CPI ouve diretor da Hydro que participou da decisão de usar canal não autorizado

Os deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) apuram a ocorrência de danos ambientais na bacia hidrográfica do rio Pará, a partir do acidente nas dependências da empresa Hydro Alunorte, atestados por laudos do Instituto Evandro Chagas, ouviram na última segunda-feira (07.08), no auditório João Batista, o diretor industrial da Hydro Alunorte, Robson Holanda e o diretor do Sindicato dos Químicos de Barcarena, Manoel Paiva.

A 19ª oitiva foi coordenada pelo deputado Coronel Neil, presidente da CPI e com as presenças dos deputados Celso Sabino (relator) e Carlos Bordalo (membro titular). 

“Tivemos sim que fazer uso de lançamento de água da chuva em um canal reserva”, declarou Holanda em seu depoimento, revelando que tiveram, no dia 16 de fevereiro, que usar este expediente devido à chuva excepcional ocorrida com incidência em 12 horas, o equivalente a um mês inteiro. O diretor da Hydro, disse ainda que a decisão do uso do canal, que estava obsoleto, foi colegiada entre ele e mais três diretores, que foram no depoimento identificados.

O canal reserva, ou canal velho, utilizado pela empresa não tem autorização do órgão ambiental para funcionar, neste caso a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), que na oportunidade expediu um auto de infração pela irregularidade. “Está bem caracterizada a utilização do canal velho da empresa e o diretor nos informou que foram usados mais de uma vez”, disse o deputado Sabino. Para ele, a situação é preocupante porque o que é lançado no canal velho não sofre tratamento nenhum. “O canal velho é utilizado quando a empresa não dá conta de drenar toda a água que banha seus rejeitos, seus efluentes e isso nos preocupa muito”, acrescentou.

O diretor do Sindicato dos Químicos foi convocado pelos deputados da CPI a pedido da própria representação sindical. Ele informou da preocupação com a garantia de empregos dos trabalhadores. A Hydro está com sua produção suspensa em 50%, devido determinação judicial. Para ele, ainda não ocorreram demissões em Barcarena porque a diretoria do sindicato obteve liminar na justiça, mas que a sentença será julgada no dia 25 de outubro.

Segundo Manoel Paiva, foram 120 trabalhadores que tiveram seus contratos suspensos em Paragominas e a Albrás anunciou férias coletivas. Ele pediu apoio para a suspensão do embargo e que ele seja em apenas 20% de sua capacidade produtiva. O diretor sindical responsabiliza o Ministério Público Federal e Estadual e ainda o Ibama e Semas pelo embargo e pelo clima de insegurança, com o ‘fantasma do medo’ existente entre os trabalhadores. “Os trabalhadores não são responsáveis pelo acidente”, disse.

“O diretor sindical fez uma apresentação com um relato histórico de outros vazamentos ocorridos na região e puderam ter acesso algumas fotografias e vídeos desta CPI, do acervo da comissão, e puderam se certificar do comprometimento e da seriedade do trabalho dos parlamentares”, disse Sabino. 

Agenda - Os deputados da CPI irão, nesta quinta-feira (09.08), visitar as dependências da mina de Bauxita da Mineração Rio do Norte em Oriximiná. A mina está localizada a 30Km ao sul da vila de Porto Trombetas, município de Oriximiná e que começou a ser explorada em 1979.

Após a visita a Oriximiná, os deputados da CPI devem realizar  mais duas oitivas nos dias 13 e 24 de agosto. Na última, os deputados esperam ouvir o presidente mundial da Hydro Alunorte, Svein Richard Brandtzaeg. Para o dia 20 de agosto está sendo organizada uma reunião aberta com testemunhas e representantes de comunidades que não tiveram oportunidade de manifestar opinião nas oitivas. Após isso, o relator da CPI, deputado Celso Sabino, fechará seu relatório, que será submetido a decisão dos demais membros da CPI.

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