Consumidor é aliado da Prefeitura na fiscalização da qualidade do açaí

O açaí faz parte de todas as refeições da dona de casa Lúcia Souza, 54 anos, moradora do bairro do Telégrafo. Diariamente, ela vai ao ponto de venda de açaí próximo da sua casa comprar o produto para consumo da família. No local, ela observa todo o ponto, atenta principalmente à higiene. “Entre preço e higiene, para mim, o mais importante é o ambiente estar limpinho. Aqui o açaí é gostoso e todo mundo em casa consome”, conta.

O ponto a que se refere Lúcia pertence ao marítimo Ronaldo Cabral, 58, que há quase dois meses resolveu investir na comercialização do fruto mais amado dos paraenses. A Toka do Açaí é um comércio pequeno, porém organizado e quase 100% adequado às normas vigentes. Logo na primeira vistoria feita pelo Departamento de Vigilância Sanitária (Devisa), o espaço foi elogiado pela equipe, que apenas deixou um termo de adequações para que o proprietário faça ajustes no ambiente e se candidate ao selo de qualidade “Açaí Bom”, que é um sinalizador para o consumidor do compromisso do estabelecimento com as normas higiênico-sanitárias.

“É um ponto muito bom e já abriu na orientação certa. O interesse dele é um grande exemplo, visto que ele procurou saber sobre a forma correta antes de abrir, indo na contramão de muitos estabelecimentos que abrem de qualquer forma e colocam em risco a saúde da população. Tem gente que tem medo de procurar a vigilância sanitária para a qualificação porque acha que quando for, vai ser prejudicado pela fiscalização. Mas se ele for pelo modo correto, como o seu Ronaldo, ele vai estar se beneficiando e beneficiando a população”, avalia Renata Parente, agente de Vigilância Sanitária da Casa do Açaí, da Prefeitura de Belém.

Para Ronaldo, a avaliação positiva da Vigilância Sanitária compensa os investimentos e reafirma a vontade de ter o negócio próprio. “Entrar nesse ramo legalizado foi a minha primeira preocupação. Tanto é que eu já tenho alvará da Prefeitura, sou MEI (Micro Empreendedor Individual), tenho os cursos e tudo o que exigirem farei. Estou pleiteando o selo de qualidade, que é o que eu mais quero e o público exige também. Mostra que estamos trabalhando sério”, ressalta o batedor, que reconhece a importância da fiscalização municipal.

Fiscalização - De janeiro a setembro deste ano, mais de 1.600 inspeções foram realizadas pelas equipes da Casa do Açaí e um estabelecimento foi interditado. Nas fiscalizações, são avaliados itens como maquinário, armazenamento, condições do estabelecimento, vestuário, forma de trabalho, cursos de capacitação, entre outros. Também são coletadas amostras de açaí, que são enviadas para análise laboratorial para identificação de possíveis misturas ou agentes que possam intervir na saúde do consumidor.

Entre as normas cobradas pelo Devisa está o isolamento da área de manipulação do fruto, que deve estar sem acesso à residência e outras áreas ou atividades que possam ser fontes de contaminação. A Prefeitura de Belém também disponibiliza um arquiteto para ajudar no layout do ambiente e fluxograma de processamento do açaí. O serviço é gratuito para os proprietários que pretendem se adequar. “Na safra intensificamos o trabalho em função do aumento do número de pontos. Avaliamos desde a entrada, a estrutura física geral. Itens de madeira são proibidos e a gente obedece todo o Decreto Estadual 326. Hoje a pessoa tem condições de entrar no mercado com qualidade”, destaca Camila Miranda, gerente da Casa do Açaí.

O trabalho de fiscalização também é pautado pelas denúncias feitas pela população, que pode ligar para o telefone 3236-1138, não precisa se identificar, mas é necessário ter em mãos os dados sobre o estabelecimento irregular. Uma equipe da vigilância sanitária é enviada ao local para apuração e medidas cabíveis para interdito ou orientações ao batedor para adequações.

Neste ano, foram 23 denúncias investigadas, sendo oito por mistura do açaí a outros componentes. “Como temos cerca de 5 mil pontos de venda de açaí em Belém, a população é nossa principal aliada. Sempre que enxergar irregularidades, perceber que o estabelecimento não faz o branqueamento ou se ficar doente com o consumo do açaí, o consumidor deve denunciar”, reforça Camila Miranda.

Atenção - O açaí é uma fruta silvestre, por isso o fruto pode conter microorganismos como a Salmonella sp, coliformes fecais e o Trypanossoma cruzi, causador da doença de chagas. Para eliminar esses riscos, o branqueamento é um grande aliado. Trata-se de uma técnica que consiste em mergulhar o fruto do açaí, acondicionado em um balde vazado, em água potável aquecida à temperatura de 80ºC durante dez segundos.

“É muito importante que a população observe se o branqueamento está sendo feito. Esta técnica, quando realizada corretamente, não altera o sabor, a cor e o aroma do açaí e alguns batedores nos relataram que o fruto batido dura muito mais”, frisa a gerente da Casa do Açaí.

Série - Esta é a primeira reportagem da série de quatro matérias que destacará o trabalho da Prefeitura de Belém para melhorar a qualidade do fruto vendido em Belém. As matérias mostrarão o trabalho desenvolvido na fiscalização, para garantia do selo de qualidade “Açaí Bom”, na prevenção, combate e tratamento da doença de chagas e na qualificação dos batedores.

 

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