Sespa realiza curso de atualização em doença de Chagas em Abaetetuba

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) realizará, nos dias 5 e 6 de junho, na Faculdade Anhanguera, em Abaetetuba, um curso de capacitação no atendimento a pacientes com Doença de Chagas Aguda e Crônica no Estado do Pará. A atividade é voltada para médicos, enfermeiros e coordenadores de Vigilância em Saúde dos municípios que formam o 6º e 13º Centros Regionais de Saúde.

No entendimento da Sespa, o curso é fundamental para capacitar profissionais sobre o diagnóstico precoce nos casos de doença de Chagas porque, quanto mais tempo o paciente leva para iniciar o tratamento, mais danos o parasito Trypanosoma cruzi causa no organismo, principalmente no coração. Um paciente com suspeita da doença precisa ser logo notificado e imediatamente encaminhado para exame e início do tratamento, visando à redução das sequelas, uma vez que a doença de Chagas não tem cura.

Todo paciente agudo torna-se crônico com ou sem sequelas. Embora a sorologia do paciente possa dar negativa para a doença após algum tempo, o parasito permanece no tecido e o estrago que faz no coração é irreversível. Por tudo isso, o paciente com Chagas recebe medicamento específico por dois meses e permanece sob acompanhamento pelo período de cinco anos.

Para a realização do curso em Abaetetuba, foram articuladas as participações de profissionais oriundos do Instituto Evandro Chagas (IEC), Hospital Universitário João de Barros Barreto e do Instituto Nacional de Infectologia, atrelado à Fundação Oswaldo Cruz, para serem professores.

Em nota técnica, os organizadores enumeram algumas das propostas da atividade: Busca da compreensão da existência de casos de doença de Chagas aguda e crônica na Amazônia, em especial no Estado do Pará, e de seus aspectos epidemiológicos, preventivos, critérios diagnósticos, classificação, características clínicas, e noções básicas de condutas terapêuticas.

Ainda segundo a nota, haverá treinamento prático de realização e interpretação de eletrocardiograma voltado para achados de doença de Chagas aguda e crônica em Abaetetuba. O curso terá carga horária de 20 horas e turmas específicas, sendo uma para médicos e outra para enfermeiros, técnicos e agentes de saúde.

O curso compõe o Plano Estadual de Intensificação das Ações de Controle da Doença de Chagas, criado pela Sespa em 2012 para amenizar o número de casos do Pará, que chegou a 258 no ano passado, 38 deles em Abaetetuba, município que mais registrou a doença em 2017, seguido de Belém (33), Breves (27) e Barcarena (15). Em anos anteriores o cenário da doença de Chagas no Pará foi o seguinte: 2016 (311 casos), 2015 (235 casos), 2014 (137) e 2013 (133).

Manual

No dia 26 de dezembro de 2012, a Sespa publicou a Portaria nº 1.619, que estabelece a Rotina de Seguimento Ambulatorial da Doença de Chagas no Pará em toda a rede de serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), com o objetivo de garantir atendimento clínico adequado aos pacientes com doença de Chagas no Pará, cumprindo o protocolo clínico instituído pelo Ministério da Saúde.

Na prática, a portaria resultou no Manual de Recomendações para Diagnóstico, Tratamento e Seguimento Ambulatorial de Portadores de Doença de Chagas, que foi elaborado por Dilma Souza e pela médica infectologista Rita Monteiro, e vem sendo distribuído aos profissionais de saúde, principalmente médicos, enfermeiros e estudantes de medicina, que atuam na rede pública de Saúde.

O manual enfatiza os aspectos da clínica, do diagnóstico e do tratamento da doença e, em especial, da cardiopatia chagásica aguda, assim como condutas que devem nortear o tratamento de grupos especiais, como crianças, gestantes e lactentes.

Então, para melhorar o atendimento de casos suspeitos, além de promover capacitações e divulgar o fluxo nos polos de referência, as instituições envolvidas na questão trabalham na divulgação de informações nas redes sociais e na mídia. Desde 2011, o Hospital Universitário João de Barros Barreto é referência estadual em Doença de Chagas. É para ele que devem ser encaminhados os pacientes em estado mais grave, enquanto o Hospital de Clínicas Gaspar Vianna funciona como referência em casos de acometimento cardíaco grave em fase aguda ou crônica.

O Plano Estadual de Intensificação das Ações de Controle da Doença de Chagas inclui atividades de vigilância epidemiológica e sanitária, pesquisa de reservatórios animais, vigilância laboratorial e assistência. O papel da Sespa é apoiar os municípios, com assessoria técnica e capacitação profissional para que o serviço funcione da melhor forma possível.

A doença de Chagas é transmitida pelo barbeiro infectado, que ao picar uma pessoa sadia deposita fezes contaminadas no ferimento, permitindo a entrada do parasito Trypanosoma cruzi na corrente sanguínea. A doença também pode ser transmitida por via oral, com alimentos contaminados pelo barbeiro.

Na fase aguda, os principais sintomas são dor de cabeça, febre, cansaço, edema facial e dos membros inferiores, taquicardia, palpitação e dor no peito e falta de ar. Como os sintomas iniciais parecem com o de outras doenças, a pessoa deve procurar atendimento médico imediato para fazer exame e ser referenciado para o serviço especializado.

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