Dia das Mães

Mãe servidora é exemplo de resiliência na Alepa

Há quatro anos a jornalista Jordana Gonçalves Bahia, na época com 28 anos, precisou se submeter a uma cirurgia para tentar neutralizar um aneurisma cerebral. Iniciou-se uma corrida contra o tempo.

Foi durante um dia de trabalho, na redação da Rede TV, em Brasília, que as pernas da jornalista começaram a travar. “Não conseguia andar de tanta dor. Fui a um médico vascular e nada foi encontrado. Ele então me indicou um neuro que detectou que uma veia havia dilatado e havia o risco de ela estourar. Acho que pelo stress, pressão, aconteceu isso", conta Jordana.

A cirurgia- Depois de descobrir o problema, o desafio seria encontrar o cirurgião que realizasse o procedimento da melhor forma. Uns diziam que seria necessário fazê-lo abrindo a cabeça e outros, não. “Eu não queria de jeito nenhum que abrissem a minha cabeça”

O tratamento de aneurismas cerebrais sem cirurgia aberta é menos invasivo e doloroso e proporciona uma recuperação mais rápida, com menos risco de infecção e ausência de cicatriz. A embolização por cateter é a grande conquista de medicina no tratamento de aneurisma cerebral, desenvolvida na França, no início dos anos 90.

No caso da Jordana foi posto um "stent" na artéria acometida, revestindo-a e reconstruindo a parede dos vasos. Antes o aneurisma é preenchido por espirais metálicos, excluindo a circulação de sangue.

A operação foi  realizada em São Paulo, no Hospital Mandaki – Hospital Público Estadual, por um médico paraense radicado em SP, o neurocirurgião João de Deus. O médico garantiu à Jordana que o Hospital teria a estrutura necessária e que ele conseguiria fazer qualquer um dos dois tipos de cirurgia.

“A operação foi um sucesso, deu tudo certo, tive apenas uma hipotermia por causa do frio na sala”, conta, com alívio, a jornalista. Como a cirurgia foi de cabeça fechada, ela teria que tomar anticoagulante por toda a vida. Essa medicação tem a função de afinar o sangue e impedir a coagulação. O problema é que a substância fazia com que Jordana ficasse com placas vermelhas, como se fossem hematomas em seu corpo.  “Teve uma vez que fui com meu namorado a um sítio e os amigos dele perguntavam se ele havia me batido”

O Recomeçar- Após a cirurgia, Jordana resolveu voltar a Belém e pedir demissão. “Eu não queria continuar morando sozinha em Brasília. Trocava plantão de todo mundo na redação para não me sentir isolada em casa”, relembra.

Jordana não teve sequelas aparentes após a cirurgia, só reclama de falhas de memória recente. “Deixo uma caneta aqui e às vezes não lembro onde está”

O Renascer através de Gael-  De volta a Belém, já à procura de emprego, Jordana engravidou de surpresa. Por pelo menos três anos ela  teria que usar o anticoagulante e isso lhe impediria de ser mãe. "Eu sempre tive vários problemas ginecológicos. Por isso nunca me preocupei”

Subvertendo a "proibição" médica de engravidar, em 2016 Jordana deu luz a Gael. O bebê nasceu com mais de quatro quilos e 53 centímetros. Para não oferecer riscos à cirurgia, o parto teve que cesariana. Antes do nascimento de Gael, Jordana teve que passar três meses sem tomar o anticoagulante para não prejudicar o filho.

A maternidade foi um divisor de águas na vida de Jordana. "O Gael é minha força. Pode até parecer clichê o que vou dizer. Mas enquanto filho, a gente não faz ideia do que é o amor de uma mãe. Eu me multiplico e enfrento tudo por amor a ele. Quando as coisas não vão bem e eu penso em chutar o balde, paro e penso que ele é minha maior e melhor motivação para seguir em frente. Depois dele, não tem nada que eu faça e opte na minha vida sem tê-lo como prioridade, como foco principal”, relata Jordana.

Depois de uma entrevista, em 2015, Jordana foi contratada para trabalhar no gabinete do deputado Ozório Juvenil. Hoje é assessora especial lotada na Secretaria Legislativa da ALEPA. Formada pela UNAMA, ela trabalhou na Companhia das Docas do Pará antes de partir para Brasília.

A Lição- A mãe de Gael, que travou uma batalha pela vida, diz que tem trabalhado bastante e que tenta ter uma vida normal. Sua  preocupação é com o filho, com a possibilidade de ele ter um aneurisma. Ela aconselha que as pessoas incluam no seu check-up uma visita ao neurocirurgião. “As pessoas só fazem do pescoço pra baixo, mas ninguém vai ao neuro para saber como anda a cabeça”.

Hoje, aos 32 anos, Jordana sabe a força de sua história e nesse Dia das Mães, deixa um recado às mulheres. “ Não desanimem por nada, nem por ser mulher, nem por doença, ou por outra pessoa. Tentem ser fortes sempre e seguir em frente. Nunca abaixar a cabeça”, aconselha a mãe servidora e agora, inspiração para muitas.

 

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