Duelo de titãs

Com nova loja na BR, Atacadão avança na guerra contra Assaí pela preferência do consumidor paraense

Grupo ligado ao Carrefour inaugura o 6º ponto de vendas no estado contra três da rede do Pão-de-Açúcar. Entrada dos gigantes estimula reação das empresas locais, em um mercado que recupera o fôlego e eleva o interesse dos varejistas pela região Norte.

Às 9 horas em ponto, quando se abriram as portas do novo Atacadão da BR, localizado em Ananindeua, perto do Hospital Metropolitano, o que se viu foram cenas típicas de uma blackfriday fora de época ou uma inesperada promoção-relâmpago: uma tsunami de consumidores, determinados a aproveitar desde cedo as mais de 80 ofertas de inauguração, invadiu a loja com a ânsia típica dos entusiastas de promoções do gênero. Assim nasceu o 6º grande ponto de vendas, no Pará, da bandeira Atacadão, uma das líderes nacionais desta simbiose entre varejo e atacado que movimenta o mercado brasileiro de supermercados.

A inauguração, na manhã desta quinta-feira (18), confirma o aquecimento do negócio de autosserviços na região Norte, com o melhor resultado desde fevereiro, segundo o site Mercado&Consumo; reafirma a disposição do grupo Carrefour, dono do Atacadão, em conter o crescimento do GPA, dono do Assaí; e sinaliza que essa guerra ainda verá muitas batalhas em solo paraense, cujas trincheiras serão também ocupadas pelas redes locais de supermercados, que mantêm boas posições no ranking nacional do setor.

Veja como foi:

É um mercado em ebulição. Os gigantes Atacadão e Assaí têm no Pará um terreno fértil para somar resultados que incrementem a performance de suas redes nacionais. Mas no mercado local os titãs enfrentam a resistência de empresas bem posicionadas na preferência do consumidor paraense, a ponto de ocupar posições importantes na 42ª edição do ranking nacional medido pela Associação Brasileira de Supermercados, liderado pelo Grupo Carrefour/Atacadão, com faturamento de R$ 56,3 bilhões, seguido pelo Grupo Pão de Açúcar/Assaí, com faturamento de R$ 53,6 bilhões. O Grupo Líder é o 12º, com faturamento de R$ 3 bilhões, e o Formosa é o 40º, com faturamento de R$ 965 milhões numa lista de quase mil empresas.

Uma pesquisa em pleno andamento, com resultados previstos para serem divulgados em outubro na SuperNorte, maior evento do setor na Amazônia, deverá confirmar a supremacia das redes locais no Pará mas também vai revelar o tamanho do impacto representado pela entrada das grandes redes nacionais, tais como o Assaí, o Atacadão e o Mateus. No mais recente levantamento, produzido pela Associação Paraense dos Supermercados em 2018, constatou-se a existência no estado de mais de 2.500 supermercados, que geram 32 mil empregos diretos, concentrando 63% dessas vagas na Região Metropolitana de Belém, com expectativa de mais de 1.500 admissões em 2019.

Transformação - Enquanto os supermercados paraenses traçam estratégias para não perder espaço com a invasão dos atacarejos, grandes atacados que abriram as portas aos consumidores para faturar com preços atrativos, esses mesmos titãs, Assaí, Atacadão e Mateus, enfrentam a transformação do consumidor, pelo viés da tecnologia. Preço é muito bom, mas não é tudo, em um segmento onde os clientes também querem qualidade, conveniência, atendimento personalizado, informação, prestação de serviços pela internet, cultura digital e facilidades tecnológicas para escolher, pagar e receber os produtos desejados.    

A inauguração do novo Atacadão no Pará confirma a previsão de especialistas de que, em 2019, as grandes redes de supermercados retomam o ciclo de investimentos. "Para 2019, esperamos que o setor de supermercados e hipermercados cresça em torno de 4%", garante o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fábio Bentes, em matéria do Mercado & Consumo.

O maior desafio futuro, admitem os próprios protagonistas desse mercado, sejam grandes, médios ou pequenos, é implantar soluções que permitam a cooperação entre as lojas físicas e as plataformas digitais, criando estratégias de complementaridade, em que o consumidor, cada vez mais conectado, seja estimulado na plataforma digital a frequentar as lojas físicas e vice-versa, atendendo as expectativas dos clientes e assimilando o novo modelo de negócios que deverá dominar o mercado do varejo em breve tempo.

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