Prefeito de Barcarena é ouvido pela CPI e diz que não houve transbordamento

(Foto: Carlos Boução)

Os deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura os danos ambientais na Bacia Hidrográfica do Rio Pará ouviram, na última segunda-feira (21.05), o prefeito de Barcarena, Antônio Vilaça. No cargo desde 2013, ele discorreu aos deputados sobre as providências tomadas por sua administração frente ao incidente envolvendo a empresa Hydro Alunorte, ocorrido em fevereiro passado, bem como de outros ocorridos desde 2013 - como do naufrágio do navio Haydar ancorado no Porto de Vila do Conde em 2015 e carregado com mais de 5 mil bois vivos - e ainda de vazamentos de caulim pela Imerys e outros acidentes de empresas minero metalúrgicas do polo industrial de Barcarena.

Ele fez ainda um longo e detalhado relato técnico sobre o que pode ter ocorrido no dia 17 de fevereiro, após uma intensa chuva que se abateu na região, valendo-se da condição de ter participado como empresário e proprietário de empresa que construiu quatro das sete cédulas que constituem a DRS1, a mesma que poderia ter transbordado. Ele informou que não tem conhecimento sobre a DRS2.

“Uma coisa eu tenho certeza: não houve transbordo e nem houve rompimento de barragem, tenho a impressão que o nível chegou até a beirinha,  uns cinco centímetros para transbordar, os santos deles trabalharam muito”, relatou Vilaça. O prefeito informou que a capacidade de tratamento das bacias da Hydro é de nove milhões de litros por hora. “Eles sempre mantiveram este nível em um patamar mais alto possível, pois eles nunca esperavam uma chuva daquelas e a chuva os surpreendeu”.

O prefeito informou ainda que os depósitos de resíduos sólidos são feitos para acumular lama, a água contaminada vai para uma bacia, que fica em frente. “Quando chove, a água lava aquela montanha de lama e em volta deste depósito existe um canal de coleta.  A água bate neste canal e desce para bacia de captação que tem ali próximo, a bacia de número um. Dalí, ela é bombeada para a bacia da estação de tratamento de rejeitos, que fica na área 88”, detalhou.

Para o deputado Celso Sabino, relator da CPI, o depoimento do prefeito comprova com de outros colhidos. “Já temos fortes indícios de que este canal de coleta trabalhou acima de sua capacidade, podendo ele ter transbordado, então não a bacia transbordou, mas sim o canal que circunda esta bacia”, disse.

Para o presidente da CPI, deputado Coronel Neil Duarte, o depoimento do prefeito foi muito esclarecedor. "Antes de ser prefeito, ele foi construtor da DRS1". Para ele, as informações dadas comprovaram que não houve o vazamento da bacia, mas sim ao redor onde tem um canal que protege que leva o excesso de água.

Já o deputado Carlos Bordalo considera como certo que houve uma grande fuga de material tóxico naquele dia e que alagou aquelas áreas, em particular as nascentes do Rio Murucupi. “Se a fuga de material foi através de transbordamento ou alagamento, não é mais relevante. Como o rio Murucupi é um grande dreno, ele contribuiu com o recebimento desta água em uma abrangência de difícil mensuração, pois estas águas chegam até a Bacia do Rio Pará”, disse.

Os deputados ouviram ainda os depoimentos de dois moradores. Petronilo Alves, presidente do Grupo de Trabalho que representa as comunidades impactadas pelos grandes empreendimentos industriais e portuários de Barcarena, e de Valter dos Santos Freitas, líder da Comunidade Quilombola São Lourenço. Eles confirmaram que a contaminação existente e os impactos causados foram produzidos pelas empresas instaladas no polo industrial de Barcarena.

Petronilo propôs aos deputados que acionassem a Policia Federal para realizar uma perícia no ar, no solo, nas águas, nos peixes e nas frutas de Barcarena. “A população não aguenta mais esses impactos”. Ele que tem mais de 11 tipos de metais no corpo falou dos exames realizados pela Universidade Federal do Pará que atestou a presença de 23 elementos químicos, dentre estes o chumbo, em níveis de até 80% do que é considerado normal.

O líder quilombola Valter dos Santos disse que os acidentes ocorridos ao meio ambiente prejudicam a pesca e a produção de açaí. “O peixe foi embora e os primeiros vazamentos produziram mortandade de peixes e o solo ficou prejudicado, afetando a produção do açaí”, explicou.

 

 

 

 

 
 
 

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