Macrodrenagem e urbanização entram na fase final e alteram trânsito na Bernardo Sayão

Além da mudança na paisagem da área, as intervenções impactaram diretamente na mobilidade urbana da cidade, na saúde das pessoas que agora contam com melhores condições de saneamento e na qualidade de vida de quem mora no entorno. (Foto: Oswaldo Forte)

Desde o início da manhã desta quinta-feira, 12, máquinas atuam no trabalho de asfaltamento da avenida Bernardo Sayão, no trecho entre José Bonifácio e Augusto Corrêa, nesta que é a etapa final das obras de macrodrenagem e urbanização realizadas pela Prefeitura de Belém, por meio do Programa Sanear Belém, na Bacia da Estrada Nova, no bairro do Guamá. Ao todo, a via vai receber dois quilômetros de pavimentação asfáltica nas duas pistas, uma delas totalmente nova, construída depois do fechamento do canal, que agora dá lugar a um canteiro, com ciclovia e projeto de paisagismo.

Marítimo, seu Adolfo Maciel conta que passa diariamente de bicicleta pela Bernardo Sayão e reconhece a mudança na paisagem da área. “Melhorou mais pra gente,   mais seguro. E daqui pra frente, quero que melhore ainda mais”, disse destacando a obra de asfaltamento iniciada. O desejo é o mesmo da comerciante Laci Cardoso, que lembra que o marido lutou muito para ver a área urbanizada, cobrava da prefeitura, mas morreu de um infarto fulminante. “Hoje ele não está com a gente, mas minha família vai usufruir”, emociona-se ela, que acompanha de perto as obras em homenagem ao esposo.

A previsão dos engenheiros responsáveis pela obra é de que o asfaltamento seja concluído até o mês de maio. “Com essas obras nós vamos diminuir, certamente, muito, o problema dos alagamentos em Belém”, destacou o prefeito Zenaldo Coutinho, que fez uma vistoria na área.

Trânsito - Por conta dos serviços, há bloqueio em uma das pistas, que permanecerá interditada para a execução das obras. A liberação será gradativa, por trechos, conforme o avanço da pavimentação asfáltica. Até a conclusão desse lado em obras, a circulação de carros será restringida à outra pista, que adotou sentido de mão dupla.

A população que mora e trabalha na área já vinha sendo informada pela equipe do Sanear Belém sobre as mudanças, não só no trânsito, mas também quanto a questões de segurança para quem transita no trecho. A previsão é de que no dia 25 deste mês haja uma inversão, com a obra passando para a outra pista e o tráfego para a nova, e para a execução desta etapa, já está aberto o diálogo entre a equipe do Sanear Belém com os proprietários de portos localizados na área.

Na próxima quarta-feira, 18, haverá uma reunião com os comerciantes para discutir uma nova logística de embarque e desembarque no local, em função da movimentação portuária. Fiscal da obra, o engenheiro Antônio Neto, explica que os esforços estão sendo adotados para seguir um cronograma rigoroso que permita aos donos de portos se planejarem para quando os trabalhos alcançarem os pontos de embarque e desembarque de cargas e pessoas.

“Até por questões de segurança em virtude da obra, e por se tratar de um trecho com trânsito já muito carregado, em especial por conta das inúmeras linhas de ônibus que têm como origem e destino a Universidade Federal do Pará, e os caminhões que se destinam aos portos ali localizados ao longo do trajeto, a orientação é que só trafegue pelo local quem, de fato, mora ou trabalha por ali, porque com o estreitamento de pista a lentidão na área será inevitável”, orienta Marcos Chagas, diretor de trânsito da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém.

Projeto Ipê – Para envolver a comunidade no cuidado com a obra e fiscalização deste novo bem público que é a avenida completamente urbanizada, a Prefeitura de Belém desenvolveu o Projeto Ipê para convidar os próprios moradores e comerciantes do entorno para serem padrinhos e responsáveis pelo plantio e cuidados com 200 mudas de ipê nas cores rosa e lilás. Esses padrinhos participaram de uma capacitação realizada pelo Sistema FAEPA/SENAR, Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (FAEPA), parceiro do projeto, que orientou sobre o plantio, poda e rega, além de doar equipamentos para a manutenção dos ipês, que foram doados pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará - Ideflor, outro parceiro do projeto. “Isso aqui era muito feio e agora vai ficar lindo quando estiver cheio de flores. Vamos cuidar até ficar maravilhosa a nossa avenida”, desejou dona Domingas Soares, de 74 anos e que fez questão de ser madrinha dos ipês.

Obras – O investimento total nas obras de saneamento e urbanização da avenida Bernardo Sayão chegam a 128 milhões de reais. O antigo canal a céu aberto que cortava toda a extensão da via passou por um complexo trabalho de engenharia e foi fechado por completo no trecho, com a instalação de galerias. Uma rede de microdrenagem também foi garantida para canalizar a água das vias da área para as novas galerias subterrâneas. Para garantir acessibilidade, a prefeitura construiu dois mil metros de calçadas com piso tátil e mil metros de ciclovia. Após a conclusão da pavimentação, será feita a sinalização da via, o que somente será possível depois do chamado “tempo de cura” do asfalto, que é o período necessário para a secagem completa do piso para a aplicação da tinta. 

O prefeito Zenaldo Coutinho relembrou que, ao assumir o governo municipal em 2013, encontrou a obra da macrodrenagem nesse local com várias irregularidades, e que uma delas era, justamente, a empresa que havia sido licitada e que estava operando na obra. A contratação da empresa foi suspensa, outro edital de licitação publicado e uma nova empresa escolhida para fazer o trabalho. “Estamos tocando esta obra com nova licitação, nova empresa, garantimos os recursos e estamos entregando esse primeiro trecho. No final do ano passado, conseguimos 125 milhões de reais junto ao BID, mais a contrapartida da Prefeitura, em um processo de cinco anos de obra. Com isso, já estamos adiantando as providências para as novas etapas desta obra e também da bacia do Una”, adiantou o prefeito. 

Qualidade de vida - Além da mudança na paisagem da área, as intervenções impactaram diretamente na mobilidade urbana da cidade, na saúde das pessoas que agora contam com melhores condições de saneamento e na qualidade de vida de quem mora no entorno. “Agora eu olho a rua e não vejo mais aquela vala na frente de casa. É tudo bonito”, comemora dona Maria de Nazaré Barbosa, de 55 anos, que nasceu e se criou no local e garante que valeu a pena esperar para ver a mudança proporcionada pela obra que teve início em 2010, na gestão anterior, mas foi paralisada e após passar por uma revisão, foi retomada pela atual gestão.

“A Prefeitura de Belém está sob equilíbrio fiscal e, embora diante de todas as dificuldades, estamos aptos a fazer novas operações de crédito, principalmente para dar andamento a grandes obras como esta”, finalizou Zenaldo Coutinho.

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