Semana dos Povos
Foto: Rodolfo Oliveira/Ag. Pará
Uma caminhada pelas principais ruas de São Félix do Xingu foi o ponto alto da programação da Semana dos Povos Indígenas nesta quarta-feira (Foto: RedePara.Web.ViewModels.Sgn.Foto?.credito)
Uma caminhada pelas principais ruas de São Félix do Xingu foi o ponto alto da programação da Semana dos Povos Indígenas nesta quarta-feira (18). Os índios se concentraram em frente à Secretaria Municipal de Cultura, entoando cantos de guerra e dançando na luta por direitos. Uma das principais reivindicações é a retomada de territórios e a gestão ambiental dessas áreas. Durante a passeata, caciques se revezavam proferindo palavras de ordem, enquanto todos seguiam em cadência rumo à Praça do Triângulo, onde ocorre grande parte das atividades.
A passeata foi também um protesto contra a exoneração de Franklimberg Ribeiro de Freitas da presidência da Fundação Nacional do Índio (Funai). “A Funai é a casa do índio. Por isso, não concordamos que mudanças sejam feitas sem consulta pública. A comunidade indígena precisa ser ouvida. São os nossos interesses que estão em jogo”, defendeu o cacique líder Akjabôrô Kayapó.
A gerente de Promoção e Proteção dos Direitos dos Povos Indígenas da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), Puyr Tembé, frisou que a principal luta do movimento indígena continua sendo pelo território. Nesse sentido, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215, que transfere do Executivo para o Legislativo a responsabilidade sobre a demarcação, é alvo de frequentes protestos de povos indígenas.
“Índio sem território está fadado ao extermínio. Sem terra, não temos educação, saúde e cultura. Esse é um dos motivos do protesto que os Kayapó conduzem hoje aqui em São Félix do Xingu”, disse Puyr, fazendo também uma avaliação sobre o crescimento do evento, que se encerra nesta quinta-feira (19), Dia do índio. “A Semana dos Povos Indígenas tomou proporções muito maiores do que esperávamos. Recebemos 12 etnias, de diversos Estados brasileiros, além de convidados especiais, o que ajuda a dar mais visibilidade à causa”, assinalou.
Conquista
Paramentados como se fossem para a guerra, empunhando arco e flecha e facões, com os corpos pintados e os rostos totalmente cobertos – e cocares coloridos na cabeça –, os índios cantam e dançam em forma de protesto. Na Praça do Triângulo, destino da passeata desta tarde, em sincronia, eles tomaram todo o espaço da quadra central. As mulheres, particularmente, ocupam agora uma posição de destaque. Cabe a elas os discursos mais inflamados na língua materna. Apenas poucos privilegiados compreendem o que dizem, embora não seja difícil imaginar.
“A mulher indígena vem conquistando cada vez mais espaços, dentro e fora das aldeias. Não é à toa que escolhemos discutir este ano o empoderamento feminino. As manifestações de hoje (quarta) mostraram que elas estão cada vez mais ao lado dos homens na tomada de decisões”, observou a organizadora da Semana dos Povos Indígenas, Viviane Cunha. “A partir de agora, a programação é deles. Afinal, este espaço foi aberto para que se manifestassem e tivessem a voz ouvida”. Pela manhã, enquanto os índios dançavam na quadra, ao lado, duplas de atletas participavam do vôlei masculino, ainda como parte da programação dos jogos.
Na noite de terça-feira (17), o vice-governador Zequinha Marinho, compareceu ao evento. Na praça principal, ele visitou tendas das aldeias participantes, conferiu o artesanato em exposição e conversou com índios, entre eles os Juruna, que pela primeira vez participam da Semana dos Povos Indígenas. “A presença do Estado neste evento mostra o cuidado e a proteção aos direitos dessa população por parte do governo. Há uma equipe de servidores de diversas áreas aqui, que estão dando o melhor de si para prestar o melhor atendimento, seja na área social, seja na saúde ou na cultura”, asseverou.
A programação segue com mais atividades. Na noite desta quarta, ocorre o concurso Beleza Indígena, do qual participam mulheres de todas as etnias presentes. Na quinta-feira, os jogos continuam no ginásio. O encerramento será com as partidas de vôlei masculino de quadra e o amistoso entre as seleções indígenas e xinguense, no estádio municipal. Além disso, durante todo o dia, os índios expõem artesanato e cantam e dançam na quadra central. Também ocorre o encerramento das oficinas do Biizu, da Secretaria de Estado de Comunicação (Secom), que vai entregar certificados aos alunos participantes.
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