Palestras sobre a comunicação no universo digital encerram Publicom 2018

O Encontro de Comunicação ocorreu na segunda (11) e terça-feira (12), no Teatro do Sesi, em Belém, e reuniu centenas de participantes. (Foto: MÁCIO FERREIRA/ AG. PARÁ)

“Pense sempre no conteúdo líquido. Seja líquido. Veja onde seu conteúdo consegue desembarcar”, afirmou Giuliano Chiaradia, gerente de conteúdo digital do SBT, durante palestra no Publicom 2018. O Encontro de Comunicação ocorreu na segunda (11) e terça-feira (12), no Teatro do Sesi, em Belém, e reuniu centenas de participantes.

Para o público, formado em sua maioria por estudantes, o comunicólogo passou dicas cruciais sobre o processo de produção de conteúdo. “Acho que quem cria conteúdo para rede social tem que se inspirar em gente. Você tem que conectar as pessoas. As pessoas têm que sentir que seu conteúdo é relevante, que faz sentido para elas, então eu me inspiro muito nas pessoas”, disse.

Durante o encontro com os jovens, Giuliano falou sobre a cultura do fã, que, para ele, faz parte da estratégia digital. O palestrante acredita que esse processo se dá por meio da empatia. “Ninguém fala melhor de uma marca do que um fã. Ninguém fala melhor de um time de futebol do que um fã, de uma banda de rock do que um fã. Então acho que a cultura do fã é um ponto estratégico”, pontua.

Com a temática de “Estratégia de conteúdo digital”, o palestrante falou ainda da importância de respeitar o DNA de cada plataforma, fundamental para garantir a transversalidade de conteúdos produzidos, que podem atingir, sim, todas as redes. “Aquilo que é para o Youtube tem que ter formato para o Youtube, o que é para o Facebook é do Facebook e sucessivamente. É muito importante que você respeite o ecossistema e o formato de cada um, porque assim você vai entender como as pessoas consomem conteúdo”, concluiu.

Revolução digital

O jornalista, historiador e escritor Pedro Doria também falou sobre o mundo digital, durante a palestra de encerramento da programação. Fundador da startup Meio, que resume todo dia os acontecimentos numa leitura de oito minutos, ele pincelou anos históricos, passou por momentos de transição da sociedade, sobre as mudanças para o atual regime democrático, as novas tecnologias, e também explicou o eixo que guia o canal de informações Meio.

“A gente está em um momento muito chave, que está muito favorável ao nascimento de novos veículos de comunicação no Brasil, de imprensa, no digital. A intenção do Meio é essa, tentar encontrar produtos que se encaixem nesse cotidiano digital. Como é que você consegue fazer jornalismo de qualidade que caiba nesse tempo das pessoas?”, indaga.

Dedicado a essa relação entre o digital e o jornalismo desde 1994, Pedro acredita que existe uma crise das grandes democracias do ocidente e isso ocasiona, invariavelmente, uma crise da informação. Como consequência disso, a importância do papel da imprensa. “E isso não é um trabalho apenas para a imprensa tradicional. Isso é um trabalho também para quem está nessa busca de como é que você produz imprensa para essa nova pessoa, esse novo cidadão”, questiona.

Pela primeira vez em Belém, ele fala que a sociedade mundial está vivendo uma revolução, e é sobre esses anos, que ele acredita variar de 20 a 50, que falou ao público. “A última vez que vivemos uma revolução foi na primeira Revolução Industrial, do século XVIII para o século XIX, que literalmente representou o final do antigo regime. Caíram reis, monarquias, nasceram repúblicas, democracias. A gente está prestes a embarcar em um período assim. O que a história nos diz é que de médio a longo prazo dá tudo certo e em geral a humanidade vai para um caminho melhor. Eu falo essencialmente sobre como foram essas transformações no passado e o que a gente consegue olhar em direção ao futuro e perceber de mudança acontecendo, não só envolvendo jornalismo, mas em tudo”, finaliza.

