Acareação é cancelada após Hydro dispensar a SGW

(Foto: Carlos Boução)

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os danos ambientais na bacia hidrográfica do rio Pará em Barcarena cancelou, nesta terça-feira (08.05), a acareação convocada entre técnicos da UFPA, do Instituto Evandro Chagas e os da empresa SGW Service, contratada pela Hydro Alunorte para fazer uma contra prova dos laudos aprensentados pelas instituições federais. Os laudos conhecidos identificavam transbordamento das bacias de rejeitos, uso de dutos clandestinos e contaminação de rios e igarapés com substâncias tóxicas.

O cancelamento ocorreu devido a empresa norueguesa não ter trazido os técnicos da SGW, conforme o acertado e amplamente divulgado pelos meios de comunicação do Estado. Uma nova data para a acareação será remarcada. 

“Estou me sentindo desrespeitado”, manifestou o relator deputado Celso Sabino depois que o vice-presidente para assuntos institucionais da Hydro Alunorte, Anderson Baranov, comunicou oficialmente que a SGW não teria mais contrato. “A empresa foi dispensada de seus serviços à empresa Hydro”.

Para o deputado nada poderá atrapalhar os trabalhos da CPI. “A Hydro tentou com esta manobra atrasar um pouco os trabalhos da CPI, mas nós estamos firmes e fortes no nosso objetivo de mostrar com clareza o que realmente tem ocorrido na bacia do rio Pará”, expressou Sabino.

Na segunda-feira, os proprietários e pesquisadores da SGW, Sidney Aluani e Rafael Carvalho - contratados pela Hydro por um valor de 195 mil reais - prestaram um extenso e detalhado depoimento aos deputados da CPI. Eles confirmaram suas presenças na acareação marcada para o dia seguinte.

Na oportunidade, defenderam a ideia de que teria ocorrido alagamento e não transbordamento e de que não existiria contaminação nas águas. 

“Algo estranho ocorreu aqui, os representantes da consultoria chegaram, sentaram, temos inclusive imagens do circuito interno de segurança, registrando a presença deles e, portanto, houve alguma coisa que precisa ser averiguado depois que os diretores da Hydro chegaram”, informou o deputado Carlos Bordalo.

Para ele, a empresa ficou extremamente preocupada, na medida em que perceberam que a SGW poderia não mais sustentar a versão por eles formulada e remetida a CPI em documento enviado. “A SGW poderia ter percebido o uso indevido pela Hydro do trabalho dela e por isso destratada”, disse.

Uma investigação paralela, a ser feita pelo delegado Vicente de Paulo, foi aprovada após constatação da estratégia de obstruir os trabalhos, iniciando pelas gravações de vídeo das dependências da Alepa, proposta do deputado Carlos Bordalo.

“Em nosso entendimento a acareação seria com a Hydro, o Instituto Evandro Chagas e a Universidade Federal do Pará. E nós viemos aqui para responder”, informou Baranov, diretor da empresa. Como a Hydro não poderia participar da acareação por não ter sido ouvida individualmente antes, como foi feito com os técnicos das instituições e empresas que elaboraram laudos, a acareação foi cancelada. “Para acelerar o processo, já temos interesse em esclarecer tudo que está ocorrendo e o que não ocorreu, a gente ofereceu pra antecipar o nosso depoimento pra hoje, mas não foi aceito”, explicou Baranov.

O Deputado Coronel Neil, presidente da CPI, informou que a SGW será ouvida. “Não mais como contratada da Hydro, ela vem como a quarta pessoa, para fazer parte da acareação, vamos convocar diretamente”, disse. Coube a ele encerrar oficialmente os trabalhos e pedir desculpas ao povo do Pará. De forma transparente, as oitivas são transmitidas ao vivo pela TV Alepa. 

O presidente da CPI informou ainda que na próxima segunda-feira (14.05) os membros da CPI visitarão as instalações da Imerys Rio Capim Caulim e na terça-feira (15.05), os diretores da Hydro Alunorte, conforme o Plano de Trabalho previamente estabelecido.

O deputado Celso Sabino apresentou ainda formulação pedindo da empresa Hydro Alunorte a relação de todos os funcionários diretos e das empresas terceirizadas da DRS1, DRS2 e Samp 45, que estavam trabalhando nos dias 16 e 17 de fevereiro deste ano nas áreas de segurança e monitoramento eletrônico.

Uma manifestação dos funcionários da empresa Hydro Alunorte, coordenada pelas diretorias de sindicatos de Barcarena pedindo o fim do embargo a empresa, foi feita com faixas e cartazes. Logo após o encerramento da oitiva, os manifestantes tomaram o plenário João Batista até a intervenção do deputado Celso Sabino, que prestou todos os esclarecimentos solicitados. “A Assembleia Legislativa e a CPI não tem relação com o embargo, isto foi determinado pela Justiça Federal a partir de pedido do Ministério Público”, disse.    

 
 
 
 
 

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