Casa do Açaí oferece curso gratuito de qualificação para batedores de açaí

O crescimento do mercado do açaí abriu as portas para o empreendedorismo. Em Belém já é possível constatar o aumento do número de pontos de venda, sobretudo em bairros próximos a portos e grandes feiras, como Jurunas e Cremação. De acordo com o Departamento de Vigilância Sanitária de Belém (Devisa), a estimativa é de que existam mais de 5 mil pontos de vendas de açaí em toda a capital. O número aumenta consideravelmente durante o período de safra, que vai de agosto a novembro, quando aumenta a entrada do fruto vindo das ilhas e municípios produtores.

A advogada Manaira Rodrigues, 30 anos, viu no açaí a oportunidade de investir suas economias em parceria com o marido. Para abrir o ponto, que funcionará nos próximos meses, ela procurou todas as informações sobre o negócio para um investimento seguro e legal. Em uma das suas pesquisas, ela encontrou a Casa do Açaí, uma iniciativa da Prefeitura Municipal de Belém para dar apoio de forma gratuita ao batedor artesanal por meio de orientações. O suporte é dado por profissionais da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), por meio do Devisa, e pela Associação dos Vendedores Artesanais de Açaí de Belém (Avabel).

“Antes de sermos empreendedores, somos consumidores. Então, viemos em busca de aprender as técnicas de higienização, do branqueamento para oferecer ao nosso cliente um açaí de melhor qualidade. A partir desse curso, vamos colocar o conhecimento em prática para inaugurar nosso estabelecimento. Nós sabemos dos riscos de contaminação, então o que eu não quero para mim e não vou querer jamais para o meu cliente”, conta a advogada, já pensando na aquisição do selo de qualidade “Açaí Bom”, outra iniciativa da Prefeitura que serve para destacar os batedores que cumprem todas as orientações da Vigilância Sanitária.

Na Casa do Açaí, Manaira participou do curso de qualificação promovido às terças e às quintas-feiras, cujo conteúdo segue o que prevê o Decreto Estadual 326/12, que estabelece requisitos higiênico-sanitários para a manipulação de açaí e bacaba por batedores artesanais, de forma a prevenir surtos com doenças transmitidas por alimentos e minimizando o risco sanitário, garantindo a segurança dos alimentos para o consumidor.

“São 4 horas de curso, de 15h às 19h, aberto a todas as pessoas que trabalham com açaí ou que têm interesse em conhecer sobre as etapas de higiene do fruto. O manipulador artesanal, hoje, tem que seguir o decreto estadual, que pontua algumas etapas de higiene do fruto açaí, que inclui o peneiramento, a catação, as lavagens e o branqueamento. É uma capacitação obrigatória para quem pretende adquirir o selo de qualidade”, explica Camila Miranda, gerente da Casa do Açaí.

O curso oferecido em Belém já qualificou 5.300 mil batedores e se tornou uma referência em todo o Brasil. Rotineiramente, a Casa do Açaí recebe pedidos de inscrições de batedores e interessados de outros estados, como São Paulo e Maranhão. Também há interesse de batedores de outros municípios paraenses, como Abaeteuba, Cametá e Ananindeua.

“O curso é aberto a quem quiser participar. Tem gente que vem de quatro a cinco vezes ao ano e sempre sai com um novo aprendizado. Para nós, isso é muito importante porque quanto mais as boas práticas forem difundidas, maiores são as possibilidades de a população consumir um açaí de qualidade, livre de doenças”, ressalta Camila. Segundo ela, já é possível perceber nos pontos o emprego das melhorias indicadas no curso.

Heron Amaral possui um ponto de açaí há 15 anos na feira da Pedreira. Seu trabalho de acordo com as boas práticas lhe rendeu o mérito de ser o primeiro batedor a receber o selo de qualidade “Açaí Bom”, em 2015, e ele mantém o selo até hoje.

Heron é também um dos instrutores do curso oferecido na Casa do Açaí. “Seguir as etapas é importante porque a população precisa ter conhecimento da devida higiene do fruto e não comprar em qualquer ponto. A gente já vem se capacitando desde 2008. Então, com as determinações do decreto, fui convidado para aulas práticas sobre a maneira correta de manipular o produto, sobre a higiene, o comportamento do manipulador e tudo mais. Fui até um pouco resistente no início, mas hoje eu não consigo deixar de fazer todas essas etapas corretas. Você era acostumado a chegar e só jogar teu fruto num tanque. Mas depois nota que precisa de mais equipamento, que os panos têm que ser corretos e a esponja tem um tempo útil... e muito mais coisas”, conta Heron.

Orientações - Profissionais da Casa do Açaí recomendam ao consumidor ficar atento: nos pontos de venda de açaí observe se o batedor cumpre todas as etapas de higiene. “Todo açaí tem que passar pelo peneiramento e pela catação, etapas em que podemos encontrar de um parafuso até o barbeiro, que representa o perigo físico. Depois disso, vamos fazer lavagem em três águas para tirar toda sujeira. Na primeira lavagem já vai tirando essa contaminação. Em seguida, a gente deixa de molho no cloro por 20 minutos e depois tem que lavar em três águas para tirar o excesso do cloro. O próximo passo é o branqueamento, quando mergulhamos o fruto em 80 graus por 10 segundos e em seguida já se faz o resfriamento, mergulhando o fruto em água fria, de preferência filtrada. Em seguida, fazemos despolpamento e o envase do açaí o mais rapidamente possível, para que não tenha o acúmulo de bactérias”, orienta Heron.

Série - Esta é a segunda reportagem da série de quatro matérias que destacam o trabalho da Prefeitura de Belém para melhorar a qualidade do produto vendido em Belém. As matérias mostrarão o trabalho desenvolvido na fiscalização, para garantia do selo de qualidade “Açaí Bom”, na prevenção, combate e tratamento da doença de chagas e na qualificação dos batedores.

Serviço:

Curso de Qualificação para Batedores de Açaí. Às terças e quintas-feiras, das 15h às 19h, na Casa do Açaí (travessa do Chaco, 1490, entre avenida Duque de Caxias e travessa Visconde de Inhaúma). É necessário fazer inscrição prévia pelo telefone (91) 3236-1138.

 

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