Pré-Natal do Parceiro pode ser porta de entrada para os homens no SUS

O evento contou com a participação de representantes dos Centros Regionais de Saúde e dos municípios da Região Metropolitana de Belém, além de coordenações estaduais de outras Políticas de Saúde (Foto: JOSÉ PANTOJA / ASCOM SESPA)

A Estratégia Pré-Natal do Parceiro (EPNP) pode ser considerada uma importante porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) para a população masculina, pois ao acompanharem suas mulheres ou companheiras na consulta do pré-natal, os homens serão abordados por profissionais de saúde e, da mesma forma que as mulheres, terão acesso a consultas, exames e a todos os serviços ofertados pela Rede Pública de Saúde. Essa foi uma das constatações feitas pelo coordenador nacional de Saúde do Homem do Ministério da Saúde, Francisco Norberto Moreira da Silva, que veio a Belém, apresentar a Atualização da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH) instituída pela portaria 1944 de 27 de agosto de 2009. A apresentação foi feita, na quinta-feira (28), no auditório da Escola Técnica do SUS (Etsus), durante oficina organizada pela Coordenação Estadual de Saúde do Homem.

Com o objetivo de avaliar os avanços e dificuldades no processo de implantação da PNAISH nos municípios paraenses, o evento contou com a participação de representantes dos Centros Regionais de Saúde e dos municípios da Região Metropolitana de Belém, além de coordenações estaduais de outras Políticas de Saúde. “Viemos iniciar o processo de articulação para pensar como potencializar e capilarizar as ações de Saúde do Homem dentro do estado e municípios, e reforçar a importância do uso dos materiais produzidos pela Coordenação Nacional de Saúde do Homem”, informou o coordenador nacional.

O coordenador estadual de Saúde do Homem, Carlos Alexandre Carvalho Coelho, disse que nesse primeiro momento, está sendo feito um realinhamento da PNAISH. “Vamos traçar metas para o próximo semestre, assim como integrar o Programa Estadual a todos os demais programas de saúde tanto no âmbito estadual, com aproximação das Coordenações Estaduais, como no nível municipal, dando destaque ao Pré-Natal do Homem e a Paternidade Ativa, que são os carros-chefes da Política Nacional de Saúde do Homem”, explicou Carlos Carvalho. “Queremos o pré-natal masculino para associar a saúde da mulher grávida com a saúde do homem, e assim, ter uma família mais saudável”, observou o coordenador estadual.

Carlos Alexandre disse, ainda, que o objetivo da oficina foi ampliar o conhecimento sobre a Política Nacional e ver, juntamente com as coordenações estaduais e municipais dos diversos programas de saúde, de que maneira ela pode ser inserida no Pará, considerando as realidades e peculiaridades de cada município, assim como a cultura, costumes e comportamentos de cada comunidade e indivíduo.

Acesso ao SUS

Tendo como eixos o acesso e acolhimento, prevenção de violência e acidentes, paternidade e cuidado, saúde sexual e saúde reprodutiva, e doenças prevalentes na população masculina, a finalidade da PNAISH é facilitar e ampliar o acesso com qualidade da população da população masculina às ações e aos serviços de assistência integral à saúde na Rede do SUS.

Francisco acredita que a ida do homem à Unidade de Saúde como acompanhante da sua mulher é uma oportunidade que deve ser aproveitada pela equipe de saúde para inseri-lo não apenas na Estratégia Pré-Natal do Parceiro, mas em todos os serviços que forem necessários. Daí a importância de a Política Nacional de Saúde do Homem trabalhar de forma integrada com todas as demais Políticas de Saúde, como Saúde da Criança, Saúde da Mulher, Saúde do Adolescente, Saúde do Idoso, Saúde Indígena, Hepatites Virais, IST/Aids e muitas outras políticas que fazem parte do SUS.

Para isso, é fundamental que os profissionais estejam capacitados para fazer essa abordagem, já que a população masculina costuma ser resistente ao autocuidado. “Os profissionais precisam conhecer bem a Política Nacional de Saúde do Homem e estar aptos a fazer um acolhimento humanizado e com qualidade”, disse o coordenador nacional.

