Crianças e jovens mudam rotina em programas sociais do Governo do Estado

A programação faz parte do Sarau Literário 2018 Livro Solidário, evento organizado pela Imprensa Oficial do Estado em parceria com a Secult (Foto: MÁCIO FERREIRA/ AG. PARÁ)

Uma aula de história ao ar livre mudou a rotina de Wilian Natan, na manhã desta sexta-feira (11). Com um celular na mão e mil sonhos na cabeça, ele registrava a todo momento fotos e vídeos do Complexo Feliz Lusitânia e do Museu de Arte Sacra.

Wilian fez parte de uma turma de 20 alunos da Fundação Pro Paz, dos polos UFPA, UFRA e Terra Firme, que participaram de uma palestra com o historiador Aldrin Figueiredo. É a preparação dos alunos do polo UFPA, que irão encenar uma peça de teatro baseada no livro "História da Gente Brasileira", da escritora Mary Del Priore.

A programação faz parte do Sarau Literário 2018 Livro Solidário, evento organizado pela Imprensa Oficial do Estado em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura (Secult).

Pro Paz nos Bairros - Criado em 2004, o projeto tem o objetivo de auxiliar crianças e jovens dos 8 aos 18 anos, em um período complementar à escola. O programa atende uma média de 2.500 alunos por ano em sete bairros de Belém. São oferecidas atividades de artes, esporte, cultura e lazer.

Mas com a intenção de diminuir a evasão escolar, o Pro Paz oferece formas lúdicas de ensino de disciplinas tradicionais como matemática, português e história, como a palestra com o historiador na manhã desta sexta-feira.

“Esse trabalho surgiu com o objetivo da prevenção. Queremos tirar esses alunos atendidos da rua, da vulnerabilidade social. Quando eles não estão na escola, eles estão com a gente, protegidos, desenvolvendo atividades e descobrindo suas potencialidades”, disse Mônica Altman, presidente do Pro Paz.

Um dos alunos mais empolgados durante a aula de história ao ar livre era Jeannifer Cristo, 15 anos, que há cinco anos integra o polo UFPA, na Terra Firme. “O Pro Paz mudou muita coisa na minha vida. O tempo livre que eu tinha era ocupado por atividades diferenciadas que acrescentaram uma visão mais abrangente do mundo”, relatou a aluna.

Jeannifer tem mais dois irmãos que fazem parte do Pro Paz, para felicidade da mãe, Gracilene Leite, 33 anos. “Eu não tive essa oportunidade de ocupação que eles tiveram, e agora eu torço muito para que eles aproveitem cada minuto de aprendizagem”.

Entre as atividades do Pro Paz está a aula de dança, que hoje tem um ex-aluno do projeto como monitor. “O projeto Pro Paz foi uma oportunidade decisiva para mim, que como outros, moram em um bairro violento como a Terra Firme. Através do meu desenvolvimento nas atividades, comecei como estagiário e hoje, consegui um trabalho como funcionário no setor de administração. E o projeto ainda me abriu os horizontes da dança. Esse vai ser o meu futuro”, disse Aldair Maciel, 22 anos.

Reconhecimento internacional - O projeto Pro Paz nos bairros teve reconhecimento internacional ao ser citado como exemplo de boa prática pela Organização das Nações Unidas (ONU) em Doha, no Qatar, durante o 13º Congresso de Prevenção contra o Crime, realizado em abril de 2015.

No evento, que reuniu chefes de Estado de todo o mundo, foi aprovado o relatório do Comitê Permanente da América Latina para prevenção de Delito (Coplad), do Instituto Latino Americano das Nações Unidas (Ilanud) e que apresenta, em uma de suas seções, 13 páginas que citam o Pro Paz como uma das experiências positivas de prevenção à criminalidade no mundo.

Escola da Vida - O Corpo de Bombeiros Militar do Pará também atua com um projeto de responsabilidade social que oferece perspectivas às crianças e adolescentes.

O “Escola da Vida” começou no quartel da Cremação em 1993, com apenas 20 alunos. Hoje, alcança 3.200 alunos matriculados e distribuídos em 25 polos pelo Estado. Mais de 25 mil crianças já passaram pelo projeto que oferece informações, orientações, treinamento, educação e base de apoio para a formação do cidadão.

