Romaria Poética enche as ruas de Belém de música, literatura e teatro

Quem passou pelas principais ruas do bairro da Cidade Velha, em Belém, na noite desta terça-feira, 9, foi surpreendido pela Romaria Poética. A sexta edição do cortejo cultural que ocorre anualmente às vésperas do Círio de Nossa Senhora de Nazaré reuniu manifestações literárias, musicais, poéticas, de teatro e de dança. Dezenas de fiéis participaram.

“Eu sempre tive a parceria da Biblioteca Municipal Avertano Rocha e conversando com a bibliotecária falei da necessidade em levar a poesia para as ruas da nossa cidade”, disse o escritor e coordenador do evento, Rui do Carmo. “Foi então que tive a ideia de levar o projeto em romaria como parte desta festa religiosa, já que para mim faltava algo mais representativo da cultura regional no Círio”, disse Carmo.

Esta é a sexta edição do projeto “Romaria Poética”, que é realizado em parceria com a Prefeitura de Belém, por meio da Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel), e vem ganhando espaço na capital e conquistando adesões. Estudantes da Escola Estadual Barão de Igarapé-Miri participaram pela primeira vez da iniciativa: 60 adolescentes saíram da unidade de educação, localizada no bairro Guamá, para prestigiar e acompanhar o cortejo que teve início às 20h, em frente ao Palácio Antonio Lemos, na praça Dom Pedro II.

Enquanto prestava atenção em cada detalhe da ornamentação e nas vestimentas dos personagens da Romaria Poética, a aluna Maria Alves, de 22 anos, afirmou que tudo era uma grande novidade. “Esta é a segunda programação do Círio que participo pela minha escola este ano, mas aqui está sendo diferente, pois tem muita poesia e esse é um grande incentivo à leitura”, disse.

Uma das muitas poesias declamadas na abertura anunciava: “Essa boiuna de fé, que se arrasta entre as mangueiras, é a procissão dos fiéis de Nossa Senhora da Ribeira”. A poesia, assinada por Rui do Carmo, já ganhou melodia e recebeu homenagens do Coral de Música da Universidade da Amazônia (Unama), regido pelo professor José Maria Bezerra.

A Romaria foi organizada por estações marcadas por paradas para apresentações dos grupos culturais, que se concentravam em frente aos patrimônios históricos do percurso, como o Palácio Lauro Sodré, as Igrejas da Sé e de Santo Alexandre e o Forte do Castelo.

A primeira estação foi marcada pela apresentação do Gran Coral Metropolitano, que contagiou o público com a “Ave Maria” de Jaime Redondo e Vicente Paiva. Já a segunda estação foi representada pelo Grupo Folclórico Iaçá, que envolveu os participantes em uma roda de cores e ritmos animada pelo carimbó e o xote.

O arrastão cultural prosseguiu com as crianças do projeto “Boi Bumbá Misterioso”, da ilha de Caratateua, distrito de Outeiro. Caracterizado de boi, Luan de Souza, 6 anos, não perde um ano da Romaria. “Eu estou feliz por estar aqui mais uma vez”, disse Luan, que estava acompanhado da mãe, a doméstica Maria do Socorro, 39, que seguia o percurso cheia de orgulho.

Outra atração da noite foram as girandeiras de papel, do projeto “Biblioteca Itinerante Bombomlê”, criado e desenvolvido pelas arte-educadoras Cris Rodrigues e Rita Melo. Cada volta completa em círculo significava um sentimento, como o da paz e do amor.

A diretora de Ações Culturais da Fumbel, Silvia Lovaglio, explicou que a Romaria Poética é um evento multicultural e que engloba diversas linguagens artísticas. “Este é mais um momento em que podemos despertar na sociedade a valorização dessa junção de expressões e elementos culturais”, explica. “Temos alcançado esse objetivo quando observamos a Romaria como um dos eventos mais aguardados e comemorados pela população”, disse Silvia.

Feliz por ter participado desta edição do projeto pela primeira vez, o professor de história Raimundo de Oliveira, 51, elogiou o projeto e a parceria que recebe. “Na escola em que trabalho nós despertamos nos alunos o gosto pela leitura e pelo teatro, e essa visibilidade cultural é fundamental para que cresça a autonomia intelectual desses jovens”, afirmou.

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