Semana de Museus

Exposição coletiva a céu aberto "Um rio das onze" abre no Forte do Presépio

Dez artistas realizam a exposição coletiva a céu aberto "Um rio das Onze", que integra a programação da 17ª Semana Nacional dos Museus. Por meio de suas performances, instalações e objetos, a ideia é problematizar questões existenciais que permeiam a vida social, que se encontra atravessada pelas águas-rios simbólicas da Amazônia. A exposição possibilita a construção da identidade cultural, com suas crenças e valores.

O coletivo é formado pelos artistas Edson Paixão, Tadeu Nunes, Sônia Garcia, Saint’Clair, Jaime Barradas, Lanna Franco, Josmar Braga, Ilton Ribeiro, Rosane Caldas e Bela Reis.

A exposição mostra que a água desses rios – entre outros significados – vai além do sentido de líquido vital utilizada como modo de vida, de onde se extrai recursos naturais, mas também como uso, ocupação/ apropriação territorial, para moradia e atravessamento, nas idas e vindas, de interação com a cidade.

Para o grupo, compreender a cultura ribeirinha implica no conhecimento histórico da formação dos grupos indígenas, imigrantes portugueses, imigrantes nordestinos e populações negras que a consolidaram, sendo a arte um dos meios possíveis de provocação sobre as consequências do mundo globalizado.

De acordo com a curadora da exposição, Sancris Santos, diretora da Casa das Onze Janelas, a opção pela exposição a céu aberto vem ao encontro do atual projeto desenvolvido pelo SIMM, de utilização de seus espaços externos para exposições.

“Os dez artistas convidados discutiram em seminários as propostas e temáticas partindo do tema central e montaram as suas proposições artísticas, intervenções e performances tomando como referência duas palavras-chave: a ribeirinidade e a urbanidade. Essa relação que se faz entre o ribeirinho e a cidade tendo o rio como mediação”, ressalta a diretora.

“Fizemos uma releitura da ideia do rio e suas narrativas e as intervenções no formato de instalações, objetos e performances se apresentam como um rio que trazendo as histórias, o imaginário artístico, as percepções poéticas dos artistas”, observa a curadora.

- Edson Paixão: expõe a devastação das etnias por meio da combustão. O fogo destrói as aparências e possibilita novas formas de criação imaginárias;

- Tadeu Nunes: traz à tona a relação nociva que a humanidade tem construído com as águas, com a natureza. Em sua obra, os rios estão sofrendo as consequências do desenvolvimento tecnológico e como os seres que ali habitam estão sendo extintos;

- Sonia Garcia: cria um cenário artificial contracenando com a natureza. O giro dos cata ventos, são movidos pelo ar que vem do rio, da maré e devolve para natureza a ludicidade em beleza;

- Saint’Clair: trata de uma cartografia com a representação de um relógio, a figura de uma caravela e de uma esfera dourada, metaforizando a rota no Rio Amazonas, o percurso e a chegada dos portugueses a cidade de Belém;

- Jaime Barradas: apresenta uma instalação artística e performática em que o corpo relativiza por meio da noção de ‘espaço de performação’ a relação tempo e espaço. Na disposição ritualística de sua obra, encontram-se três potes de cerâmica, um matapi, agulhas, linhas e tecidos nas cores preto, branco e vermelho, sugerindo ausência e presença acionadas pela memória/lembrança;

- Lanna Franco e Josmar Braga: expõem o corpo e as suas representações por meio de papeis sociais e afetividades que engessam certas significações, mas que a vida em movimento, também possibilita a sua impermanência;

- Ilton Ribeiro: problematiza a fragmentação verbal como um dos sintomas da crise da linguagem, em que a fratura da palavra, torna a palavra estranha, para ela mesma. A palavra pela palavra, se apresenta como metalinguagem semelhante às moléculas do corpo que se transformam em literatura;

- Rosane Caldas: traz em seus monóculos, dispostos como mobiles, fotografias, que remetem cenas do cotidiano de ribeirinhos e como essas vidas são atravessadas pelo fluxo da água;

- Bela Reis: com seu vídeo mapping, projeta as águas do rio sobre as janelas da Casa das Onze.

A 17ª Semana Nacional de Museus é uma temporada cultural promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), que ocorre em todo Brasil. No Pará, a realização é do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), Museu Emílio Goeldi e apoio das prefeituras de Santarém e de Cachoeira do Arari. Na programação, haverá contação de história, varias oficinas – entre elas, a de montagem de maquete, exposições, exibição de filmes, atividades educativas, troca de livros, entre outras ações previstas para ocorrer durante essa maratona cultural.

Serviço:

A exposição coletiva a céu aberto "Um rio das Onze" abre nesta segunda-feira (13) e vai até o dia 19 de maio, de 10h às 17h. Somente no sábado (18), será às 17h, no Forte do Presépio.

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