra de paradigma”, comenta a coronel.

Habilidades

Érika Duarte entrou para a Polícia Militar aos 17 anos em uma época em que, em virtude do tipo físico feminino, as mulheres eram colocadas em um plano inferior aos homens. “Hoje a gente verifica que a força física não precisa ser a única qualidade de um policial militar. Atualmente muitas ocorrências têm um desfecho satisfatório porque existem outras habilidades, tão ou mais importantes do que a força física, como o poder de negociar, de interceder dentro de uma ocorrência para se ter um melhor desfecho para todos os envolvidos”, ressalta.

Para a comandante, as mulheres trouxeram um “outro olhar” para a segurança pública, por possuírem habilidades diferenciadas e por convenceram o público interno de que não é através da força bruta que se resolvem situações de conflito.

“As mulheres possuem habilidades que os homens não têm. Uma delas é a capacidade de organização, devido especialmente a sobrecarga maior de atividades no dia-a-dia fora da instituição, que recaem sobre elas.”

Érika diz sentir isso em seu cotidiano. Ao chegar do trabalho, entre outras coisas, precisa ver as lições dos filhos, planejar o dia seguinte e administrar a casa. “Hoje muitos lares são comandados por mulheres. Por isso, precisamos ter essa capacidade de organização. Acredito que a instituição só teve ganhos com a entrada das mulheres. Estamos na Policia Militar há 36 anos e somos mais de mil mulheres. E, a cada dia, estamos ocupando espaços antes exclusivos dos homens”, acredita.

Dentro do perfil dos 2.400 policiais militares que ingressaram no último concurso, os cargos de oficial e praça femininos registraram maior concorrência. Oficial feminino teve 286,94 candidatas por vaga, e praça feminino registrou 113,76 candidatas por vaga.

 

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