Mãos à obra!

Construção civil paraense enfrenta baixa competitividade

Dirigentes do Sinduscon propõem mais união entre empresas e maior participação do poder público em busca de soluções

Antônio Couceiro e Acácio Gonçalves, dirigentes do Sinduscon, empenhados na melhoria da competitividade da construção civil do Pará

Um dos fatores que mais tiram o sono da construção civil no Pará é a baixa competitividade. Os motivos que desafiam empresários e o sindicato da categoria não são poucos para superar as barreiras que impedem o crescimento. Esse foi o tema de um seminário promovido pelo Sindicato da Indústria da Construção do Estado do Pará (Sinduscom) dentro da programação da XIV Feira da Indústria do Pará, que se encerra neste sábado.

Em parceria com o Sebrae-PA, a entidade abriu uma discussão  sobre as “Diferenças Competitivas no Mercado da Construção Civil” no Pará. Na noite desta, sexta-feira, 17, ocorreram duas palestras motivadoras de uma discussão necessária sobre soluções, técnicas e táticas para que a qualidade competitiva das construtoras suba alguns andares no Pará.

O engenheiro Antônio Couceiro, vice-presidente do sindicato, diz que a competitividade das empresas da construção civil precisa melhorar muito. Focado na gestão, ele diz que “a competitividade depende  de um conjunto de fatores que repercutem no custo e no preço dos produtos. Preços menores geram mais qualidade, melhor gestão, mais tecnologia, mais segurança e comprometimento”.

Empanando essa lógica, uma matéria-prima perversa, comum aos empreendedores, não só do setor da construção civil, de todo o Brasil: a baixa oferta de financiamento; insegurança de contratos públicos; baixa qualificação da mão de obra, incluindo a falta de formação; impacto fiscal; falta de políticas públicas; juros para além do último andar do edifício da competividade.

Couceiro diz que o financiamento dos projetos é uma questão crucial no Brasil. E compara: “Tem muita empresa sofrendo com a falta de financiamento. E com os juros. Enquanto os juros do crédito ficam em torno de 2.6% em Portugal, no Brasil chega a 12% ou 13%”

Se esse é um problema que deixa os construtores pendurados no pincel dos custos, o transporte é outra questão crucial da competitividade que se agrava no Pará.

 Mas há mais problemas igualmente graves: o engenheiro Acácio Antônio Gonçalves, Diretor de Obras Públicas do Sinduscom, vai mais fundo na análise desse terreno, que se torna mais inseguro quando se trata de contratos com o governo: “Os bancos não consideram esses contratos como garantia de financiamento. Temem que o governo não cumpra o contrato. Convivemos com as muitas alterações dos humores do governo em relação a contratos”.  E isso é mais um obstáculo à competitividade? A resposta dos dois dirigentes sindicais é  uma só: É claro, denota a falta de uma política pública adequada, capaz de ajudar as empresas a superarem barreiras, dizem em coro.

As empresas reclamam a falta de um modelo de seguro, como há na Europa, com o propósito de garantir os financiamentos tomados para custear obras contratadas pelo governo. Acácio diz que um modelo nessa linha, capaz de garantir a execução do contrato, não se viabiliza porque as seguradoras influenciariam diretamente na qualidade da gestão.

Ainda relacionado ao governo, há a questão fiscal: “Recolhemos 23% sobre o valor da nota. De ICMS sobre os materiais que compramos, são mais 17%”. Nesse ponto, Acácio está entusiasmado com o diálogo aberto com o governo do Estado: “Depois de décadas, o sindicato vai sentar com o governador do Estado”, para expor as dificuldades dos setores. Mas com a expectativa de encontrar soluções para algumas questões desse cenário de competividade.

As dificuldades não param por aí. A baixa capacidade industrial do Estado é um problema também grave para a construção civil. “Aqui, só produzimos cimento, ferro, alguns tipos de tinta, tijolos.  Mas não temos, por exemplo, revestimentos (azulejos e pisos) e muitos outros produtos”, pondera Antônio Couceiro.

A infraestrutura de transporte encarece o custo das obras. “Na falta de produtos básicos fabricados  aqui, como tintas, seladores, por exemplo, acabamos por comprar no Nordeste, Sul ou Sudeste por preço muito bom, todavia, no final do processo,  considerando o custo do transporte, acaba ficando muito caro. O poder público é omisso a isso também” – registra Couceiro.

Outro fator negativo é a qualidade da mão de obra. Acácio diz que não há formação necessária; os institutos de formação não ajudam as empresas nesse item; faltam mestre de obra e outros profissionais.

A qualificação é um dos focos primordiais do Sinduscom, atualmente. Acácio informou que a entidade está trabalhando para criar condições de superação desse item de má qualidade nos canteiros de obras que prejudica, no caso, as planilhas de custos. O diretor sindical reconhece que uma outra pedra precisa ser removida do meio do caminho da qualidade competitiva da construção: “As empresas são muito desunidas. Juntas, poderiam equacionar muita coisa”.

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