A atualização da PNAISH teve como base reflexões sobre os principais fatores de adoecimento e morte dos homens, que atingem diferentes faixas etárias, ou seja, violências e acidentes, suicídios (jovens); o recorte de raça/etnia (homicídios de jovens negros); uso abusivo de álcool e outras drogas (jovens e adultos); infecções sexualmente transmissíveis e HIV/Aids (jovens e adultos); doenças crônicas não transmissíveis (adultos e idosos), e cânceres (idosos).

“Essas reflexões levaram à necessidade de revisão da PNAISH para que pudesse proporcionar uma maior abrangência e transversalidade da Política com outras Políticas de Saúde e ações intersetoriais, e com isso estabelecer estratégias que incluam prevenção e promoção da saúde, considerando também os determinantes sociais e as vulnerabilidades a partir das masculinidades”, detalhou o coordenador nacional.

Pré-Natal do Parceiro

Inserida no eixo Paternidade e Cuidado, essa estratégia visa a envolver o homem em todo o processo de planejamento reprodutivo, gestação, parto, puerpério e desenvolvimento da criança, integrando-o nos cuidados com a saúde, ou seja, além de dividir com a mãe a responsabilidade pelos cuidados com o filho, o pai passará a ter também um acesso melhor para cuidado com sua própria saúde.

Segundo Francisco, por meio da EPNP, o homem terá acesso às consultas de pré-natal, exames de rotina, testes rápidos, aferição de pressão arterial e verificação das medidas antropométricas, atualização do cartão de vacina, participação nas atividades educativas e será incentivado a participar do parto e ter cuidados com a criança.

Entre as ações desenvolvidas pela Coordenação Nacional de Saúde do Homem para implementar essa estratégia, Francisco citou o lançamento do Guia do Pré-Natal do Parceiro, destinado aos profissionais de saúde, e do Guia de Saúde do Homem para Agentes Comunitários de Saúde; a realização de oficinas de capacitação em diversos estados brasileiros; e criação de dois cursos online: “Promoção do Envolvimento do Homem na Paternidade e no Cuidado” voltado para profissionais de saúde e “Pai Presente: cuidado e compromisso” voltado para a população em geral. Outra medida importante foi incluir um espaço para o Pré-Natal do Parceiro na Caderneta da Gestante, com vistas a transformá-la em Caderneta do Pré-Natal; e inclusão da consulta do Pré-Natal do Parceiro na tabela de procedimentos do SUS.

Francisco destacou, ainda, a importância do Marco Legal da Primeira Infância para a implementação EPNP porque assegura direitos aos homens que contribuem para o seu maior envolvimento com a paternidade como o direito de licença paternidade de 20 dias para funcionário de empresas vinculadas ao Programa Empresa Cidadã; direito de faltar ao trabalho por até dois dias para acompanhar consultas e exames durante a gravidez; e o direito de faltar ao trabalho um dia por ano para acompanhar filho de até seis anos de idade em consulta médicos.

E tem ainda a Nota Técnica Conjunta XX/2017 do Ministério da Saúde que traz recomendações que regulamentam a participação do homem em programas ou atividades de orientação sobre paternidade em relação ao Marco Legal da Primeira Infância, assegurando ao homem o certificado do curso “Pai presente: cuidado e compromisso”, e que os profissionais de saúde possam conceder uma declaração de comparecimento aos homens que realizarem o Pré-Natal do Parceiro, participarem de atividades educativas desenvolvidas durante o pré-natal, visitem a maternidade onde acontecerá o parto para vinculação do casal; e o homem tenha direito ao certificado do curso “Pai presente: cuidado e compromisso”.

“A gente precisa mudar essa cultura de que o homem quando vem se cuidar está sendo frágil. Na verdade, ele está sendo forte, cuidando dele, ele está cuidando da mulher cuidando da família. Então, se eu tenho equipes de Saúde Família, o cuidado da equipe de Saúde da Família também que tem que ser voltado para o homem”, enfatizou Francisco.

Concluindo, ele disse que é importante que cada estado descubra e utilize as estratégias que melhor se adequam à sua realidade. “Muitos estados estão usando programas de rádio, redes sociais, realizando eventos e rodas de conversa para informar e envolver a população masculina com os temas relacionados a saúde do homem. São fundamentais parcerias com empresas e instituições para que a gente possa avançar e potencializar as ações”.

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