A NOVA REVOLUÇÃO

Startup do Parque de Ciência e Tecnologia do Guamá foca na formação de mão de obra para a Indústria

O que as empresas paraenses estão fazendo para entrar, mesmo, na Revolução Industrial 4.0?

Walter Júnior, diretor da Inteceleri, está focado no uso de tecnologia também na indústria.

A XIV Feira da Indústria do Pará, encerrada na noite deste sábado, 18, montou uma programação vasta de eventos para difundir informações, dados e conhecimentos capazes de abrir a cabeça das empresas do Estado para a IV Revolução Industrial.

Especialistas e todas as áreas dizem que essa é a mais radical de todas as revoluções. Iniciada no limiar deste século - consequência de outra revolução, a digital, que por sua vez integra diversas tecnologias - e alterou profundamente a relação do homem com a máquina. E das empresas com o mercado.

A indústria 4.0 resulta da integração de pelo menos nove fatores estabelecidos em vários segmentos tecnológicos dominados pelo mundo digital e a internet. Por exemplo, também as indústrias, para continuarem operando e ser competitivas, ou se estabelecer no mercado, já dependem de um volume de dados que só o Big Data (coleta e análise de gigantescos volumes de dados disponíveis em diversas fontes).  O acesso a essas fontes otimiza a qualidade da produção, economiza energia e melhora o desempenho dos equipamentos. Isso será fundamental.  Além desse, a nova revolução depende de mais oito fatores impactantes: robôs autônomos, simulação, integração de sistemas, internet das coisas, cibersegurança (Cyber Security), computação em nuvem (Cloud Computing), manufatura aditiva e realidade aumentada.

É neste último componente que o professor Walter Júnior, diretor da Inteceleri, startup encubada no Parque de Ciência e Tecnologia do Guamá (PCT Guamá), em Belém, para oferecer ao meio educacional as ferramentas do Google For Education. Agora, a empresa dedica-se a projetar ferramentas digitais que atendam às necessidades da nova realidade industrial que se estabelecerá também na Amazônia.

Presente na Feira, integrando o grupo de empreendedores do (PCT Guamá), ele disse que, utilizando ferramentas da plataforma Google for Education, a Inteceleri vai ser uma porta pioneira no cenário da indústria 4.0 paraense.  “Estamos preparados para entrar no mercado da formação de profissionais que as empresas precisarão para vivenciar isso que se chama de indústria 4.0”, disse.

A Inteceleri quer inserir uma pegada regional às diversas tecnologias que as empresas precisam incorporar para entrar na quarta revolução Industrial: “Vamos criar alternativas locais em conformidade com os conceitos de sustentabilidade ambiental”. Walter está falando do MiritiBoard VR (Virtual Reality), um óculo virtual desenvolvido com o popular miriti (uma espécie de “isopor vegetal” utilizado na fabricação artesanal de brinquedos e outros artefatos, na região do baixo Tocantins, notadamente em Abaetetuba).

Sucesso nas escolas paraenses que já adotaram as ferramentas do Google for Education, o óculos virtual da Inteceleri, com custo reduzidíssimo comparado com os modelos industrias, “poderá se levado também para dentro das fábricas, para treinar operadores de máquinas, trabalhadores de diversos segmentos industriais”, acrescenta Walter.

A empresa vai usar uma nova versão do artefato artesanal. A nova versão do Miriti Board VR usará um papel de miriti desenvolvido por uma empresa de reciclagem instalada em Belém. Walter festeja a experiência da sustentabilidade do produto a partir de uma matéria prima regional.

A realidade virtual está mudando os métodos de formação de mão de obra e no Pará, a Inteceleri será a pioneira ao executar um projeto que está sendo discutido com uma mineradora.  Walter garante que entre as vantagens do uso da realidade virtual está a redução dos custos gerais de treinamento. Além disso, “permitirá reduzir cerca de 60% dos riscos de acidente de treinandos, e vai melhorar a qualidade operacional. Imagine mostrar virtualmente uma área de mineração sem expor o treinando às adversidades do ambiente industrial, operacionalmente perigoso”. Só a realidade virtual poderá fazer isso com simuladores.

