Pescadores da ilha do Capim pedem apoio à CPI

“Sobrevivemos à epidemia de cólera, mas talvez não sobrevivamos a este desastre ambiental. Esta contaminação pode extinguir o nosso povo porque não existe tratamento que retire metal pesado do organismo de uma pessoa. Só Deus”. A declaração foi feita pelo pescador Carlos Alberto Soares Pereira, 61 anos, morador da Ilha do Capim, comunidade localizada a 13 quilômetros de distância do polo industrial de Barcarena.

Carlos Alberto esteve na tarde desta terça-feira (24.04), em Belém, para entregar ao deputado Coronel Neil - presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os danos ambientais da bacia hidrográfica do rio Pará - uma carta em nome das 138 famílias que vivem na Ilha do Capim e que enxergam no trabalho da CPI uma chance de recuperarem a qualidade de vida.

“97% da população da ilha é de pescadores e hoje estamos sofrendo não apenas pela falta do pescado, mas pela incerteza da qualidade da água e do peixe que estamos consumindo. Por isso nós viemos aqui (Assembleia Legislativa do Pará) pedir para também sermos ouvidos”, relatou Carlos Alberto.  Segundo ele, a maior preocupação dos moradores da ilha é a falta de testes que comprovem a saúde dos peixes consumidos e comercializados no local.

Carlos Alberto esteve na Assembleia Legislativa acompanhado pelos pescadores José Jesus Pinheiro Rodrigues e Huelinton Azevedo. O grupo foi recebido pelo presidente da CPI, deputado Coronel Neil, pelo relator da Comissão, deputado Celso Sabino e demais deputados que compõem a CPI. Além de entregar o documento aos parlamentares, os pescadores puderam expor suas dificuldades, anseios e esperanças. “Era como se não tivéssemos voz. A CPI foi o único espaço público que nos deu essa oportunidade. Queremos não apenas falar, mas discutir e construir junto com o poder público formas de resolver nossos problemas”, concluiu Huelinton Azevedo.

 

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