Dos 25 polos do Projeto Escola da Vida, cinco estão em Belém, nos bairros da Cremação e Val de Cans, além de Icoaraci, Outeiro e Mosqueiro, funcionando dentro dos quartéis.

O projeto já foi implantado também em Marituba, Ananindeua, Santa Izabel do Pará, Castanhal, Capanema, Salvaterra, Breves, Curralinho e Ponta de Pedras.

Em junho, serão criados os polos no município de Canaã dos Carajás e no Mangueirão, em Belém. As crianças atendidas pelo projeto assistem de 3 a 4 horas de aula diárias, com 70% das atividades voltadas às missões operacionais dos bombeiros, e os 30% restantes são ocupados com disciplinas teóricas como ética e cidadania, além da prática de esportes. A meta é implantar o Projeto Escola da Vida em todos os 32 quartéis do Corpo de Bombeiros existentes no Estado.

O núcleo de Val de Cans é o que traz o maior número de alunos matriculados. São 200 crianças divididas em quatro turmas. Um deles é Éric Macedo, 13 anos, estudante da Escola Estadual Esther Moreira Gomes. “Antes, quando eu saia da escola, eu vivia na rua. Depois que a minha mãe me colocou aqui, quando eu tinha 9 anos, aprendi tanta coisa, até a ajudar as pessoas nos primeiros socorros. Com a informação daqui, eu descobri que quero ser aviador”, contou o menino.

“Para toda a nossa corporação, o Escola da Vida é considerado um projeto muito especial. Através dele, a criança sai de um mundo no qual ela consegue enxergar outras atividades que mexem com a sua estrutura, e passa a acreditar em uma transformação imediata. Tivemos exemplos em cada um dos polos que montamos, de alunos que davam trabalho para os seus pais, e depois de 30 a 90 dias, a gente ouve relatos de como essas crianças mudaram de comportamento, e isso não tem preço”, disse o tenente-coronel Elias Rocha, coordenador geral do Escola da Vida.

O Projeto Escola da Vida é um trabalho desenvolvido com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no plano estadual de Segurança Pública aprovado pela Resolução nº 26/ 01 – Consep, que estabelece que a política de atendimento aos direitos da criança e do adolescente deve ser feita “por um conjunto articulado de ações governamentais e não governamentais, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios”.

Proerd - Outra iniciativa que tem obtido resultados positivos na prevenção à criminalidade é o Programa de Educação e Resistência às Drogas (Proerd), desenvolvido pela Polícia Militar há 15 anos, com o objetivo de implantar uma cultura de paz articulada pelo tripé família, escola e policia militar. O trabalho é executado junto a crianças, adolescentes e pais de alunos do ensino fundamental, das redes pública e particular.

Com 222 policiais instrutores no quadro atual, o programa já alcançou 110 municípios paraenses – 59 somente este ano –, nos quais formou 302.299 alunos como multiplicadores dos valores e conhecimentos assimilados no curso. Para este mês está prevista a formação de 37 novos instrutores. A oferta do curso – que dura cerca de 15 dias – se dá por meio de solicitação das escolas ou de verificação, pelo comandante do policiamento da área, da necessidade de ação em áreas com alto grau de violência.

As instruções são ministradas em sala de aula, pelo período de três meses. As ações visam a prevenção às drogas e à comportamentos violentos – o bullying é temática recorrente de palestras. Além disso, o programa visa afastar a imagem da PM enquanto figura repressiva. O trabalho é desenvolvido com base nos direitos humanos e é fundado no caráter preventivo da atuação da corporação, acreditando que o fortalecimento de tal tipo de atividade pode reduzir a necessidade da atuação repressiva. Os resultados esperados são de médio e longo prazo.

“É preciso acreditar na prevenção. O Proerd tem o escopo de capacitar seu público-alvo a tomar decisões positivas frente aos problemas do cotidiano, principalmente  aqueles relacionados às drogas e à violência”, diz a chefe do Centro de Capacitação e Prevenção Primária da Polícia Militar, tenente-coronel Maria Ribeiro. “Tivemos a oportunidade de ter em nossas avaliações de resultados crianças querendo ser policial militar por ter admiração pelos ensinamentos dos policiais. Há casos de adolescentes que encontraram seus instrutores anos depois de serem formados no Proerd e agradecem esses policiais por tê-los afastados do mundo das drogas”, conta.

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