CONSCIÊNCIA NEGRA

Projeto “Festival Exú” promove ações e valoriza empreendedores negros

O “Festival Exú de Empreendedorismo e Cultura Afroamazônica” é um projeto cultural de economia solidária e criativa que busca fomentar uma rede de micro e pequenos empreendedores e artistas negros e negras do município de Belém. O festival é um dos 38 projetos patrocinados pela Prefeitura de Belém, por meio da Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel), por meio do edital de projetos culturais de relevância social aprovado no ano de 2018.

O projeto tem o objetivo de levar diversas ações de mapeamento, fortalecimento e articulação do afroempreendedorismo em Belém, além de aumentar as vendas dos empreendedores afros, carentes de iniciativas de incentivo à produção de produtos e serviços oferecidos pela comunidade negra da cidade.

O Festival Exú busca também a inclusão produtiva das áreas econômica, social e artístico-cultural originárias do povo negro e comunidades tradicionais, cujo objetivo central é de dar visibilidade, articular investimentos públicos e privados e construir uma grande rede de desenvolvimento social e econômico para esses grupos populares, que, em sua maioria, se encontram em situação de vulnerabilidade social.

Conexão - A ideia do projeto é conectar as diversas redes de referências de empreendimentos de matriz africana, como forma de olhar a potência do patrimônio africano para as relações de comércio e empoderar a população preta belenense a pensar a maneira que produzem os seus produtos e serviços, a partir de uma herança afroindígena.

Para o coordenador do Festival Exú, Weverton Rodrigues, a ideia do projeto é de levar conhecimento e potencializar as produções da população negra. “Foi de pensar que eu precisava de capacitações e que isso ia potencializar meu negócio. Pensar que eu precisava construir redes, que o meu produto ia precisar trabalhar com esse nicho de pensar a população preta e conectar mais pessoas, e conseguir investimento público pra trabalhar e desenvolver uma metodologia que trabalha diretamente a minha realidade”, detalhou Weverton.

Mapeamento - De acordo com o coordenador, são mais de 150 empreendedores mapeados entre serviços como alimentação, tatuagem, bijuteria, comunicação e animação. Para ele, esse número é um reflexo de uma cidade que tem um forte comércio mantido por uma maioria populacional negra de origem quilombola e do interior do estado.

“A população preta tem que sair da margem e entender que seu potencial de consumo e de produção atinge, principalmente, o centro. Então, é enfocar a maior população do país e de Belém, e mostrar o que essas pessoas produzem e que sua força de trabalho está no centro da cidade”, explicou.

Consciência Negra - Durante mês da Consciência Negra, em novembro, o projeto realizou a Feira Exú de Afroempreendedorismo, em parceria com o Palco Negro Festival de Arte Autoral, na Estação Ferroviária de Icoaraci. O evento contou com mais de 50 expositores negros e negras, que ofereceram produtos e serviços como trançado afro, vestuário, acessórios, artes gráficas, cosméticos naturais e venda de acarajé.

Uma das microempreendedoras presente na feira foi Mãe Juci D’Oyá, baiana de acarajé, que desenvolve esse trabalho há dois anos e meio, em Belém. Proprietária do “Acarajé da Mãe Juci D’Oyá”, ela vende os mais diversos alimentos de matriz africana como acarajé, abará e cocada.

Para a baiana e filha de Iansã, eventos como a Feira Exú são importantes para expandir o micro empreendimento. “Para os microempreendedores é muito importante essas feiras, esses acontecimentos, porque são uma forma de movimentar a economia local e a nossa economia de negros e negras empreendedores”, relatou Mãe Juci.

Tendo o acarajé como prato principal de seu tabuleiro, Mãe Juci explica que, no candomblé, o alimento significa “comer bola de fogo” e é considerado sagrado por ter sido servido por Iansã a Xangô. Por isso, ela não costuma vender somente por questão financeira, mas como forma de respeito à religião de matriz africana.  Foi a primeira vez que vendeu o seu acarajé em Icoaraci.

Biojoias - Suellen Reis é proprietária da Biomarajoara, marca de biojóias que busca valorizar a cultura regional e tem o misticismo da região norte inserido em suas peças. Criada em 2008, a marca traz, com exclusividade, brincos enfeitados com farinha d’água natural, uma coleção feita com tajás (planta típica da região), peças feitas de madeira reaproveitada de umari, com iconografia marajoara, além e brincos, colares e anéis feitos com ervas usadas em atrativos e banhos.  

De acordo com Suelle, o evento serviu para expandir para o público o conhecimento sobre plantas da região amazônica. “Foi importante para visibilizar a questão das plantas atrativas e mostrar toda a diversidade dos saberes populares que possuímos dentro do nosso cotidiano e nem percebemos”, explica a empreendedora.

Ações do projeto - Neste ano, o projeto realizou vivências como comunicação e elaboração de projetos para casas de axé, em parceria com o Afrolab, projeto de imersão criativa e apoio ao empreendedorismo para mulheres negras, promovido pela Feira Preta de São Paulo em capitais do país; e a participação no Festival de Cultura Marajoara, por meio da Feira Itinerante, onde o Festival Exú levou cerca de 10 afroempreendedoras para vender seus produtos.

O “Festival Exú” também realizou o encontro Afrohub Belém, com capacitação em redes sociais e gestão para pequenos negócios, além de dar apoio para a realização do I Festival de Cinema Negro Zélia Amador de Deus.

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