Dia do Gari: Conheça histórias de quem deixa a cidade mais limpa

Kleitione Chaves e Bianca Gonçalves são incansáveis: limpam a cidade com dedicação e sonham com o dia em que a população terá mais cuidado com o meio ambiente. (Foto: João Gomes / COMUS)

Kleitione Chaves, Bianca Gonçalves e Ane Tavares têm em comum uma rotina de trabalho incansável na limpeza das ruas da cidade. Eles trabalham na Prefeitura de Belém como garis, profissionais responsáveis pelo recolhimento diário de cerca de 2 mil toneladas de lixo e entulho das ruas e canais da cidade. Nesta quarta-feira, 16, Dia do Gari, a data será celebrada com mais um dia de trabalho intenso para esses e outros 1.800 trabalhadores que atuam na limpeza urbana da capital paraense.

Os garis fazem a coleta do lixo doméstico, hospitalar e de espaços públicos. Eles também recolhem entulho e resíduos de varrição e fazem a lavagem das ruas, capinação, roçagem e trabalham na dragagem de canais.

Kleitione de Jesus Chaves tem 37 anos e trabalha há 18 na limpeza urbana. “Eu era servente de pedreiro e não tinha uma rotina muito certa de trabalho. Com a atividade de gari eu consigo me programar, mesmo sabendo que vou trabalhar praticamente o dia inteiro. Não tenho nada a reclamar dessa minha função, pois considero um trabalho digno e honesto como qualquer outro”, avalia. “Às vezes encontramos pessoas que se incomodam com a nossa presença. Dentro do ônibus teve um rapaz que se levantou só para não ficar do meu lado. Mas não liguei muito não. Fiquei lá tranquilo e segui viagem”, conta.

Bianca Nunes Gonçalves, 29 anos, trabalha há 10 como gari e não “desce do salto” mesmo durante a atividade nas ruas. “Não é porque estou nas ruas limpando e varrendo que vou ser uma pessoa descuidada e desleixada com a minha aparência. Ouvi outro dia uma pessoa dizer: ‘Nossa você é tão bonita para ser gari’. Eu apenas gosto de me sentir bem e sou totalmente realizada com o trabalho que faço. Sei que estou dando a minha contribuição para a sociedade”, afirma.

Bianca e Kleitione concordam quando o assunto é a necessidade de conscientização da população. “É muito comum a gente terminar de limpar um espaço e logo em seguida já começarem a sujar tudo de novo. É como se fosse um desrespeito com o nosso trabalho”, diz Kleitione. “Eu até brinco e digo que com o material que a gente encontra no lixo dá pra montar uma casa: é cama, sofá, fogão e geladeira. Tudo jogado na esquina ou até dentro de um canal”, completa Bianca.

Moradora da avenida Fernando Guilhon, a estudante Elen Bastos, 40 anos, acompanha diariamente o trabalho de limpeza que os garis executam em frente à Unidade de Saúde do Jurunas. “Eles estão aí todos os dias e saem daqui com uma caçamba lotada de todo tipo de sujeira. É um trabalho difícil que precisa ser valorizado e reconhecido”, afirma. Ao tomar conhecimento de que neste dia 16 de maio é comemorado o Dia do Gari, Elen fez uma promessa aos trabalhadores da área: “Vou fazer um bolo pra que eles possam se sentir lembrados”.

Na feira da Cabanagem, a gari Ane Tavares, 27 anos, é um exemplo de determinação. Ela é formada em radiologia em nível técnico e cursa o 8º semestre do curso de Educação Física em uma faculdade particular. “Acordo cedo, dou aula de hidroginástica em um condomínio, depois vou para o estágio em uma escola municipal onde ministro aula de educação física. Só depois visto a farda de gari e vou para a feira da Cabanagem fazer a limpeza”, conta ela. “Ano que vem, quando eu me formar, vou continuar conciliando todas essas atividades”, garante.

A limpeza urbana é um dos maiores investimentos da Prefeitura de Belém, que por meio da Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) mantém contrato com três empresas de manutenção urbana. O custo médio mensal supera os R$ 10 milhões.

“A coleta urbana é uma preocupação diária e que requer muita dedicação e compromisso desses trabalhadores. Temos, portanto, que reconhecer a importância desses profissionais e lembrar do valores deles todos os dias do ano”, afirma o secretário municipal de saneamento, Claudio Mercês.

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