Escola de Belém ganha seu terceiro prêmio com o projeto “Mini Tênis Inclusivo”

O desejo de incluir crianças com deficiência nas aulas de educação física e o compromisso com o reaproveitamento de materiais recicláveis, como giz, pneus usados, garrafas pets, tubos de PVC, fita adesiva e papelão, levaram o professor de Educação Física, Itair Medeiros, da Escola Municipal Terezinha Sousa, no bairro do Castanheira, a implantar em 2016 o projeto “Mini Tênis Inclusivo”, contemplado este ano com o segundo lugar no Prêmio Paratodos de Inclusão Escolar, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Esta é a terceira vez, desde 2015, que a escola recebe reconhecimento por iniciativas de inclusão educacional.

O “Mini Tênis Inclusivo” é desenvolvido uma vez por semana na quadra poliesportiva da escola e as atividades são realizadas com o apoio de todos os professores. Tratam-se de partidas de tênis que ocupam espaços menores na quadra e envolvem todos os alunos. Os materiais utilizados no projeto são confeccionados pelos próprios estudantes com utensílios recicláveis de vários tamanhos e cores. O objetivo é seguir as estratégias do tênis tradicional, só que de maneira adaptável às necessidades de cada aluno.

O professor e coordenador do projeto, Itair Medeiros, conta que o “Mini Tênis Inclusivo” competiu com outras excelentes iniciativas de inclusão escolar e afirma que está honrado em poder compartilhar mais uma vez do mérito da premiação com todos da escola que contribuem para que a iniciativa avance cada vez mais.

“Estou imensamente feliz pelo reconhecimento, pois é isso que também nos motiva a desenvolver cada vez mais projetos inclusivos, que despertam cada vez mais a solidariedade, a igualdade e o amor ao próximo”, revela. “Ver nossos estudantes trabalhando juntos, se ajudando e evoluindo coletivamente é a maior satisfação de um professor que prioriza a inclusão escolar”, completa Medeiros.

A iniciativa disputou com outros projetos da rede pública e privada de todo o Brasil e pode ser conferida no livro “Inovação em Sala de Aula”, da Unità Editora. O livro é motivo de orgulho para os 530 estudantes matriculados na unidade educacional e participantes do projeto, entre os quais 16 crianças com diagnóstico de deficiências intelectual e auditiva, paralisia cerebral, distúrbio de comportamento, hiperatividade, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e síndromes de Turner e de Down.

A aluna Leonara Gimenez, 10 anos, explica o quanto o projeto contribuiu positivamente na vida dela, trazendo novas experiências e desafios. “Eu achei esse trabalho muito bacana porque a gente aprende mais e os nossos colegas também. Eu tenho um colega na minha sala que é deficiente e quando eu tentava brincar com ele muita gente não deixava”, desabafa. “Agora com o projeto ele pode brincar e se divertir comigo e com os outros”, diz.

O projeto - O “Mini Tênis” inclusivo é resultado do Programa Portas Abertas para a Inclusão, desenvolvido na rede municipal desde 2015 por meio de parceria entre a Prefeitura de Belém, o Instituto Rodrigo Mendes, o Unicef e Fundação Barcelona, que é vinculada ao time espanhol homônimo.

Cada escola avalia a melhor forma de incluir alunos com qualquer tipo de deficiência na disciplina educação física. Pode ser por meio de novas metodologias de trabalho, como jogos cooperativos, ou com oficinas, palestras, atividades culturais e pedagógicas.

Reconhecimento - O projeto idealizado por Itair Medeiros hoje é exemplo nacional de como incluir estudantes com deficiência nas atividades escolares. E, agora, também será incluído em um livro produzido pela Secretaria Municipal de Educação (Semec) que vai relatar experiências pedagógicas que tiveram êxito na rede municipal de ensino. 

O livro está previsto para ser lançado no final deste ano letivo.

Comentários