Caps Renascer já vê os primeiros resultados do Projeto AcolheSUS

Melhorar a qualidade do atendimento aos usuários do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Renascer é o objetivo geral do Plano de Ação elaborado durante as oficinas do Projeto de Qualificação das Práticas de Cuidado a partir das Portas de Entrada do SUS (Projeto AcolheSUS). (Foto: JOSÉ PANTOJA / ASCOM SESPA)

Melhorar a qualidade do atendimento aos usuários do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Renascer é o objetivo geral do Plano de Ação elaborado durante as oficinas do Projeto de Qualificação das Práticas de Cuidado a partir das Portas de Entrada do SUS (Projeto AcolheSUS). Na sexta oficina, que começou nesta quarta-feira (6), o Plano será finalizado, no entanto, as intervenções nos processos de trabalho do Caps já vêm acontecendo gradativamente desde o início do Projeto em outubro de 2017.

A finalidade do AcolheSUS é qualificar o acesso e as práticas de cuidado por meio da implantação/implementação da Diretriz Acolhimento da Política Nacional de Humanização (PNH) nos serviços de saúde, sendo que aqui no Pará, o campo de ação do projeto é o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Renascer.

No Pará, o AcolheSUS está sendo realizado pelo Ministério da Saúde (MS), por meio da Coordenação Geral da Política Nacional de Humanização (CGPNH) em parceria com a Sespa, via Diretoria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (DGTES) e Coordenação Estadual de Humanização.

O Pará foi o único estado que escolheu a área de Saúde Mental para desenvolver o projeto, enquanto Tocantins e Paraíba – que são os outros estados escolhidos para desenvolverem os projetos experimentais – optaram pela área de Urgência e Emergência. Os três estados vão se tornar referência para os demais.

A sexta oficina começou com a participação dos integrantes do projeto na assembleia dos usuários, oportunidade que têm de ouvir de perto as principais demandas de quem realmente utiliza a Rede de Atenção Psicossocial do Sistema Único de Saúde (SUS).

O coordenador estadual de Humanização, Guilherme Martins, disse que a assembleia funciona como uma espécie de termômetro. “Para ver se a gente está entendendo e percebendo realmente as dificuldades enfrentadas pelos usuários. Porque, muitas vezes, a gente pensa que houve avanço em determinada área, mas o usuário vem e aponta algo que ainda não está funcionando bem. Isso nos faz rever o processo de trabalho”, explicou.

Segundo o coordenador, em reunião com os trabalhadores do Caps Renascer, na última terça-feira (5), foi feita uma avaliação do que já avançou no processo de trabalho deles. E agora na oficina será feita uma análise mais objetiva e técnica desse processo. “Vamos pegar a estrutura do plano, comparar com o que estava previsto e analisar o que avançou ou não. E, a partir de agora, trabalhar a implementação desse plano”, informou.

Ele disse que um dos avanços apontados pela equipe foi a organização dos processos de trabalho. “A partir de uma revisão do seu plano institucional, a equipe pôde tirar da gaveta tudo aquilo que ela pensava em termos de projetos, plano de ação e atividades, verificar o que estava ou não funcionando e tentar adequar isso ao projeto de hoje”, detalhou Guilherme. “Foi muito bacana porque mostram direções importantes para se trabalhar e investir, como o acolhimento, ambiência, relação entre os turnos e equipes e acompanhamento do usuário, sendo importante haver envolvimento com os outros segmentos da rede do SUS.

Um dos problemas apontados pelos usuários é a dificuldade que passaram a enfrentar para receber os medicamentos da Farmácia Básica em função da descentralização desse serviço da Sespa para a Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma). A situação, inclusive, vem sendo acompanhada e discutida pelos Ministérios Públicos Federal e Estadual, Conselhos de Saúde e gestores da área da saúde, mas ainda não foi totalmente resolvido.

