Policiamento Escolar traz técnicas diferenciadas no apoio aos jovens

Uma das seis escolas da capital nas quais o Cipoe atua com o Plano de Segurança Escolar é a Escola Estadual Hilda Vieira (foto), no bairro da Marambaia (Foto: Sidney Oliveira/Ag. Pará)

Criada para preservar a ordem pública nos estabelecimentos de ensino, e impulsionar o combate à violência escolar no Estado, a Companhia Independente de Polícia Escolar (Cipoe) completou 27 anos em 2018 se especializando em um atendimento diferenciado na abordagem aos jovens e adultos estudantes.

A companhia, que compõe o Comando de Policiamento Especializado (CPE), atua com 89 policiais na região metropolitana de Belém. O policiamento é feito em quatro viaturas, cumprindo um roteiro de rondas, revistas e palestras de prevenção nas escolas.

Os policiais da companhia recebem capacitação especializada para atuar junto às comunidades escolares do Estado. A especialização se dá por meio da instrução de um curso de policiamento comunitário escolar, com 182 horas/aula, além da forma continuada, por meio de treinamentos físicos militares e de defesa pessoal, que visam o aprimoramento da condição de saúde dos militares e o uso diferenciado da força, com maior técnica e menores esforços e riscos nas intervenções policiais no ambiente escolar.

“O policial para trabalhar em nossa companhia, precisa ter um perfil diferenciado. Trabalhamos com a prevenção e a resistência ao crime. A abordagem é diferenciada, porque lidamos com jovens em formação. A própria utilização da voz já precisa ser cuidadosa e trabalhada. A gente tenta se apropriar ao máximo de técnicas que privilegiem a negociação, sendo o menos agressivo possível”, afirma o major Márcio Neves, comandante do Cipoe.

Agentes multiplicadores

Em 2018, pela primeira vez, o curso foi aberto para agentes de segurança de fora da companhia, com a participação de três policais militares (um de Paragominas, um de Mosqueiro e um do 2° batalhão da capital) e dois guardas municipais - um de Marituba e outro de Ananindeua - que passam a atuar como agentes multiplicadores desse policiamento diferenciado.

O curso, concluído em março deste ano, foi o segundo que aconteceu para a qualificação do policiamento escolar. O primeiro foi em 2017, e qualificou 40 policiais.

Foram 16 disciplinas, como Compreensão da Evolução do Policiamento Escolar; Conceituação e Elementos Constitutivos da Violência Escolar; Primeiros Socorros em Ocorrências Escolares; Mobilização Social para Superação da Violência Escolar, entre outras.

O objetivo foi oferecer uma qualificação trabalhando questões humanas do agente de segurança, fundamental para quem vai lidar com um público amplo, já o Cipoe atua também junto à Educação de Jovens e Adultos (EJA)

Plano de Segurança Escolar - Outro importante instrumento na atuação da companhia é a integração entre segurança pública, professores e o quadro técnico, visando atuar adequadamente junto ao público-alvo, composto por crianças, adolescentes e jovens em três processos específicos: ronda escolar, atendimentos emergenciais e participação na construção dos planos de segurança de cada unidade de ensino, de acordo com as suas especificidades.

Em seis escolas da capital, três de Mosqueiro e uma em Marabá, o Cipoe está em ação com o Plano de Segurança Escolar. Essas escolas foram escolhidas em função de manifestações da comunidade, por serem mais visadas pelos aliciamentos em função das drogas. É feito um levantamento dos principais problemas de cada estabelecimento de ensino, e em um segundo momento, ocorre a sensibilização dos professores e pais, para que eles orientem os alunos.

“Acreditamos que os professores são o principal instrumento de conscientização do aluno em resistência a drogas e outras situações. Então a gente tenta os conscientizar, para que eles entendam o encaminhamento de cada tipo de ocorrência”, destacou o major Neves.

Comunidade segura - Uma das seis escolas da capital nas quais o Cipoe atua com o Plano de Segurança Escolar é a Escola Estadual Hilda Vieira, no bairro da Marambaia. Lá estudam 1.300 alunos, do ensino fundamental à Educação de Jovens e Adultos, nos períodos matutino, vespertino e noturno.

No ano passado, a Companhia de Policiamento Escolar montou um plano de organização para a escola no qual foi elaborado um organograma de palestras com professores, pais e corpo técnico do colégio. O policiamento passou a ser decisivo, inclusive para mudanças de hábitos dos alunos.

"A polícia foi uma pesquisadora efetiva dos nossos principais problemas, dos internos aos externos, nos ajudando a identificar e combater a questão das drogas. Nos ajudou ainda a fazer desde um controle maior no uso do uniforme, e passamos a ter reuniões de 2 em 2 meses. Esse acompanhamento dos alunos de perto pela Polícia fez com que a gente não tivesse nenhuma ocorrência policial este ano”, disse a diretora Geovânia Paiva, 49 anos.

Enquanto uma equipe de cinco policiais do Cipoe está na porta da Escola Hilda Vieira, o servente de pedreiro Edilson Machado, 32 anos, chega para buscar seu filho. Warllan Daniel tem 8 anos, e é aluno do segundo ano do ensino fundamental. “A gente se sente bem mais tranquilo vindo buscar nosso filho na escola e vendo a polícia por perto. Eu e minha esposa passamos por aqui outro dia, e comentamos: 'Que bom que nosso filho está aí, protegido'”, destacou o pai.

O sentimento de gratidão é compartilhado pelos próprios policiais. “Para mim, que vivencio essa aproximação com crianças e jovens há 19 anos atuando pelo Cipoe, é muito gratificante chegar nas escolas infantis e perceber que eles têm muita admiração e até fascínio pela figura do policial. Eles se aproximam e às vezes pedem para nos abraçar, dignificando o nosso trabalho”, revelou o sargento Valkir Azevedo.

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