Walter acrescenta que o mercado ainda está muito fechado para incorporar essa realidade; mas a empresa trabalhar para fortalecer soluções locais com parceiros de outras áreas tecnológicas. “Queremos gerar ferramentas para que as empresas encontrem suas próprias soluções”.

Que venha, então, também ao Pará, a indústria 4.0. E se espera que isso vire história.

 

OS 9 PILARES TECNOLÓGICOS DA INDÚSTRIA 4.

Segundo a Opencadd, empresa referência na América Latina em Model-Based Design e Model-Based System Engineering, e especialista em tecnologias para a Indústria 4.0, a nova Revolução tem pilares tecnológicos.

Confira:

  1. Big Data e Data Analytics

A capacidade de coletar, organizar e analisar enormes quantidades de dados de fontes diversas é uma das grandes “estrelas” da Indústria 4.0. A aplicação de Big Data e Data Analytics otimiza a qualidade da produção, economiza energia e melhora o desempenho dos equipamentos.

  1. Robôs autônomos

Robôs são utilizados há muito tempo na indústria, mas o diferencial do robô da Indústria 4.0 está na capacidade de trabalhar sem a supervisão humana, agindo de forma inteligente, cooperativa e autônoma. A utilização de robôs autônomos reduz custos com mão de obra e aumenta a produção, tornando as indústrias mais competitivas.

  1. Simulação

Simular virtualmente produtos e materiais já é uma realidade. Na Indústria 4.0, o ambiente virtual envolve máquinas, produtos, processos e pessoas e faz uso de dados do mundo físico. Desta forma, toda a cadeia de criação pode ser simulada.

  1. Integração de Sistemas (horizontais e verticais)

As integrações horizontais e verticais dizem respeito a sistemas de TI, consistente e interligado dentro das empresas (engenharia, produção, serviços, etc.) e fora delas (empresas, fornecedores, distribuidores e clientes). Com redes universais de integração de dados as corporações da quarta revolução industrial nunca estarão isoladas.

  1. Internet das coisas

A quantidade de sensores no mundo hoje já é maior do que a população mundial. Sensores estão por toda parte, fazem parte de nosso dia-a-dia e conectam nossos dispositivos (celulares, TVs, automóveis, eletrodomésticos, entre outros). Essa é a internet das coisas. No contexto de Indústria 4.0, todas as coisas são inteligentes e estão conectadas à internet. Sensores conectados geram dados e dados analisados (data analytics) aumentam a capacidade de tomada de decisão em tempo real.

  1. Cybersecurity

Surge quase que como consequência de vários outros pilares da Indústria 4.0, pois em um mundo altamente conectado e integrado, proteger dados e sistemas das ameaças cibernéticas torna-se um enorme desafio.

  1. Computação em Nuvem

A computação em nuvem já é utilizada por muitas organizações, porém na Indústria 4.0, a performance das tecnologias em nuvem é otimizada pelo aumento da capacidade e velocidade de processamento. Sistemas mais rápidos atraem mais empresas que confiam seus dados e sistemas à nuvem. Entre os benefícios, maior quantidade de dados passíveis de integração e economia de hardware para as organizações.

8 - Impressão 3D, manufatura aditiva

Também chamada de impressão 3D, a manufatura aditiva hoje é utilizada para a produção de protótipos físicos e peças únicas. Na Indústria 4.0, a manufatura aditiva é utilizada em larga escala para a produção de pequenos lotes de peças customizadas, que no modelo de processo tradicional envolve altos custos de personalização, fabricação e transporte.

9 - Realidade Aumentada

A Indústria 4.0 enxerga um enorme potencial na realidade aumentada para a geração e prestação de serviços. Ao permitir interações entre o mundo real e o virtual, esta tecnologia é de grande utilidade para aplicações na medicina e educação, assim como no treinamento profissional de colaboradores.

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