Campanha Julho Amarelo começará com moradores da Ilha Grande

Para abrir a programação do mês que marca a luta contra as hepatites virais, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) fará no próximo domingo (1º de julho), na localidade Ilha Grande, na área insular de Belém, uma ação alusiva à Campanha Julho Amarelo. A partir das 09 h, a bordo do barco Luz da Amazônia III, da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), serão ofertados à comunidade local 200 testes para cada tipo de hepatite B e C, 100 consultas ginecológicas, 100 vacinas para prevenção de hepatite B, 100 vacinas contra a gripe e 50 exames de preventivo ao câncer do colo de útero (PCCU).

Segundo a coordenadora do Programa de Controle das Hepatites Virais da Sespa, Cisalpina Cantão, ainda haverá uma roda de conversa sobre a importância da prevenção das hepatites virais, que levaram à morte 221 pessoas no Pará entre 2015 e 2017.

Para mudar esse cenário, a Sespa realiza desde 2013 o Projeto Julho Amarelo, com o objetivo de intensificar as ações de prevenção e informação sobre as hepatites, além de oferecer a testagem rápida para o diagnóstico das hepatites virais B e C em diversos municípios paraenses. Todas as atividades são alusivas ao Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais - 28 de Julho.

As hepatites virais são inflamações do fígado causadas por cinco diferentes tipos de vírus: A, B, C, D e E. As hepatites B, C e D são transmitidas por sangue contaminado, relação sexual sem preservativo e da mãe infectada para o filho na hora do parto. As hepatites B e C são consideradas as mais graves porque podem evoluir para cirrose ou câncer de fígado. A hepatite D só ocorre em pessoas já contaminadas pelo vírus da hepatite B.

Já as hepatites A e E são transmitidas por água ou alimentos contaminados por fezes com os vírus, sendo que a hepatite A pode ser transmitida também por sexo oral sem preservativo.

Assintomáticas - Por serem doenças silenciosas, na maioria das vezes não apresentam sinais e sintomas. Porém, quando se manifestam, a pessoa pode apresentar fadiga, falta de apetite, enjoo, vômitos, urina escura, fezes esbranquiçadas, pele e olhos amarelados (icterícia), dor no estômago e diarreia.

Segundo Cisalpina Cantão, as hepatites virais representam um grave problema de saúde pública em todos os continentes. “Para ter ideia da gravidade da situação, a Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que existem 170 milhões de pessoas infectadas com hepatite C e 350 milhões com hepatite B em todo o mundo. Em 2018, de janeiro até agora, no Pará já foram notificados 12 óbitos por insuficiência hepática causada por hepatites virais”, informou a coordenadora. 

Ela informou ainda que, além de ações de caráter educativo e preventivo, a Sespa tem trabalhado a descentralização do diagnóstico e do tratamento. Hoje, além da Região Metropolitana de Belém, já é possível fazer o diagnóstico e ter acesso ao tratamento em Barcarena, Santarém, Marabá, Tucuruí , Abaetetuba e Parauapebas, municípios localizados nas regiões nordeste, oeste e sudeste do Pará.

Ações externas - Em 2018, as ações começaram no mês de maio, com testes realizados em diversas ações externas, nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTAs), Serviços de Assistência Especializada (SAEs), hospitais e Unidades Básicas de Saúde.

Em julho haverá ações em Belém, Bragança, Barcarena, Abaetetuba, Santarém, Marabá, Parauapebas, Cametá, Baião, Igarapé-Miri, Augusto Corrêa, Salinópolis, Peixe-Boi, Soure, Salvaterra e Acará, com intensificação nos municípios com balneários mais procurados pela população.

Para Cisalpina Cantão, os testes rápidos são importantes para o diagnóstico precoce das hepatites B e C, possibilitando o encaminhamento do paciente para realização de exames confirmatórios e início imediato do tratamento, se for o caso, uma vez que são doenças silenciosas – os sinais e sintomas, na maioria das vezes, só aparecem quando já estão em estágio avançado. “Os pacientes com resultado positivo são encaminhados para consulta médica de acordo com o fluxo estabelecido pelo município”, informou a coordenadora.

A programação inclui a distribuição de panfletos educativos, estimulando a população a ter cuidado com a ingestão de alimentos e água, realizar a testagem rápida para hepatites B e C  e tomar a vacina para hepatite B, além da distribuição de preservativos masculinos, já que a hepatite B também pode ser transmitida pela relação sexual, sendo considerada uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST).

Prevenção - As principais medidas preventivas contra as hepatites B, C e D são: evitar contato com sangue, não compartilhar objetos perfurocortantes; usar material individual e esterilizado em tatuagens, piercings e serviços de manicure, e usar preservativo em todas as relações sexuais. As gestantes também devem fazer o teste no pré-natal e tomar as três doses de vacina para hepatite B, se ainda não foram imunizadas.

Para evitar as hepatites A e E as principais medidas preventivas são: lavar as mãos após usar o banheiro, trocar fraldas, antes de comer ou preparar alimentos; lavar frutas e verduras com água tratada, clorada ou fervida; cozinhar bem os alimentos, principalmente mariscos e carne de porco; não tomar banho ou brincar em valas, riachos, enchentes ou perto de onde haja esgoto a céu aberto.

Há vacina contra a hepatite B disponível nos postos de saúde para pessoas de todas as idades, e também vacina contra a hepatite A para crianças de 12 meses até cinco anos. Quem toma vacina contra a hepatite B fica protegido com a hepatite D. Ainda não existe vacina contra a hepatite C.

Além do apoio dado pela SSB com o barco Luz na Amazônia, a ação na Ilha Grande terá a colaboração dos médicos David Bichara e Léa Araújo, e das ligas acadêmicas de Biomedicina e Liga Acadêmica e de Saúde da Mulher.  (Com a colaboração de Roberta Vilanova).

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