Deputados remarcam acareação entre instituições de pesquisas oficiais e SGW

(Foto: Carlos Boução)

Os deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura danos ambientais na bacia hidrográfica do rio Pará convocaram para a próxima quarta-feira (20.06), a partir das 10h, a acareação entre pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA), Instituto Evandro Chagas (IEC), Centro de Perícias Renato Chaves (CPRC) e representantes da empresa SGW Services - contratada pela Hydro Alunorte para realizar a contraprovas dos laudos de instituições públicas que identificaram transbordamento das bacias de rejeitos, uso de dutos clandestinos e contaminação de rios e igarapés com substâncias tóxicas.

A acareação foi remarcada porque a convocada no dia 08 de maio foi cancelada porque a empresa norueguesa não ter trazido os técnicos da SGW, conforme o acertado e amplamente divulgado pelos meios de comunicação do Estado. “Os diretores, na ocasião, interpretaram que eram eles, Alunorte, que deveriam participar da acareação. No entanto, comunicaram que a SGW fora dispensada dos serviços contratados”, recordou o deputado Coronel Neil, presidente da CPI.

Na ocasião, o deputado determinou uma investigação paralela para saber por que os técnicos da SGW, que se encontravam nas dependências da Alepa para a acareação desapareceram. A suspeita era de uma estratégia para obstruir os trabalhos da Comissão. O deputado Carlos Bordalo foi quem pediu a providência. “Algo estranho ocorreu, os representantes da consultoria chegaram, sentaram, temos inclusive imagens do circuito interno de segurança registrando a presença deles e, portanto, houve alguma coisa que precisa ser averiguada depois que os diretores da Hydro chegaram”, informou na ocasião o parlamentar.

Dias depois, diretores da empresa comunicaram aos deputados que a SGW continuava a prestar serviços de consultoria à Alunorte. A acareação será realizada no auditório João Batista, na Alepa, com transmissão ao vivo pela Rádio e TV Alepa.

As convocações emitidas pela secretaria da CPI foram destinadas a pesquisadora e doutora Simone Pereira – Laboratório de Química Analítica Ambiental (LAQUANAN); doutores, Marcelo Lima, Antônio Marcos Miranda, e Bruno Carneiro, representando o IEC; ao diretor do CPRC, José Edmilson Lobato Junior, que deverá estar acompanhado dos técnicos responsáveis pela perícia ambiental empreendida na empresa. Por último, os prepostos nomeados pela empresa SGW que tenham conhecimento dos estudos, relatórios e análises pertinentes à empresa Alunorte.

Nos depoimentos dos responsáveis pela SGW Service, na oitiva ocorrida no dia sete de maio, a empresa foi representada pelos proprietários e pesquisadores Sidney Aluani e Rafael Carvalho. A empresa foi contratada pela Hydro por um valor de 195 mil reais.

17ª oitiva - Os deputados Coronel Neil e Carlos Bordalo, que na oitiva assumiu o papel de relator substituto, ouviram, na última quarta-feira (13.06), dois depoimentos: o de Leonardo Furtado, representante da Comunidade do Furo do Arrozal; e de Benedito Cabral, secretário municipal de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano de Barcarena. Outros dois depoimentos previstos não ocorreram. O de Paulo Sérgio de Melo Gomes, ex-administrador do Porto de Vila do Conde foi adiado e o de Marcos Mendes, assessor técnico da Prefeitura de Barcarena foi dispensado.

Benedito Cabral, secretário municipal de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano de Barcarena, detalhou a fragilidade do município em poder agir para antecipar e coibir os acidentes que ali se repetem desde 1993, já são mais de 22 acidentes catalogados. Somente a partir de 2015 que a prefeitura iniciou a regulamentação de instrumentos de licenciamento de obras. “O município já tem o código de obras, estamos no processo de finalização da lei de uso e ocupação do solo, já concluímos a lei de resíduos sólidos e estamos andando com a lei de mobilidade urbana que deve ser publicada nos próximos meses”, informou.

Para o secretário, que é engenheiro, o que ocorreu nas dependências da Hydro foi simples: ou foi subdimensionada ou houve falha na manutenção e operacionalização do sistema. A única afirmação que fez, já que não teve acesso ao processo que averigua o acidente, foi a de “que houve um acúmulo de água que não deu vazão no tempo suficiente”, disse. Ele ainda acredita que isto foi causado por falha na operação ou de falha de treinamento.

Para o deputado Carlos Bordalo, a fala do secretário corrobora com as hipóteses sugeridas pelos deputados da CPI. “O que houve ali pode ter sido ou uma falha técnica ou uma falha operacional ou as duas juntas, potencializando os fatores externos, contradizendo a versão da empresa, assumida, inclusive, pelo governo do Estado, que o evento teria sido potencializado devido ao volume exagerado ou excepcional de chuvas”.

O líder comunitário Leonardo confirmou, em seu depoimento aos deputados, as consequências da contaminação em sua comunidade e pediu para que algo seja feito para recuperar os danos nas comunidades atingidas pelos acidentes ambientais ocorridos em Barcarena. “Não presenciei estes acidentes, mas nós sentimos os efeitos na qualidade do ar, pessoas constantemente com problemas respiratórios. Devido a grande quantidade de elementos químicos que são jogados na atmosfera, na água e solo”, reafirmou. Para o deputado Coronel Neil, o depoimento confirma que, na quase totalidade das comunidades de Barcarena, é sentido os impactos provenientes dos empreendimentos instalados no Polo Industrial de Barcarena.

Leonardo detalhou o fenômeno de fuligem, uma cinza que caia em cima das casas, das plantações, que pra ele dizimou as produções de frutos, citando a pupunha, o açaí e outros, observado por ele desde quando remanejado para o Furo do Arrozal, para a construção do Complexo Industrial de Barcarena.

Outro acidente foi denunciado pelo líder comunitário: o afundamento de uma barcaça carregada de soja na entrada do Furo do Arrozal ocorrido 2014, de propriedade da empresa Bunge. “A produção afundada, com os dias, apodreceu e fez exalar um forte fedor de amônia, uma coisa muito sufocante, como sendo de um esterco de galinha que molha dentro de uma saca, de um tipo de uma pimenta do reino socada com cheiro forte, ardente, comparou. A Bunge é uma multinacional do ramo de alimentos, instalou-se em Barcarena em 25 de abril de 2014.

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