Contra a Violência

Programação do ParáPaz leva 1.200 crianças e adolescentes ao circo

Cerca de 1,2 mil crianças e adolescentes atendidos pela Fundação ParáPaz na Regiao Metropolitana de Belém, Bragança e Breves participaram, nesta quarta-feira (15), de uma programação especial no Circo Mirage.

Cerca de 1.200 crianças e adolescentes atendidos pela Fundação ParáPaz na Regiao Metropolitana de Belém, Bragança e Breves participaram, nesta quarta-feira (15), de uma programação especial no Circo Mirage. Palhaços, malabares e outros números do mundo circense foram apresentados de 16h às 18h, no espaço montado dentro do estacionamento do shopping Bosque Grão Pará. O encontro foi possível por meio de uma parceria do órgão estadual com a organização do circo, e faz parte da programação da Semana Paraense de Enfrentamento à Violência e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes, realizada de 13 a 18 de maio.

Palestras, capacitações e ações recreativas fazem parte das ações realizadas pelo governo do Estado, por meio da Secretaria Extraordinária de Estado de Cidadania e ParáPaz. Até o próximo sábado (18), várias atividades trarão à tona discussões importantes acerca do assunto e sobre as políticas públicas executadas para coibir este tipo de crime. No circo, a intenção foi a garotada conhecer um pouco mais sobre a questão do abuso e da exploração sexual por meio da arte circense, tudo de forma lúdica, atendendo a proposta de informar para prevenir.

A secretaria Cátia Lobo, 42, veio pela primeira vez ao circo com as duas filhas, os pais e sete sobrinhos. Liderança comunitária no conjunto 40 Horas, em Ananindeua, acredita que a oportunidade de hoje é única.

“Não só para mim como para outras pessoas que participam dos projetos do ParáPaz, pelas casas que costumo visitar, digo com certeza que não teriam de condições de vir a um circo como esse”, afirmou. Ainda de acordo com Cátia, o fato da abertura do espetáculo ter sido voltada para a conscientização da violência contra a criança e o adolescente foi um diferencial. 

“Tocou uma música que usamos no projeto, que é ‘seu corpo é um tesourinho’, e é importante que as crianças e adolescentes tenham consciência que não podem deixar um desconhecido tocar neles, que se sentirem ameaçados, devem chamar um adulto. Essa oportunidade que o governo está nos dando é muito boa”, concluiu. 

A moradora da Cidade Nova 5, também em Ananindeua, Enilma Moraes, aproveitou para trazer a filha de 15 anos, Glenda, que também vivenciou a sua primeira experiência no circo. Apesar do medo de palhaço, a jovem, que é deficiente física, gostou bastante do palhaço Chuvisco, que apresentou vários números durante as duas horas de apresentação. “É realmente um privilégio não só pela diversão, mas também pela orientação sobre a violência contra crianças e adolescentes”, analisou Enilma.

Oportunidade – A atividade desta quarta contou ainda com o apoio de 180 pessoas, dentre funcionários de todos os polos da Fundação ParáPaz, voluntários e pais das crianças e adolescentes. “Reunimos muitas pessoas e o objetivo é aproveitar a atenção que eles dão para as atrações pra falar sobre a pedofilia e abuso sexual. Exibimos vídeos e o próprio palhaço Chuvisco abordou o assunto”, destacou a presidente do ParáPaz, Ray Tavares. 

Ela ressaltou ainda que o momento é uma oportunidade para o público, formado pela maioria de crianças e adolescentes que não teriam condições de participar de um espetáculo como esse. “É encantador. Muitas dessas famílias são de baixa renda e residem em áreas periféricas. Queríamos esse atrativo para ensinarmos também. Agradecemos a sensibilidade do governo do Estado de entender essa necessidade e ter nos garantido transporte, lanche, água, identificação”, concluiu Ray. 

Para o palhaço Chuvisco, interpretado por Nilton Gatica, o circo ainda traz a pureza da criança e, no caso do público em questão, é uma injenção de esperança no mundo atual. “Isso é o bom do circense. Estar aqui tendo contato com essas crianças e adolescentes que não têm acesso à esses espetáculos é emocionante, fico lisongeado de fazer parte disso”, ressaltou. 

Campanha – A programação marca o “Maio Laranja” e o 18 de Maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Ainda pela campanha, na quinta-feira (16), as unidades da Fundação ParáPaz de Belém e do interior do Estado promoverão atividades diversas, com a participação de crianças, adolescentes e famílias. Já o chamado “Dia de Culminância” ocorrerá na sexta-feira (17), às 15h, no auditório do Centur, quando serão apresentadas as novas ações do Programa ParáPaz.

A Semana Paraense de Enfrentamento à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes encerra no sábado (18) com caminhadas e a ação “18 de Maio-Faça Bonito”. A concentração está prevista para às 8h, em Belém, nas praça do Relógio (Ver-o-Peso) da República, e no Entroncamento. Em Ananindeua, será na Praça da Bíblia. Serão repassadas informações sobre a data e como reconhecer as situações de violência, estimulando a denúncia de casos por meio do Disque 100, número nacional e gratuito, para informação dessas e de outras situações de violação dos direitos humanos.

18 de maio – O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes foi instituído em 1998. A data faz referência ao dia da morte da menina Araceli Cabrera Sanches. Com apenas oito anos de idade, ela foi sequestrada em 18 de maio de 1973, drogada, espancada, estuprada e morta por membros de uma tradicional família capixaba. A mobilização de entidades públicas e privadas resultou na criação desse dia de luta pelo fim da exploração sexual de crianças e adolescentes.

Cidadania – Órgão do governo do Pará vinculado à Secretaria de Estado de Articulação da Cidadania, a Fundação ParáPaz, é responsável pela coordenação, articulação e integração das políticas públicas voltadas à infância, adolescência, juventude e às pessoas em situação de vulnerabilidade social, atuando por meio de ações de prevenção, redução e solução de conflitos, promovendo a cultura de paz no estado do Pará. A Parápaz tem unidades em Belém, Marituba e Ananindeua, além de Altamira, Breves, Marabá e Bragança.

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