Toque feminino

Mulher conquista espaço no mercado da construção, mas ainda enfrenta preconceito

Engenheiras contam experiências vividas em canteiro de obras e apontam caminhos para quebrar paradigmas

Não é de hoje que Flaviana Massami se depara com a desconfiança quando o assunto é mulher no canteiro de obras.  Quando foi aprovada em Engenharia Civil, o próprio pai fez a pergunta: "Mas esse curso não é para homem?".

"Até então ele pensou que eu tinha passado em Medicina", disse, decidida a mudar mais que  paradigmas. Tendo iniciado a carreira em campo, a hoje empresária do setor, proprietária da construtora Formatus, compartilhou sua experiência na noite deste sábado (18), em palestra na Feira da Indústria do Pará (Fipa), programação no Espaço Summit do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-PA) em parceria com o Sindicato da Indústria da Construção do Pará (Sinduscon-PA).

Ao público, ela falou de estratégias, da sensibilidade do gênero e do foco para conseguir alcançar a realização profissional nesse campo "masculinizado" e que equivale a 10% da mão de obra nacional conforme dados oficiais da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Preconceito, machismo, assédio, sobretudo falta de oportunidades ainda brecam o crescimento desse índice de aproveitamento feminino no segmento da construção. "Infelizmente ainda há a cultura de a mulher não ter subordinados nessa área", lamentou Alexsandra Pires, também palestrante no evento e que também tornou-se empresária - ela administra a Titan Engenharia há oito anos. "O ruim é que existe competitividade negativa entre as próprias mulheres", lamentou.

Segundo disse, para conseguir se destacar, a mulher tem de atingir um nível de preparação/qualificação maior que o do homem. "É preciso chegar a um diferencial", recomendou.

A estudante do último semestre de Engenharia Civil da Universidade Federal do Pará (UFPA) Vanessa Mesquita, 22, garante que as mulheres são tão competentes quanto os homens. "É preciso que o mercado dê oportunidades", recomendou. "Em nossa classe, de 40 alunos, nós já temos as melhores notas que eles", divertiu-se. Jaqueline Santos, 27, resume o que acha ser a pretensão feminina. "Falta aceitação", apontou.

Rubens Magno, diretor-superintendente do Sebrae-PA, parabenizou a plateia pela interação. Estiveram presentes profissionais e estudantes de cursos como Engenharia Civil e Arquitetura de várias instituições de ensino superior do Estado.

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