Show de bola

Mais de 300 crianças jogam feito gente grande na Copa Flamérica

Em cinco categorias, Brasil fica com dois títulos. Uruguai, Chile e Argentina levam os outros três. Mais de 1.200 pais e mães vão à Tuna para torcer pelos filhos, resgatando a alegria do futebol. 

Juliano é um menino de poucas palavras, tem um jeito recatado e exibe um olhar tímido. Isso quando não está jogando bola. Em campo, o garoto é ousado, impõe liderança e esbanja um grande repertório de gols, melhor argumento do futebol. Graças a esse talento, ele deixou o complexo esportivo da Tuna Luso, no início da noite de sexta-feira (12), levando duas taças, um troféu e uma medalha de ouro.

O garoto foi artilheiro, melhor jogador e campeão da categoria sub-9 na nona edição da Copinha Fla, uma competição realizada duas vezes por ano pela Escolinha do Flamengo em Belém, com a participação de 300 meninos e meninas de 5 a 16 anos.

Este ano, o torneio aproveitou o “gancho” da Copa América e colocou em campo os times do Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina, entre outras seleções, divididas em cinco categorias. Os campeões foram Brasil (sub-7), Uruguai (sub-9), Chile (sub-11), Brasil (sub-13) e Argentina (sub-15). Na final entre Brasil e Uruguai, pelo sub-9, que terminou com a goleada de 4 a 1 para os “uruguaios”, Juliano fez três gols e saiu consagrado.

No campo ao lado, em uma das partidas mais acirradas da competição, um dos pequenos atletas que mais se destacam na categoria sub-7, o João Paulo, jogador do Paraguai, não teve a mesma sorte de Juliano. O jogo foi para os pênaltis e o Brasil foi campeão, para desalento do menino, que deixou a Tuna cabisbaixo, amparado pelo pai, José Paulo, encarregado de explicar ao filho que futebol é assim mesmo, que nem a vida: há tempo de plantar e tempo de colher, dia de ganhar e de perder.

Os pais, mães, tios e irmãos dos alunos da escolinha foram protagonistas do próprio espetáculo ao longo dos três dias do torneio. Plantados à beira dos campinhos, feito um renque de ipês coloridos, vestidos em tons de vermelho, amarelo ou azul, de acordo com a camisa dos filhos, eles gritavam, sofriam, comemoravam, alguns iam à loucura a cada jogada dos guris e gurias, ora orgulhosos, ora aflitos e com motivos de sobra para uma coisa e outra, em partidas que tiveram de tudo: defesas espetaculares, gols de placa, jogadas de tirar o fôlego e lances inacreditáveis. 

No primeiro dia do torneio, havia cerca de 1.200 torcedores dividindo-se entre quase 30 times.

“A conexão com os pais é muito importante. São eles que nos dão o feedback sobre alguns aspectos desse trabalho. A Escolinha do Flamengo em Belém não foi criada para formar craques de futebol. Ela nasceu para ajudar na formação de bons meninos, bons filhos, bons cidadãos, bons profissionais, seja qual for a escolha deles no futuro”, observa Márcio Santos, sócio da esposa Marcilene Medeiros na franquia, que já funciona há 8 anos e tem duas unidades na região metropolitana, uma em Belém, no bairro da Pedreira, e a outra na Cidade Nova, em Ananindeua.

Serviço:
A Escolinha do Flamengo de Ananindeua fica Arena Soccer City (Cidade Nova 6, SN 21, N° 11)
Fones: (91) 98431-7540 (Whatsapp) ou (91) 3352-0025

Formar jogadores profissionais pode até não ser o objetivo da Escolinha, mas ela já é um celeiro de pequenos craques. De lá já saíram dois atletas para a categoria de base do Goiás, outro está treinando no Fortaleza, um no Criciúma e vários deles ocupam 70% das vagas em categorias do futsal no Paysandu.

A escolinha é também um lugar de inclusão para alunos com necessidades educacionais especiais. “Temos alunos autistas, temos alunos com Síndrome de Down, vários são especiais. Um dos pré-requisitos para a contratação de professores, além da formação em Educação Física, é a habilidade para promover essa inclusão”, explica Márcio.

