Acareação confronta laudos

A acareação entre os pesquisadores da Consultoria SGW Service - empresa contratada pela empresa Hydro Alunorte para auditar seus procedimentos ambientais e fazer contraprova ao episódio ocorrido nos dias 16 e 17 de fevereiro em Barcarena - o Instituto Evandro Chagas e Universidade Federal do Pará foi realizado na última quinta-feira (28.06) no auditório João Batista da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa).  

 A acareação, promovida pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os danos ambientais na bacia hidrográfica do rio Pará, ocorreu ainda na presença de peritos do Centro de Perícias Renato Chaves, equipe composta pelo diretor e mais cinco peritos. Durante os questionamentos, informaram, no entanto, que os laudos periciais solicitados ainda estão em fase de conclusão.

A Hydro é acusada de prática continuada de crimes ambientais em Barcarena. Os representantes da consultoria SGW Service voltaram a negar que tenha ocorrido vazamento, transbordamento e fuga de materiais tóxicos dos rejeitos de bauxita e seus efluentes, fruto do processo industrial da empresa, que realiza o refinamento de alumina.

Os deputados da CPI puderam, durante quase quatro horas da acareação,  confrontar as versões e tirar inúmeras dúvidas do que poderia ter ocorrido após intensas chuvas de fevereiro e avaliar procedimentos e condutas.

A CPI foi instalada após a denúncia de vazamento e tem o escopo ainda de apurar danos ambientais causados pelas empresas instaladas no Polo Industrial de Barcarena, mais precisamente na bacia hidrográfica do rio Pará. O rio Pará é considerado um dos mais importantes rios do Estado, cuja capital é Belém, facilitando a navegação fluvial e o potencial hidro energético.

Segundo Andrea Aluani, sócia diretora da SGW, não houve transbordamento de resíduos de metais tóxicos e contaminação. “Não observamos registros visuais de transbordamento de rejeitos, comprovado pela análise química de amostras de água coletadas na região”, disse. Para ela, tanto as águas do Rio Pará, quanto do Murucupi não apresentavam metais pesados como chumbo, níquel e arsênio em concentrações acima permitido pela legislação. Quanto às altas concentrações encontradas de ferro e alumínio, Aluani disse que não era possível afirmar se a concentração era decorrente dos resultados das atividades industriais ou das características naturais da região.

Já o pesquisador do Instituto Evandro Chagas, Marcelo Oliveira, contraditou todo o discurso dos pesquisadores da SGW. “Existem evidencias claras de ter havido transbordamento através de análises químicas e imagens fotográficas feitas pela nossa equipe”, disse. Ele confirmou a presença na região de vários elementos químicos acima do que é previsto na legislação brasileira, como o alumínio e ferro em quase todos os pontos, chumbo, arsênio e cromo em alguns locais e alterações por mercúrio e outros elementos.

A coordenadora do Laboratório de Química Analítica da Universidade Federal do Pará, Simone Pereira, considerou que não podia comparar esses dois relatórios. “Primeiro porque o do Evandro Chagas foi feito dez dias depois do vazamento, enquanto que o da SGW fez coleta mais de um mês depois”, explicou.

A professora Simone Pereira realizou pesquisas entre 2012 e 2014 e reafirmou que a contaminação é presente. “A conclusão geral do nosso estudo, feito em 26 localidades, é de que há contaminação da água, principalmente com alumínio, fósforo e chumbo, estes dois últimos elementos altamente cancerígenos, identificados em níveis superiores aos previstos na legislação brasileira”, disse.

Para o relator da CPI, deputado Celso Sabino, a acareação permitiu um avanço no trabalho de investigação. “Tem ficado cada vez mais claro, nítida a ocorrência de um poderoso crime ambiental que vem prejudicando toda a região ao longo de muitos anos”, disse. Ele acrescentou que até nos indicadores da SGW foram encontrados índices de metais pesados de até sete vezes a mais do que é permitido. “Foi constatada a presença de alumínio na nascente do rio Murucupi”, exemplificou.

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