Exposição e cinema estão na programação da Fundação Cultural do Pará em julho

O arquiteto e artista visual Alexandre Dantas abre, hoje, 3, às 19h30, a exposição “Face a Face” com 20 telas de pintura, algumas em grandes dimensões na Galeria Theodoro Braga da Fundação Cultural do Pará (FCP).

Com o trabalho, o artista faz um convite ao diálogo entre arte e espectador. “Pelas obras procurei expor meu consciente e o subconsciente, provocando o observador a desvendar meus pensamentos e reflexões sobre as pessoas e seus momentos, através de expressões ou intervenções nos rostos de anônimos”, pontua Alexandre Dantas.

A exposição marca 10 anos da produção do artista, sendo 5 dedicados profissionalmente à pintura. A mostra foi contemplada no Prêmio Seiva no Edital Pauta Livre de 2018.

Segundo ele, o figurativo, mais precisamente os retratos, “continuam presentes em minhas exposições por eu acreditar no poder das imagens e o impacto visual que se pode obter ao explorar esse tema. As expressões cativam, incomodam, nos fazem refletir, e para provocar mais essa interação, optei por não dar títulos aos trabalhos e deixar que cada espectador compreenda da sua maneira alguma mensagem subentendida nas telas, sem se ater ao pensamento do artista”, explica o artista visual.

Em relação às obras expostas, cada imagem tem sua história não revelada. Porém a maioria são reflexões dos dia a dia, de momentos atuais, do passado, fruto de observações do cotidiano do artista. “Transmitir isso pelos retratos, utilizando-se várias técnicas e/ou estilos de pintura, torna-se interessante, seja com realismo, impressionismo, abstrato ou até mesmo com o surrealismo, entre outros, tudo muitas vezes aplicados em um único trabalho. Procuro fazer com que cada imagem tenha uma personalidade e que o espectador sinta a necessidade, ou curiosidade, de tentar desvendar sua mensagem”, comenta.

A exposição “Face a face” é uma síntese das técnicas utilizadas pelo artista desde a sua primeira exposição individual em 2009 “O toque da luz”, passando por “Outros caminhos” em 2013, “Espontâneos” em 2014. Todas sempre procurando novos resultados. Alexandre Dantas acrescenta ainda que desta vez optou pela predominância do preto e branco na maioria das telas, “apenas trabalhando com cores em alguns momentos para evidenciar um detalhe ou fundo, talvez seja meu lado de fotógrafo falando alto novamente”, comemora.

Cine

A programação da FCP também terá sessões de cinema, como na quinta-feira, 5, às 18h30, quando será exibido o filme de ficção e documentário, “Ex-Pajé”, escrito e dirigido por Luiz Bolognesi, que estreia no Cine Líbero Luxardo. A produção de 2018 aborda a história de Perpera, que foi forçado a abrir mão de sua função como pajé com a chegada da igreja na sua tribo indígena.

Perpera viveu na floresta sem contato com os brancos até os 20 anos de idade. Era um pajé poderoso. Após o contato do povo Paiter Suruí com o homem branco, em 1969, ele foi acusado pelo pastor evangélico de ter parte com o Diabo e constrangido a se tornar um zelador da igreja Evangélica, renunciando aos seus poderes de pajé. Mas quando alguém da aldeia vê a morte de perto, seus poderes de falar com os espíritos ainda podem ser valiosos.

A intolerância religiosa e o etnocídio são os principais temas abordados por Luiz Bolognesi. O documentário traz o lamento do povo, principalmente com a destituição do cargo de pajé de Perpera, que passa a ser temido por todos. O diretor utiliza de elementos visuais e sonoros para compor os sentimentos do ex-pajé para o telespectador, apresentando uma fotografia melancólica da natureza e de seus sons, desde o vento batendo nas folhas das árvores até os insetos andando pela floresta.

Perpera é um símbolo que representa várias outras tragédias culturais que existem no Brasil desde 1500. Com uma equipe de cinco pessoas, o filme foi feito em uma linguagem híbrida, ora com momentos reais em flagrantes, ora com cenas gravadas baseadamente nas histórias contadas. Luiz Bolognesi já é conhecido por seus roteiros de longas famosos, como Bingo – O Rei das Manhãs (2017) e Elis (2016).

“Ex-Pajé”, premiado com o prêmio especial do Júri Oficial de Documentários da Mostra Panorama do Festival de Berlim 2018, alerta sobre a luta contra a intolerância. O filme estará dentro das sessões regulares do Cine Líbero Luxardo, localizado no Centur. Entrada franca.

Serviço: Exposição “Face a Face” até o dia 27 de julho, no horário de 9h às 18h na Galeria Theodoro Braga, subsolo do Centur. Exibição do filme “Ex-Pajé”, no Cine Líbero Luxardo. De 05 a 08 e 11 de julho de 2018, às 18h30. Preço: Inteira: R$ 12 Meia: R$ 6

Colaboração (texto): Pedro Gonçalves

 

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