Obra da enfermaria do Complexo Penitenciário de Marituba entra em fase final

O Presídio Estadual Metropolitano II (PEM II), que fica no Complexo Penitenciário de Marituba, vai receber nova enfermaria adaptada para atender inicialmente 20 internos com dificuldade de locomoção e portadores de bolsa de colostomia. A iniciativa é da Diretoria de Administração Penitenciária, juntamente com a Diretoria de Assistência Biopsicossocial da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe). A enfermaria deve ser inaugurada até dezembro.

A nova enfermaria está sendo instalada em cela com  banheiro novo e totalmente acessível para facilitar a movimentação de presos em cadeiras de rodas. Para a diretora de Assistência Biopsicossocial da Susipe, Eugênia Fonseca, o espaço de acolhimento irá possibilitar atendimento mais humanizado aos internos. “Com recursos próprios da Susipe, vamos comprar camas hospitalares e colchões casca de ovo (que ajudam a minimizar a formação de ferimentos em pessoas acamadas). A equipe de médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem também será ampliada. Eles vão trabalhar em regime de plantão 24 horas para atender aos internos cadeirantes, amputados, paraplégicos, portadores de bolsas de colostomia e outras enfermidades que dificultem a locomoção”, diz.

Na avaliação do diretor de Administração Penitenciária da Susipe, coronel Wilson Araújo, o PEM II foi escolhido por dispor de infraestrutura maior para receber a enfermaria do que os outros dois presídios do complexo, além de também ter laboratório exclusivo para análise de tuberculose. “Já precisávamos de enfermaria nesses moldes no Complexo de Marituba, então decidimos que seria no PEM II, para centralizar o atendimento dos internos que precisam desse atendimento especializado a fim de garantirmos tratamento bem mais humanizado. Inicialmente vamos atender 20 detentos, e depois vamos continuar ampliando e reformando outras enfermarias para atender toda a população carcerária que precisa de cuidados médicos específicos", explica.

“É difícil ser cadeirante na cadeia, a gente não tem muito apoio, mas a nova enfermaria vai melhorar isso, vai ter estrutura melhor. A gente vai ter cadeiras adaptadas, camas mais baixas e banheiro acessível”, anseia o detento Charles Diego Cardoso, custodiado no PEM II, e que por conta de um tiro está sem o movimento das pernas, dependendo da cadeira de rodas para se locomover.

O diretor do PEM II, Paulo Andrey, diz que o espaço também vai ser bom para o trabalho dos servidores. “Vai ser mais fácil para que os técnicos, enfermeiros e médicos possam trabalhar, além de que os presos também vão ter mais conforto para que, além de cumprir a pena, tenham acesso à saúde, direito deles”, assegura.

Criado há cerca de oito anos, o Laboratório para Análise de Tuberculose funciona no PEM II, em Marituba, e tem sido fundamental para a o diagnóstico precoce e tratamento dos detentos custodiados pelo Estado que apresentam quadro da doença. O local recebe amostras das unidades prisionais da Região Metropolitana de Belém e faz, mensalmente, cerca 200 exames.

Os detentos com suspeita da doença fazem a coleta da secreção nas próprias unidades prisionais da Susipe onde estão custodiados, e as amostras são encaminhadas para o laboratório no PEM II, onde é feita a baciloscopia (exame de escarro). Este procedimento é considerado 100% eficaz e também o método de diagnóstico mais rápido, pois fica pronto em até 48 horas.

Se confirmado o caso de tuberculose, o setor de saúde da unidade onde o preso cumpre pena é comunicado para que o interno inicie imediatamente o tratamento, que é feito com três drogas diferentes: pirazinamida, isoniazida e rifamicina. As amostras dos internos com tuberculose são encaminhadas para o Laboratório Central do Estado (Lacen), que em torno de 45 dias divulga o teste de sensibilidade que identifica a resistência da bactéria aos medicamentos que serão utilizados na segunda etapa do tratamento.

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