Estudantes foram maioria entre o público

Ruth Sepaul tem 23 anos e está concluindo o curso de comunicação social na Universidade Federal do Pará (UFPA). A estudante participou de todas as palestras desta terça-feira, segundo dia do evento, embora tenha vindo especialmente pela palestra ‘Desconstruindo estereótipos de raça na comunicação’, ministrada pelas comunicólogas Helaine Martins e Joana Mendes, da Idánimo Consultoria.

“Participo desde o ano passado. Ontem não pude vir, mas hoje gostei muito da palestra das meninas da Idánimo e do Petterson também, que traz um conteúdo bacana, de forma alegre e dinâmica. Eu vejo o Publicom como um evento importante tanto para o estudante quanto para quem está no mercado, porque você traz profissionais do mercado, estimula a discussão e a atualização das temáticas”, analisa.

Outra estudante participante do evento foi Wiliane Holanda, de 22 anos. Graduanda de comunicação social na Faculdade Paraense de Ensino (Fapen), ela conta como foi sua estreia no Encontro de Comunicação. “Participei dos dois dias, ontem de três palestras, hoje de duas. Como não tinha participando de nenhum antes, para mim está sendo tudo novidade”, afirmou, ressaltando que foi atraída para o Publicom pela palestra “Guia de Cobertura Jornalística sobre o Abuso e Exploração Sexual Infantil”, apresentada pela jornalista Luciana Abade, da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi).

Diversidade temática

A equipe que promove o evento, da Secretaria de Comunicação do Estado (Secom), afirma que este ano o Publicom teve um diferencial: a diversidade de assuntos tratados, com o objetivo de atender todas as áreas da comunicação. Além dos temas atuais, houve palestras sobre fake news, cobertura jornalística de eleições, jornalismo digital, etc.

“Também trouxemos o Mamilos Podcast, que é algo que tem movimentado muito a comunicação. Trouxemos nomes que são referência no Brasil, tivemos palestras sobre multiplataformas. Enfim, foi bem variado. Também tivemos algo muito bacana que fez muito sucesso, que foram os cases de comunicação. Citamos casos que podem ser seguidos como exemplo, o público teve uma recepção muito legal”, detalhou a jornalista Sônia Ferro, da organização do encontro.

Para os que não conseguiram participar do evento, as palestras poderão ser assistidas na íntegra na página da Secom no Facebook, graças a uma parceria com a TV Cultura. “Inclusive, podemos ter um retorno também de quem assistiu depois do evento pela página do Facebook para mensurar o alcance do Publicom”, concluiu Sônia.

Publicom

Criado em 2013, o Publicom é um Encontro de Comunicação voltado para profissionais e estudantes do Pará, um compromisso assumido pela secretaria de discutir a Comunicação em todos os cantos do Estado. Em 2018, o evento foi realizado no Teatro do Sesi, espaço inaugurado em outubro de 2017 e que fica em uma das principais vias de Belém: a Almirante Barroso.

A Secom já realizou o Publicom nos municípios de Belém (quatro edições), Altamira, Bragança, Breves, Marabá, Paragominas, Parauapebas, Redenção, Santarém e Xinguara, contemplando todas as macrorregiões paraenses. Até 2017, contabilizou a participação de cinco mil estudantes e profissionais. Nas três edições de 2018, já foram cerca de mil participantes.

Como evento paralelo ao Publicom, a Secom realizou no dia 12 o Encontro de Assessorias de Comunicação Pública, que reuniu assessores do Governo do Estado, prefeituras municipais do Pará, da Assembleia Legislativa e Câmaras Municipais, quando foram repassadas as regras do período eleitoral aplicadas para a comunicação institucional. O encontro foi mediado pelo secretário de Comunicação do Estado, Daniel Nardin, e o Procurador Geral do Estado, Ophir Cavalcante Jr.

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