Violência no Tapanã é debatida em reunião na Alepa

Os representantes da segurança pública do Estado foram convidados pelos deputados da Comissão de Direitos Humanos da Alepa para apresentar o que está sendo feito para conter a onda de violência, após registrar vários crimes violentos no bairro do Tapanã, em Belém. Nove pessoas foram mortas no bairro em menos de duas semanas. Oito morreram na segunda-feira (29/11). Enquanto a reunião acontecia nesta quarta-feira (07/11), na Alepa, mais uma vítima foi morta.

A reunião foi longa, durou mais de três horas. O titular da Secretaria de Segurança Pública (Segup), Luiz Fernandes, e sua equipe apresentaram as estatísticas de crimes violentos no período de 2010 a 2017. Em 2010, foram registrados 3.386 homicídios dolosos, 230 latrocínios (roubo seguido de morte) e 11 lesões corporais seguidas de mortes no Estado, totalizando 3.627 casos. Já no ano passado, os números foram 3.820 homicídios dolosos, 221 latrocínios e 35 lesões corporais seguidas de morte, que somaram 4.076 crimes.

Neste período, o secretário explicou que foram tomadas medidas de fortalecimento das guardas municipais e do Detran, para a aquisição de equipamentos como coletes, armas e munições e veículos, usados na vigilância.

De janeiro a outubro deste ano, também houve investimentos na implantação de delegacias e estruturação de unidades de segurança em Belém e no interior. Além disso, houve um reforço no quadro pessoal, com nomeações de 2.849 homens na polícia militar, 616 policiais civis, 300 bombeiros e a realização de um concurso (em andamento) para a contratação de mais 500 agentes penitenciários e 490 agentes administrativos na Superintendência do Sistema Penal.

Os representantes da segurança pública destacaram que em 2018, os números apontam uma pequena redução das ocorrências. "Hoje nós temos redução de 5% dos crimes letais intencionais, mas os números não são altos no Pará, são altos no Brasil", afirmou.

A presidente da Alepa em exercício, deputada Cilene Couto, avaliou que as informações pretadas serão úteis ao parlamento. “Com o detalhamento desses dados, os parlamentares terão mais subsídios para a elaboração e aprovação de propostas e para contribuir no enfrentamento da violência”, disse a deputada.

Os deputados questionaram as estratégias e o andamento das investigações das mortes no Tapanã. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alepa, deputado Carlos Bordalo, afirmou que foi feita uma recomendação para o procedimento com os casos. "Fiz oficialmente a recomendação para que se proceda, que deve usar a mesma estratégia feita no Aurá, quando órgãos de segurança atuaram de forma integrada", disse.

O deputado disse ainda que após a reunião, ele vai elaborar um documento com sugestões ao novo governo.

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