Fake news e credibilidade foram temas do segundo dia do Publicom Altamira

A repórter Cristiane Prado (à direita), da TV Liberal, também foi uma das convidadas, e movimentou a discussão (Foto: MARCELO LELIS / AG. PARÁ)

Um avião que teria explodido no ar sem deixar nenhum vestígio, um atleta difamado como criminoso e a foto de uma pessoa pública divulgada nas redes sociais, como portadora de doença. Estes foram apenas alguns dos casos listados no segundo dia do Encontro de Comunicação do Pará (Publicom), no município de Altamira, nesta sexta-feira, 13, no auditório da Associação Comercial Industrial e Agropastoril (Aciapa).

O debate da tarde/noite do evento, “O Jornalismo em tempo de Fake News: A Credibilidade em Pauta”, trouxe a discussão das informações falsas propagadas e viralizadas nas mídias sociais, sem a devida apuração de veracidade. E mais, o papel dos jornalistas e dos meios de comunicação no combate a essas notícias falsas e o que fazer quando a própria imprensa divulga fake news.

“Aqui nós já tivemos casos de aeronaves que caíram, de pessoas que ‘morreram’, outros que estavam propagando doenças. De tudo tem acontecido aqui e são justamente fake news, notícias falsas que foram disseminadas sem responsabilidade e sem apuração. Como vivemos na era digital, todo mundo se sente autor de uma notícia, quer contar uma novidade. E é nosso papel apurar, ter ciência disso, tentar consertar e mostrar que as notícias falsas não são uma coisa boa e prejudicam as pessoas”, explicou o apresentador e repórter da TV Mirante, Toninho Mardegan, um dos convidados do debate.

Para movimentar a discussão, além do Toninho foram convidadas a repórter Cristiane Prado, da TV Liberal, e a jornalista e presidente da Fundação Paraense de Radiodifusão (Funtelpa), Adelaide Oliveira, como mediadora. A participação do público também foi marcante e fundamental durante a programação.

“O importante de ouvir esses casos é entender que isso pode acontecer com qualquer um, alguém próximo da gente pode ser vítima de um boato, de uma criação super maldosa e ter sua reputação destruída. Foi impressionante essa troca de informação com os profissionais daqui, é muito bacana saber que há jornalistas em Altamira que têm essa preocupação e fazem seu dever de apurar, checar e evitar, ao máximo, as notícias falsas”, destaca Adelaide.

Uma das histórias contadas no debate foi a da repórter da TV Band Altamira, Midiane Chaves, que há cerca de seis meses foi vítima de fake News ao ter uma foto sua divulgada nas redes sociais junto a um texto mentiroso que anunciava que ela era portadora de uma doença e ainda que a estava disseminando pela cidade. A jornalista afirma que a conversa a respeito do assunto foi importante para seu crescimento profissional e pessoal.

“Eu jamais imaginaria que com o meu trabalho na comunicação seria vítima de algo assim. Recebi muitas mensagens, aquilo tudo foi muito difícil para mim, mas também serviu como exemplo, porque eu via pessoas que compartilhavam aquilo sem buscar a verdade, sem se preocupar com o outro. Tive apoio dos colegas, fiz tudo o que poderia ser feito e tiramos essa foto mentirosa, mas se eu te disser que seis meses depois me recuperei, não é verdade. Tenho medo de que alguém tenha guardado aquilo e depois poste novamente e tudo volte”, confessa.

Cerimonial

Postura, cuidado com os gestos, expressão corporal, dicção, entonação. A estudante de educação no campo, linguagem e código, Delci da Costa Silva, foi ao Publicom aprender técnicas básicas para se comunicar melhor em público. Natural de Medicilândia, ela foi uma das participantes da oficina “Cerimonial e a arte de falar em público” e aprovou todo o conteúdo repassado. “Vim a convite da minha irmã e gostei muito da oficina. É importante para mim porque no meu curso preciso apresentar seminários nas comunidades. Aprendi bastante sobre o que é preciso para falar bem em público”.

A oficina abriu o segundo dia do encontro e foi ministrada pelo cerimonialista do Governo do Estado, Reginaldo Teles, que completou seis participações no evento de comunicação. A atividade foi dividida em duas partes. A primeira abordou o cerimonial, protocolo e regras de etiqueta, que são importantes na realização de eventos, sejam públicos, religiosos ou de qualquer outro tipo. Já na segunda, Teles foi a fundo na apresentação em público, trabalhando noções teóricas e colocando os próprios participantes para falarem à plateia do Publicom.

Para o ministrante, os dois temas são importantíssimos tanto para os comunicadores quanto para o público em geral, já que organizar um evento e enfrentar uma plateia são situações cotidianas na vida das pessoas, jornalistas ou não. “Foi um casamento perfeito, o cerimonial e a arte de falar em público. O objetivo não foi ensinar a falar, até porque muitos aqui são comunicadores, mas sim de passar técnicas importantes. A comunicação não é só o microfone e a câmera, mas também o público. Quem apresenta um jornal na TV e o Rádio tem uma forma de falar, mais rápida, mas com uma plateia, falar com uma velocidade alta pode transmitir nervosismo, por exemplo”, destaca.

Comunicação

Para encerrar a noite, o secretário de estado de comunicação, Daniel Nardin, abordou alguns exemplos de comunicação para o desenvolvimento da sociedade, que são produzidos nas campanhas da Secom. Vídeos institucionais foram exibidos falando de temas polêmicos e importantes, que podem ser trabalhados na comunicação, como doação de sangue, violência contra a mulher, diversidade sexual, dentre outros.

Para Nardin, a função do evento é essa, mais do que capacitar os profissionais e estudantes com técnicas de comunicação, investir no conteúdo que é produzido em todo o estado. “O Publicom mais uma vez cumpriu seu objetivo de reunir profissionais de comunicação, estudantes e pessoas interessadas em debater. Trabalhamos mais do que a tecnologia e a técnica, mostrando a preocupação com o conteúdo. A gente buscou um pouco esse conceito de comunicação para o desenvolvimento, ou seja, como utilizar a comunicação para transformar a sociedade”,  afirma.

O Publicom Altamira foi realizado nos dias 12 e 13 de abril, abordando vários temas e recebendo profissionais de comunicação, estudantes e representantes de movimentos sociais da Região de Integração do Xingu. No primeiro dia do encontro, ocorreram oficinas de design e conteúdo digital, além do debate sobre Mídia e Feminicídio, mediado pela jornalista Ana Maria Negreiros, logo após a exibição do documentário “Quem matou Eloá?”, da diretora e roteirista Lívia Peres.

A primeira edição ocorreu em 2013, em Belém. A partir de 2015, o Publicom ampliou seu raio de atuação, sendo levado aos municípios de Xinguara, Bragança, Redenção, Parauapebas, Paragominas, Santarém e o encontro em Belém, em novembro, com a participação de mais de mil credenciados. Marabá abriu a programação do Publicom 2018, que além de Altamira, será levado ao município de Breves, no Arquipélago do Marajó, nos dias 10 e 11 de maio.

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