Guilherme informou, ainda, que o Projeto, deverá ser concluído até o fim deste ano e que o trabalho será estendido a toda Rede de Atenção Psicossocial de Belém, por meio do Colegiado HumanizaRaps, que reúne todos os Caps de Belém e a República Terapêutica de Passagem (RTP). “Os demais Caps estão se envolvendo aos poucos com o Projeto AcolheSUS para que seja expandido em toda a Rede e se torne referência no Brasil, como é a finalidade do projeto”, disse Guilherme.

O diretor do Caps Renascer, Luciano Pereira afirmou que o AcolheSUS já propiciou alguns avanços na Unidade, mas apontou o problema na dispensação dos medicamentos (ato de assegurar que o medicamento de boa qualidade seja entregue ao paciente certo, na dose prescrita, na quantidade adequada) como o mais urgente a ser solucionado porque está causando muitos transtornos aos usuários. “Além da descentralização, ficamos preocupados com o acolhimento desses usuários na rede básica de saúde, porque ainda existe muito preconceito por parte dos próprios trabalhadores de saúde em relação ao paciente de saúde mental. Mas isso também tem melhorado bastante com o projeto”, informou o diretor.

Luciano citou, ainda, o avanço na construção dos documentos internos. “Muitos tinham sido criados há cinco anos e precisavam de uma atualização, porque muita coisa que a gente inseriu na época, hoje não tem mais validade”, observou o gestor.  

Alexandre Anderson Melo, que é representante dos usuários do Caps Renascer no Projeto AcolheSUS, tem percebido algumas melhorias no processo de trabalho. “Eles têm dado atenção na forma como o usuário vê a prestação do serviço, principalmente, no que se refere ao atendimento e a medicação. Então, minha avaliação é positiva”. Para ele, o problema maior está no fornecimento de insumos para os profissionais trabalharem. “A gente chega para o atendimento, há profissionais, mas eles enfrentam dificuldade de realizar suas atividades por falta de alguns itens”, explicou Alexandre.

Para a técnica em enfermagem do Caps Renascer, Arline Astur, “Só o fato de nós estarmos pensando nesse processo e vendo de que maneira a gente pode melhorar o atendimento a esse usuário desde o acolhimento até a rede, já é de uma importância fundamental, porque a correria do dia a dia não estava permitindo que fizéssemos essa avaliação, portanto, está sendo muito proveitoso”, disse. Ela também citou os documentos internos do Caps, que estavam muito desatualizados. “O caminho é nos unirmos e nos fortalecermos para melhorar cada vez mais”, ressaltou a servidora.

A oficina, que se estende até esta quinta-feira (7), conta com a contribuição da pesquisadora do Laboratório de Avaliação de Situações Endêmicas Regionais (Laser), da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), Beth Moreira; da doutoranda em Saúde Pública da Ensp/Fiocruz, Celita Almeida; e da consultora técnica da CGPNH, Marília Palácio.

Segundo a pesquisadora Beth Moreira, o AcolheSUS tem uma programação muito adaptável à realidade local. No primeiro momento foi feita uma oficina que priorizou as ações locais. Depois, houve a identificação do modelo de como essas ações deveriam ser organizadas para que fosse alcançado o resultado esperado, ou seja, a modelização. E, em seguida, foi feita a escolha dos indicadores para acompanhá-las. “Então, neste exato momento, estamos fazendo a última validação do plano para se ter ideia de quanto isso custaria no mundo real para que o pessoal local se organize na captação do recurso. A partir de agora, a gente começa a intensificação dessas ações e a função da Ensp será o de acompanhamento da implementação, para ver como de fato essas ações estão ocorrendo em contexto”, informou a estudiosa. “Reforço muito que as ações já vinham acontecendo, mas não eram visíveis para a própria equipe com a clareza de hoje porque agora dispõe de um modelo para condução e melhor acompanhamento das atividades. Apesar do AcolheSUS ser um projeto que tematiza a humanização, ele é, em essência, um projeto de aprimoramento dos mecanismos de planejamento e monitoramento pode ser aplicado as outras áreas da Saúde Coletiva”, concluiu a pesquisadora.

 

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