Mutirão retira lixo e entulho das calçadas e canteiro recém construídos na avenida Bernardo Sayão

A calçada e o canteiro central hoje dão lugar ao canal a céu aberto e ao lamaçal que antes existiam na área (Foto: Fernando Sette - Comus)

Na orla às margens do rio Guamá, na avenida que abriga marinas, casas de show, hotel e o campus da Universidade Federal do Pará o que chama atenção na paisagem ao longo do trecho recém saneado e urbanizado da avenida Bernardo Sayão, no bairro do Guamá, são as montanhas de lixo e de entulho que se formam numa velocidade surpreendente em toda a extensão dos dois mil metros de calçada e no canteiro central, que hoje dão lugar ao canal a céu aberto e ao lamaçal que antes existiam na área.
 
Grave ameaça para a saúde pública e para o meio ambiente a cena que prejudica a beleza da via também divide opiniões. “A gente fica envergonhado, se sente triste”, desabafa o assistente administrativo Carlos Gama, morador da área que diz já ter se indisposto com carroceiros ao tentar reprimir o despejo de criminoso. Mas, segundo ele, as tentativas têm sido em vão. “Antes era só vala e lama. Agora era pra ficar bonito. Mas nada do que a gente faz adianta”, lamenta-se Carlos que destaca que o carro de coleta de lixo passa todos os dias na via e recolhe os resíduos.
 
Já outra moradora da área flagrada por nossa equipe jogando uma sacola de lixo no canteiro não demonstrou preocupação com a limpeza do lugar onde vive. Ela depositou os resíduos no chão e, sem se identificar, disse que “joga por que quer”, alegando que o carro de lixo não coleta na frente da casa dela, o que foi negado pelos vizinhos da moradora.
 
Preocupada com o descuido com o bem público, a técnica Regina Cardoso, responsável pela fiscalização da obra de saneamento e urbanização realizada pela Prefeitura de Belém, por meio do Programa Sanear Belém, e que está em fase de conclusão no trecho entre José Bonifácio e Augusto Corrêa, informa que a limpeza da via é uma luta constante. “Todo o dia a gente (os operários) retira lixo, plásticos, eu até brigo com algumas pessoas, é um desafio. Olha aqui o que acontece, queima a grama, estraga as plantas. Dos ipês plantados aqui, tem alguns que já foram danificados”, explica apontando o gramado com partes já secas em alguns trechos ou destruídas em outros. Um pé de ipê, ela conta que conseguiu recuperar depois de retirar uma montanha de entulhos jogada sobre a planta.
 
Mutirão de limpeza - Neste sábado, 26, duas equipes de operários da empresa executora da obra fizeram um mutirão de limpeza na via, por orientação do Programa Sanear Belém. E mesmo durante os serviços, os trabalhadores testemunharam despejo de resíduos na via.
 
Segundo a engenheira Luciana Vasconcelos, coordenadora do Programa Sanear Belém, além da coleta diária implementada pela Prefeitura, a Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) já desenvolveu uma campanha de educação ambiental entre os moradores e comerciantes do trecho. Novas ações estão sendo definidas para trabalhar a conscientização da comunidade, com o envolvimento de órgãos municipais.
 
Ameaças – O casal Suely Sacramento e João Batista Figueiredo compõe uma equipe de enfrentamento ao despejo criminoso de lixo e entulho na via pública. Donos de uma padaria, eles moram há dois anos na avenida Bernardo Sayão e relatam diversos momentos de tensão vividos ao tentar evitar o descarte ilegal. “A gente luta, conversa, meu marido corre atrás dos carroceiros... uma vez ele já foi ameaçado com uma faca e a gente só quer o melhor”, indigna-se a comerciante. “Quem viu isso aqui como era e como é agora, tá muito diferente. A luta é árdua. Se não tivesse coleta, mas tem todo dia e o caminhão de entulho passa três vezes por semana, o povo já tem a cultura de fazer isso”, avalia seu João Batista.
 
Só com a retirada de entulho fruto do despejo ilegal nas vias públicas, a Prefeitura de Belém desembolsa mais de 24 milhões por ano. Equipes de fiscalização da Sesan atuam em parceria com o Batalhão de Polícia Ambiental e Guarda Municipal para combater o descarte em local impróprio que ocorre em vias e canais.  Por dia, cerca de 500 toneladas de lixo são recolhidas das vias públicas de toda a cidade a um custo mensal de mais de R$ 2 milhões.

Comentários