Mulheres

Bancada feminina reúne com secretário de segurança e reivindica políticas contra o feminicídio

A bancada feminina da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) esteve reunida, no final da tarde desta quarta-feira (13.03), com o secretario de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), Ualame Machado, para tratar de políticas públicas de combate a violência contra a mulher e assegurar os direitos sociais. Essa foi a primeira reunião técnica e institucional da bancada desde a sua criação em fevereiro deste ano e contou com a presença de sete parlamentares: Ana Cunha, Dilvanda Faro, Heloísa Guimarães, Paula Gomes, Marinor Brito, Michele Begot e Nilse Pinheiro.

Ao todo, dez deputadas compõem a nova legislatura. Elas representam 25% do Parlamento Paraense e já mostraram que buscam um mandato com atuação propositiva.   

As parlamentares que participaram da reunião solicitaram ao titular da Segup informações atualizadas sobre os dados de violência feminina no Pará nos anos de 2018 e 2019 e reivindicaram providências imediatas de proteção social com vistas à redução dos números alarmantes de violência e feminicídio em todo o Estado.  

“Esperamos que o governo consiga responder a cada uma delas, onde a gente saia do patamar do discurso, da denúncia e passe para as proposições na busca de soluções. A gente quer e necessita ter que o problema de enfrentamento da violência contra a mulher seja solucionado”, reiterou a deputada Marinor Brito.

Para a deputada Paula Gomes, a reunião foi positiva e espera ações concretas para ampliar e melhorar o atendimento qualificado à mulher. Em muitos casos, a mulher é atendida por homens e até por profissionais não capacitados para a atividade, o que faz com que muitas desistam de manter a denúncia contra o agressor.      

“Foi uma reunião proveitosa e que o secretário já sinalizou algumas ações. Também necessitamos de melhorar o atendimento psicossocial e assistente social, com psicólogos para atender a mulher no momento de fragilidade, para que elas tenham esse primeiro acolhimento de forma firme e qualificada para não recuarem na denúncia”, argumentou.

De acordo com deputada Ana Cunha, a bancada feminina está empenhada em lutar por melhorias de qualidade de vida das mulheres e fazer o enfrentamento contra o feminicídio.

“Nós vamos nos agregar e nos juntar nas emendas e nas discussões e debates para que a gente consiga atender essas demandas dessa parcela da população que representa 54% de mulheres e necessita de um olhar diferenciado. Outro ponto importante debatido aqui, refere-se à quantidade de delegacias de atendimento à mulher, que o secretário mostrou interesse em ajudar nesse processo e ainda incluir profissionais capacitados como psicólogos nas unidades de atendimento às mulheres”, disse.       

Ao final, o secretário enalteceu a bancada feminina e disse que vai intensificar o levantamento das necessidades para atender melhor as demandas. “Estamos fazendo o levantamento e com a atuação da bancada feminina podemos fazer esse trabalho de forma conjunta. A ideia é trabalhar a questão da vulnerabilidade da mulher em bairros em que há maior índice de violência contra as mulheres”, concluiu.     

Estatística - O problema da violência contra a mulher é crescente e constante. O Atlas da Violência no Brasil, divulgado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), aponta que, no período entre 2005 e 2010, o índice de feminicídios no Pará foi de 6,4 mulheres mortas a cada 100 mil habitantes. Esses números colocam o Estado em 6º lugar no ranking da violência do país. Medo, dependência econômica, dependência afetiva e a família são as razões para as dificuldades das vítimas quebrarem esse ciclo.

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