Pará define equipe para etapa nacional dos Jogos Paralímpicos

O estudante Arthur Leão, 12 anos, da equipe de paratletismo de Barcarena, município da região do Baixo Tocantins, faz jus ao nome. Ágil como o felino rei das selvas e guerreiro como o lendário monarca da Bretanha, o rei Arthur. Na disputa pela vaga na categoria 65 metros,  o menino mostrou total determinação. "Eu vou correr muito rápido", repetia, antes da prova.

As deficiências física e intelectual não pareciam existir quando o menino iniciou a corrida. Naquele momento, Arthur era um atleta pronto para vencer não só a prova, mas principalmente suas limitações. E Arthur Leão foi o mais rápido na pista, garantindo a medalha de ouro que havia prometido para a mãe, Lívia, e a vaga na seleção paraense que irá a São Paulo (SP), entre os dias 19 e 24 de novembro deste ano, participar do maior evento escolar de esporte adaptado do mundo, que recebe atletas em 10 modalidades esportivas.

Veloz na pista, Arthur contou que sua atividade preferida é estudar. Mas se tornou um legítimo representante da força e da garra dos 120 atletas paralímpicos que participaram, em Marabá (sudeste paraense), no período de 27 a 29 de junho, da XI edição dos Jogos Paralímpicos Estudantis Paraenses.

Na competição houve partidas de goaball, bocha, tênis de mesa, atletismo e natação. O evento é promovido pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc), por meio do Núcleo de Esporte e Lazer (NEL). Conceição Felgueiras, coordenadora da competição, fez uma avaliação positiva dos Jogos Paralímpicos, realizados pela primeira vez fora de Belém, mobilizando mais de 270 pessoas diretamente, entre dirigentes, técnicos e acompanhantes dos paratletas.

"Todos os paratletas participantes são vencedores. Além da competição, eles tiveram um momento para socializar e confraternizar, pois eram participantes de vários municípios do Estado. O evento ainda cumpriu a missão de sensibilizar o poder público local sobre a importância do incentivo ao esporte paralímpico", ressaltou a coordenadora.

Modalidades - Somente no atletismo foram quase 70 participantes. Além da corrida, eles participaram de arremesso de dardo, peso e salto em distância. Na sexta-feira (29) também houve disputas de bocha, esporte destinado a pessoas com paralisia cerebral e outros problemas neurológicos, que requer concentração, controle muscular e muita precisão.

A competição consiste em lançar bolas (vermelhas ou azuis) o mais próximo possível da bola branca. Técnica que Lucas Coutinho, 14 anos, de Barcarena, aperfeiçoa há mais de quatro anos. Medalha de bronze na etapa nacional dos Jogos em 2017, ele segue representando o Pará este ano.

A mãe de Lucas, Fernanda Melo Coutinho, acompanha o menino em todas as competições. "A vida do meu filho se transformou a partir do momento que ele começou a praticar a bocha. Ele ficou muito mais feliz. Adora conversar e diz que nunca quer parar de treinar. Eu recomendo esse esporte para todas as crianças com deficiência igual à deles", frisou.

Das partidas de bocha participaram 15 paratletas, dos quais seis vão representar o Pará na etapa nacional, três na categoria A (12 a 14 anos) e três na categoria B (15 a  17 anos).

Disputa acirrada - Na natação a disputa também foi acirrada. Vinte paratletas participaram de quatro provas para definir os melhores índices e garantir vaga na competição nacional. Entre atletas bi e tricampeões na competição também havia os iniciantes, que além da deficiência precisaram superar o nervosismo.

Estefany Duarte, 12 anos, aluna da Escola General Gurjão, localizada no Bairro Cidade Velha, em Belém, completou a primeira das três provas, mas não conseguiu segurar a emoção para continuar na disputa. "A maior vitória dela foi ter vindo para a competição. Ela ama o esporte e ainda está na fase de escolher com qual se adapta mais. Essa oportunidade de vir para a competição foi fantástica. Pela primeira vez ela conviveu três dias diretos com outras pessoas com deficiência. Fez amigos e conheceu o mundo dos esportes paralímpicos. Essa experiência não tem preço", disse Daniele Duarte, mãe de Estefany. Com deficiência visual desde o nascimento, a partir dos três meses de idade a menina é atendida pelo Instituto Álvares de Azevedo.

Participaram das provas de natação paratletas de Belém, Barcarena, Abaetetuba e Marabá. As vagas de goaball e tênis de mesa foram definidas no último dia 27. No goaball venceram as partidas, na categoria masculino e feminino, estudantes da Unidade Especializada Álvares  de Azevedo, da capital. No tênis de mesa venceram a etapa estadual atletas de Belém, Moju e Marabá.

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