“Os torneios são a culminância de uma etapa, a cada final de semestre, em que a criança sai do ambiente de treinamentos e experimenta o ambiente competitivo, onde terá vitórias ou derrotas, vivenciando essas experiências que vão marcar para sempre a vida delas, orientadas sempre para tirar o melhor proveito dessa jornada de socialização pelo esporte. A missão da Escola Fla é ajudar a desenvolver o caráter dessas crianças”, argumenta o coordenador. 

“A escolinha faz muito bem ao João Paulo. Ele se tornou mais extrovertido e descobriu que tem muito talento no futebol, surpreendendo a todos nós”, orgulha-se José Paulo, enquanto abraça o filho, estimulando-o a não esmorecer, porque o garoto tem futuro e no final do ano tem torneio de novo.

“Ele adora futebol, já pensa em ser jogador quando crescer, fazer o quê? O menino é bom…”, diz Marla Batalha, mãe de Juliano, carregando o troféu de campeão do filho enquanto ele ocupa as mãos com as taças de artilheiro e de melhor jogador.

Escolinha revela craques e forma cidadãos para o mundo

A Escola Fla é a maior franquia de escolinhas de futebol do mundo, com quase 18 mil alunos, tem 155 unidades em 21 estados brasileiros, além de estar presente em Miami, em Lisboa e na Austrália. O sucesso desse tipo de empreendimento faz jus à sua origem. 

O Flamengo é a marca mais valiosa do futebol brasileiro, segundo estudo feito pela Consultoria BDO em 2017. Integra a seleta lista de 106 marcas que possuem proteção de alto renome concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O clube carioca está avaliado em R$ 1.693,8 bilhão, o dobro do valor alcamçado em 2013. Além disso, o Flamengo é o único time que supera o Corinthians em número de seguidores na internet. 

Essa perfomance ajuda qualquer negócio relacionado com a marca rubronegra e não é diferente com a franquia da Escola Fla. “Quando o time vai bem, impulsiona muito o número de matrículas. Influencia bastante na captação de novos alunos e na motivação de quem já é matriculado”, constata Márcio Santos, franqueado da marca em Belém, Ananindeua e Santarém. “O Flamengo é contagiante”.

As escolinhas já revelaram craques para o Brasil e o mundo. Como o atacante Vinicius, que saiu da Escolinha Fla em São Gonçalo para o Real Madri, com passagem pela Seleção Brasileira. Mais do que isso, elas se tornaram uma opção segura de diversão e propagação de conteúdos transversais para crianças e adolescentes, que perderam áreas públicas de entretenimento, como os campinhos de várzea, com a urbanização intensa das cidades brasileiras, segundo a pesquisadora Tania Leandra Bandeira, autora de “A importância das escolinhas de futebol”.

“Com a extinção desses campos, surge um novo segmento para a ocupação do espaço perdido por jovens e crianças: as escolinhas de futebol, espaços destinados a crianças e jovens, no intuito de preencher, de uma maneira educativa e recreativa, o vazio que ficou no processo educacional”, diz ela, no livro.

De fato, a prática esportiva, nesses ambientes, tem ligação direta com o aprendizado de valores importantes na formação dos meninos e meninas, além de fazer bem à saúde. As escolinhas afastam as crianças do sedentarismo, ajudam no combate à obesidade, socializam os pequenos atletas, fazem bem ao desenvolvimento cognitivo e estimulam a disciplina e o espírito de equipe.

“As escolinhas têm papel fundamental para a sociedade, independentemente de os alunos chegarem a ser profissionais ou não. O importante é ele ser integrado na sociedade e praticar atividades que o ajudem a melhorar ou manter uma boa qualidade de vida”, resume Márcio Santos.

 Os campeões da Copa Flamérica:

Sub-7: Brasil

Sub-9: Uruguai

Sub-11: Peru

Sub-13: Brasil

Sub-15: Argentina

Serviço:
A Escolinha do Flamengo de Ananindeua fica Arena Soccer City (Cidade Nova 6, SN 21, N° 11)
Fones: (91) 98431-7540 (Whatsapp) ou (91) 3352-0025

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Comentários

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      15 Minutes Ago

      Alaniel Costa

      Parabéns a todos os envolvidos, a escolinha ja é um celeiro de craques e sao dessas competições que saem os futuros atletas.


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