Educação

Aula inaugural marca o início do projeto “Alfabetização em Movimento”

No início desde ano, o projeto ganhou força a partir de um pedido ao prefeito do guardador de carros Francisco Chagas, de 82 anos, que tinha o sonho de aprender a ler e escrever.

Com o objetivo de promover a cidadania para trabalhadores e pessoas em situação de rua a partir da educação, a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semec), promoveu na tarde desta segunda-feira, 20, a aula inaugural do projeto "Alfabetização em Movimento”, no auditório do Mercado de Carne Francisco Bolonha, do Complexo Ver-o–Peso. As duas primeiras turmas do projeto atenderão 40 alunos.

O projeto é resultado de uma iniciativa que vem sendo desenvolvida pela Prefeitura desde 2013 quando foi parceira do Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (Mova) do governo federal, suspenso em 2015. “Com este programa, a Prefeitura de Belém alfabetizou mais de 9 mil pessoas entre 2013 e 2015, recebendo prêmio por ser a capital que conseguiu cumprir as metas determinadas na época”, disse o prefeito Zenaldo Coutinho.

No início desde ano, o projeto ganhou força a partir de um pedido singelo do guardador de carros Francisco Chagas, de 82 anos, que tinha o sonho de aprender a ler e escrever. Com recursos próprios, o prefeito Zenaldo Coutinho resolveu retomar o projeto com um formato itinerante. A Prefeitura vai até as pessoas, transformando a iniciativa no “Alfabetização em Movimento”.

“Hoje nós temos em Belém 98% da população adulta alfabetizada e agora com recursos próprios estamos implantando a primeira turma no Mercado de Carne e a segunda em São Brás. E já estamos preparando a terceira em Mosqueiro. Depois vamos inseri-los na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Queremos integrar essas pessoas para que elas possam exercer plenamente a sua cidadania na cidade”, explicou o prefeito.

A Banda de Música da Guarda Municipal de Belém abriu a aula inaugural e em seguida a secretária municipal de educação, Socorro Aquino, deu as boas-vindas aos alunos, reforçando o compromisso de inseri-los na rede de ensino. “Cada um de vocês vai se desenvolver em tempos diferentes. Mas não desistam na primeira dificuldade. Estamos com professores especializados para ajudá-los”, afirmou a secretária.

Em seguida, os alunos receberam os kits escolares, conheceram os professores Sônia Maria Koury e Dirceu Bahiano Duarte e os técnicos que vão acompanhá-los durante as aulas.

Além de ser a inspiração do projeto e de ser o primeiro a inscrever e o primeiro a chegar para aula, Francisco Chagas também foi o primeiro a receber o kit escolar. “Estou com vontade de estudar. Eu quero ler um jornal, escrever uma carta para um parente, ler a bíblia. Estou muito satisfeito, nunca pensei que um pedido meu ia virar realidade”, disse.

Assim como Francisco, que passou por muitas dificuldades na vida que acabou se afastando da escola, todos os alunos compartilham o sonho de retornar à escola, independentemente da idade ou situação social, como conta a empregada doméstica Maria Augusta Mendes Rocha, de 53 anos. “Eu trabalho em casa de família e foi um sacrifício, porque a minha patroa me mandou fazer uma lista de compras e eu tive que dizer para ela que não sabia escrever. Aí, ela ficou sabendo do projeto e me falou. Eu nunca estudei. Minha mãe morreu quando era pequena. Éramos nove. Aí, minha irmã criou a gente, mas aí fui trabalhar em casa de família e nunca tive tempo de estudar”, contou. 

A história do Elias Lima, de 32 anos, não é diferente. Há quatro anos em situação de rua, ele contou que perdeu a mãe aos 17 anos e não conseguiu morar com a irmã e o cunhado. “A minha assistente social falou do projeto e achei interessante, porque a gente tem que absorver o máximo de conhecimento para a nossa vida. Eu quero sair dessa situação de rua. Quero ter um emprego com carteira assinada, quero poder pagar um aluguel de um quarto, ter minha família”, conta Elias, que já trabalhou de auxiliar de cozinha, professor de dança, e até sabe cortar cabelo, mas que por conta do preconceito por estar na rua, não consegue um emprego.

O projeto tem o apoio da Secretaria Municipal de Economia (Secon) e da Fundação Papa João XXIII (Funpapa). Os 40 alunos estão distribuídos em duas turmas: uma no Mercado de Carne Francisco Bolonha e outra no Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP) de São Brás. As aulas serão nos horários das 14h30 às 17h30.

Depois da aula inaugural, os alunos visitaram a sala de aula e foi oferecido um coquetel para festejar essa nova etapa na vida dos alunos.

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