Hospital Jean Bitar investe no tratamento do diabetes

Diagnosticado com diabetes tipo 2 há 11 anos, o produtor de açaí Benedito Souza, de 72 anos, sofreu com algumas complicações, entre elas a doença arterial coronariana. Mas, ele se recuperou bem após se submeter a uma cirurgia, em 2006. Desde o ano passado, seu Benedito é atendido no Hospital Jean Bitar (HJB) pela equipe de endocrinologistas. De três em três meses é acompanhado por meio de consultas, exames e controle de medicações, além de receber orientações sobre atividades físicas e alimentação balanceada.

“Eles (os médicos) se preocupam com a gente. Sinto-me muito bem aqui”, disse Benedito. E nesta terça-feira, 26, quando é celebrado o Dia Nacional do Diabetes, a médica endocrinologista Flávia Siqueira Cunha, esclareceu vários pontos sobre essa patologia.

A diabetes é uma doença crônica caracterizada pela redução da produção de insulina e/ou pela redução da ação da insulina nos tecidos, gerando um excesso de glicose (açúcar) no sangue. São dois tipos de diabetes (1 e 2), embora existam também o diabetes gestacional e outras formas, mais raras, de diabetes.

O hospital público é referência no tratamento de diabetes. “A prevalência dessa doença no Brasil é estimada em quase 9%, sendo mais comum nas mulheres. No Pará, a prevalência é de 6,6%, um pouco menor do que a média nacional”, explicou a médica.

Segundo a especialista, a causa mais frequente do diabetes tem a ver com a predisposição genética da pessoa, mas os hábitos da vida diária são fatores considerados fundamentais para o desenvolvimento da doença. “Sendo assim, podemos listar como elementos determinantes nesse contexto o histórico de diabetes na família, o sobrepeso ou a obesidade, a pressão alta, o sedentarismo, as alterações do colesterol e dos triglicerídeos, a apneia do sono, a síndrome dos ovários policísticos, a história pessoal de diabetes geracional e o uso frequente de glicocorticoides”, enumerou.

Flávia Cunha destaca a diferença entre os dois tipos de diabetes. “O tipo 1 tem causa auto-imune, ou seja, o próprio organismo reage contra o pâncreas e destrói as células produtoras de insulina. No tipo 2, prevalece a resistência insulínica, isto é, o organismo produz a insulina, mas ela não é capaz de agir adequadamente sobre os tecidos jogando a glicose para dentro das células. Assim, a glicose se acumula no sangue em níveis elevados”, ressaltou. 

Na maioria dos casos, o diabetes não apresenta sintomas. Nos casos mais graves, o paciente apresenta sede e fome intensas, urina em excesso e perda de peso. Pode ocorrer também fadiga, desidratação e visão embaçada.

O diagnóstico da doença é realizado por meio de exames de sangue: glicemia de jejum maior ou igual a 126 mg/dl, em 2 ocasiões diferentes e/ou hemoglobina glicada maior ou igual a 6,5%, ou através do teste oral de tolerância à glicose, um exame que é feito no sangue após ingestão de um líquido adocicado à base de glicose (glicemia maior ou igual a 200 mg/dl 2 horas após a ingestão da solução de glicose), ou através de glicemia ao acaso maior que 200 mg/dl associada a sintomas de descompensação do diabetes, explicou a médica. 

A médica esclarece que após o diagnóstico, o paciente deve receber tratamento não medicamentoso, como orientações alimentares, estímulo a realização de atividade física, orientações sobre a importância da aderência ao tratamento e prevenção de complicações, como exame do olho, dos pés e da urina e, em alguns casos, tratamento medicamentoso, que deve ser individualizado. “O tipo de medicamento indicado depende de várias características do paciente, como o nível de glicose ao diagnóstico, o peso, as doenças prévias e, inclusive, as condições financeiras do paciente”, ressalta. 

Além de uma equipe multiprofissional especializada, os usuários do hospital têm ao seu dispor um método inovador de controle da doença. O Holter de Glicose que é um sistema de monitoramento contínuo anexado à pele do paciente. O método consiste na anexação de um sensor, que é instalado no tecido subcutâneo com a ajuda de um cateter, o qual fica conectado a um monitor, que, por sua vez, apresenta as medidas da glicemia do paciente em forma de gráficos.

A metodologia pode ser utilizada por todos os pacientes diabéticos, no entanto, a equipe médica está priorizando a indicação para os pacientes insulinizados, que necessitam de controle rigoroso da glicemia.

Com 70 leitos e com assistência de média e alta complexidade o Hospital Jean Bitar é referência estadual também para endoscopia digestiva, reumatologia, geriatria, pneumologia e clínica médica.

Os usuários do HJB contam com uma equipe de especialistas, estrutura, equipamento e tecnologias de ponta para realização de cirurgias de parede abdominal e gástrica, e ainda para cirurgias nas vias biliares e intestino.

A unidade hospitalar é um órgão público administrado pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).

Serviço:

O Hospital Jean Bitar fica na Rua Cônego Jerônimo Pimentel, Umarizal, em Belém. Mais informações: (91) 3239-3800.

Texto: Lázaro Guarani - Ascom INDSH/PA

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