Desenvolvimento
A equipe da Seicom durante a visita técnica às mineradoras de calcário agrícola (Foto: RedePara.Web.ViewModels.Sgn.Foto?.credito)
Equipe técnica da Diretoria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral da Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Mineração (Seicom) realizou visita técnica, nas duas últimas semanas, em parceria com a The Nature Conservancy (TNC), às empresas Calreis e Cominas, ambas mineradoras de calcário agrícola, localizadas no município de Rurópolis, na região oeste paraense. O objetivo foi identificar os gargalos da cadeia produtiva dos denominados agrominerais - minerais especialmente usados na agricultura, como fertilizantes, em sua maioria - e buscar a garantia da oferta de calcário para os territórios do Tapajós e Xingu com preços acessíveis.
A empresa Comina executa a lavra, beneficia e comercializa calcário agrícola em brita para construção civil, cuja capacidade de produção é de 10 toneladas por hora (ton/h). E fornece este agromineral para Macapá (capital do Amapá), Altamira, Santarém e entorno de Itaituba, municípios localizados entre as regiões paraenses do Xingu e Tapajós.
O escoamento do minério oriundo da Comina é feito por balsas com capacidade de 500 toneladas que cruzam o rio Tapajós e em caminhões pela BR-230 e BR-163. O calcário é comercializado a granel ou em big bag, contentores flexíveis de volume médio com maior capacidade de armazenamento, ou seja, sacos usados para transporte e armazenamento de qualquer tipo de líquidos, granulados ou produtos de uma tonelada.
Atualmente, a empresa está em processo de ampliação na sua estrutura física e está com investimentos em pesquisa mineral. E segundo Bruna Guimarães, engenheira de minas da Seicom, o empreendedor da Comina, Wilson Soares, está investindo em pesquisa mineral para depois ampliar a sua produção, assim poderá adquirir o maquinário para lavra e beneficiamento compatíveis com as características do minério.
Já a empresa Calreis compra a rocha lavrada pela Comina e realiza o beneficiamento e comercialização de brita e calcário agrícola, com capacidade de produção de 10 ton/h. E ainda fornece para Novo Progresso, o distrito de Castelo dos Sonhos, Altamira, Santarém, Itaituba e arredores e também para Macapá.
O transporte também é realizado por caminhões com a metodologia da logística reversa, ou seja, os caminhões trazem soja de Novo Progresso para o terminal portuário em Miritituba, distrito de Itaituba, e retornam com calcário agrícola. O escoamento do minério também é feito por balsas com capacidade de 500 toneladas pelo rio Tapajós. "Calcário tem para atender toda a região, o que falta é energia e estrada", ponderou Sebastião Reis, proprietário da mineradora Calreis.
O transporte rodoviário, que segue a rota do distrito de Miritituba e retorna com calcário agrícola para Novo Progresso, caracteriza a operacionalização da chamada logística reversa, com a oferta dos agrominerais, o que torna os preços mais acessíveis aos produtores rurais.
Representante da TNC em Tapajós, Teresa Moreira avaliou que o fato de o calcário estar sendo enviado de Miritituba para Novo Progresso já demonstra que a soja está em processo de expansão na região.
Grupo de Trabalho do Calcário
A Seicom também realizou 13 oficinas e três seminários de consolidação nos principais municípios mineradores, com participação de 200 instituições e 1.300 participantes, definidos durante a reunião que definiu o 1° Plano Estadual de Mineração (2014-2030) do Brasil, construído ao longo de dois anos.
Para executar as ações previstas dentro deste tema, foi criado o Grupo de Trabalho do Calcário Agrícola (GT do Calcário), com a missão de criar estratégias e arranjos que possibilitem a aproximação entre a demanda e a oferta, principalmente de calcário agrícola no Pará.
No Plano está previsto que o consumo de calcário agrícola será de 305 mil toneladas em 2014 e de 320 mil toneladas, em 2016. Considerado-se a taxa anual de crescimento de 3%, estima-se uma produção de 484 mil toneladas até 2030.
As ações em andamento são a elaboração do Plano Estadual de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Calcário Agrícola do Pará, com o propósito de avançar na aproximação entre a oferta existente na região do Tapajós, onde há produção de calcário agrícola, e a demanda da região do Xingu e do sul do Pará, onde não há produção, além da consolidação dos projetos pilotos da pecuária sustentável para região, com o apoio da TNC.
Com a articulação da Seicom e das instituições integrantes do comitê gestor do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu (PDRS Xingu) já se garantiu a oferta de calcário agrícola para os projetos aprovados no âmbito do PDRS Xingu, além da realização do Seminário Regional dos Agrominerais para o desenvolvimento do Xingu, no intuito de beneficiar fundamentalmente os agricultores familiares da BR-230 (Rodovia Transamazônica).
Seminário
Outra ação é o “Seminário Regional de Disseminação do Uso de Calcário para Sustentabilidade da Região do Xingu”, que será realizado às 8h desta segunda-feira, 10, no auditório da UFPA/Campus Altamira, temática já extensamente estudada na Câmara Técnica 3, espaço de discussão sobre o fomento às atividades produtivas, voltado às atividades de produção do PDRS.
O seminário tem como objetivo superar a escassez e o alto preço, o qual é o gargalo existente em torno deste agromineral na região do Xingu. “Tanto na agricultura familiar quanto no agronegócio mais amplo do cacau é condição primeira ter o calcário como corretivo de solo. Segundo os produtores da região, os solos são muito ácidos, então, para poder aumentar a produtividade e para garantir até o controle do desmatamento, o calcário para corretivo de solo é a condição indispensável”, evidenciou a economista e titular da Seicom, Maria Amélia Enríquez.
Porém, o problema está no custo que esse produtor tem para acessar o calcário, questão que será destaque no seminário, conforme afirmou a secretária. “Enquanto no centro-sul do país se compra o calcário a R$150 a tonelada, chega a R$ 450 o custo para quem está na região do Xingu, ou seja, isso acaba comprometendo a rentabilidade, fazendo com que os produtores recorram à formula simples, que é avançar na floresta com o modelo de corte ou queima. Então, ter calcário a preços razoáveis, que mantenham a competitividade da agricultura local é condição básica e, para isto, a Seicom está empenhada em realizar este seminário.”, informou ela.
A Seicom já vislumbra uma mudança nesse quadro com a reunião de vários agentes que estavam desconectados do processo e ainda não conheciam onde existia mercado no Pará para a venda do calcário.
A exemplo da empresa Comina, que ao tomar conhecimento da demanda, ofertará calcário agrícola para os projetos já aprovados pelo PDRS Xingu, incluindo o transporte de balsa até Vitoria do Xingu e também pretende investir na construção de um entreposto para o calcário agrícola no local.
Plano de Desenvolvimento
É um espaço para a discussão, definição de prioridades e acompanhamento da execução de ações para o desenvolvimento sustentável da região do Xingu e tem como princípios a democracia, a participação social, a transparência, a garantia do contraditório e o respeito entre os agentes governamentais e a sociedade civil.
A Seicom participa ativamente do PDRS com as propostas de projetos estruturantes para a região, as quais objetivam fortalecer a agricultura familiar, pois a região tem uma intensa atividade de colonização agrária, com vários pequenos produtores agrícolas de base familiar, e também a cultura do cacau.
Na questão da agricultura familiar, a ideia é fomentar as cadeias produtivas para fornecer alimentos para a merenda escolar e também para grandes grupos da região, por exemplo. Na cadeia produtiva do cacau, o objetivo é trabalhar a modernização e a agregação de valor.
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