ANIVERSÁRIO DE BELÉM

Filme "Um Dia Qualquer", de Líbero Luxardo, é exibido no domingo, dia 12

Para celebrar o aniversário de 404 anos de fundação de Belém, comemorado no próximo dia 12, domingo, o Cinema Olympia preparou uma programação especial, que é parte integrante das celebrações pela data. A programação é gratuita.

A celebração de aniversário, no Cine Olympia, tem início nesta quinta-feira, 9, às 18h30, com a exibição da websérie paraense “Pretas”, que segue em cartaz até sábado, 11. No dia 12, domingo, a partir das 16h30, a tela do Olympia recebe a exibição do longa metragem “Um Dia Qualquer”, direção de Líbero Luxardo, e, na oportunidade haverá uma homenagem ao ator paraense Cláudio Barradas, que trabalhou como ator nos quatro filmes de ficção que Luxardo dirigiu no Pará.

Pretas - A websérie “Pretas” ganha exibição, em episódios, nos dias 9 e 10, às 18h30, e no sábado, 11, às 16h30, com classificação indicativa de 14 anos.

“Pretas” mostra, em nove episódios, histórias que trazem discussões sobre aceitação, sexualidade, solidão, intolerância religiosa e que mostram a humanidade da mulher preta. A série é uma produção colaborativa paraense, com direção de Lucas Moraga, e roteiros de Joyce Cursino e Priscilla Silva.

A obra já recebeu diversos prêmios como no Festival Osga de Vídeos Universitários de 2016. No ano seguinte, venceu o Festival da Freguesia do Ó, em São Paulo, na categoria Melhor Episódio Piloto; além de ter sido selecionada para o 39º Festival du Court Métrage de Clermont-Ferrand, na França, considerado um dos maiores festivais de cinema do mundo. Em 2018, a produção foi premiada como a melhor série de diversidade no Rio Web Fest, importante festival internacional de webséries.

Um Dia Qualquer - O filme “Um Dia Qualquer”, direção do paulista Líbero Luxardo, foi lançado em Belém, em 1965, e tem 100 minutos de duração. A trama se passa durante 24 horas em uma Belém ainda provinciana. Carlos (Hélio Castro) vaga pela cidade, após a morte da esposa (Lenira Guimarães), relembrando lugares que eles frequentavam e conhecendo outros ainda ignorados, em uma relação de incompreensão e desespero, com a perda da mulher impulsionando Carlos à perda de si próprio.

A trajetória de Carlos passa pelo cemitério da Soledade, segue para a praça Batista Campos, onde ele ajuda um homem que está sendo ultrajado pelos transeuntes, porque proclama que o fim do mundo está próximo; acompanha um ‘rato d´água’ que rouba peças em prata da igreja do Carmo; passa pelo Ver-o-Peso, na véspera do dia de São João, onde a cantora lírica paraense Marina Monarcha canta uma canção de Waldemar Henrique para vender os produtos típicos da feira.

Carlos ainda passará por um terreiro de umbanda no bairro da Pedreira; relembra a aventura de uma moça da ‘sociedade paraense’ que se encanta com um turista americano e faz um strip-tease para ele, em um igarapé, às margens da estrada que leva a Mosqueiro. Carlos também se recorda de uma festa na antiga boate Maloca, na qual as atrações são o cantor Alípio Martins e o violonista Sebastião Tapajós, mas que também tem espaço para uma cena muito difícil para outra jovem da ‘sociedade paraense’.

O filme se encaminha para o final, em uma cena trágica, que teve, antes, o boi Malhadinho, do bairro do Guamá, em uma apresentação na praça da República.

Luxardo - Líbero Luxardo nasceu em Sorocaba (SP), em 5 de novembro de 1908, e morreu em Belém, em 2 de novembro de 1980, vítima de câncer de próstata. Ele foi diretor, produtor, roteirista, jornalista, escritor, político e professor, que fez sucesso no cinema paraense e foi um dos pioneiros do cinema na Amazônia.

O pai e o irmão de Luxardo eram também cineastas e, tinham um estúdio que produzia filmes sobre os eventos da região paulista, exibidos no cinema local. O primeiro filme em que Luxardo participou foi a direção de uma sequência de “O Crime da Mala”, de 1929, dirigido por Francisco Campos.

Na década de 1930, ele foi para a cidade de Campo Grande (MS), onde iniciou o ciclo mato-grossense. Começou uma parceria com o fotógrafo Alexandre Wulfes, e filmou “A Retirada de Laguna”, baseado no livro de Visconde de Taunay sobre a Guerra do Paraguai. A partir disso, surgiu o filme “Alma do Brasil”, de 1932.

No início da década de 1940, Luxardo veio para Belém, onde conheceu e trabalhou com o então governador do Estado, Magalhães Barata, produzindo documentários sobre o político. Essa relação com a política levou Líbero a se tornar deputado estadual, anos depois.

No Pará, Luxardo foi pioneiro na filmagem de cinejornais e longas com atores e técnicos paraenses. Seus filmes exaltavam a cultura do Pará, não só por meio do elenco, quase que exclusivamente paraense, como também pela trilha sonora dos filmes, que utilizava obras de compositores locais, como o maestro Waldemar Henrique e o compositor Paulo André Barata.

Os filmes de Líbero Luxardo são de extrema importância para o cinema brasileiro, uma vez que, foram os primeiros longas metragens realizados no Pará, e fazem parte do acervo do Museu da Imagem e do Som do Estado do Pará (MIS-PA), sendo o mais importante patrimônio cinematográfico do Estado.

Luxardo também dirigiu os longas de ficção, pela ordem, “Marajó - Barreira do Mar”, “Um Diamante e Cinco Balas” e “Brutos Inocentes”, este, o único colorido. Dos quatro, somente “Um Diamante e Cinco Balas” não está disponível no acervo do MIS-PA, porque a única cópia do filme foi perdida. Em 1986, foi inaugurado o Cine Líbero Luxardo, no térreo do prédio do Centur, em homenagem ao cineasta.

Barradas - Antes da exibição de “Um Dia Qualquer”, no domingo, haverá uma homenagem ao ator paraense Cláudio Barradas, que atuou em quatro longas metragens, sob a direção de Líbero Luxardo. Ele é um pai de santo em “Um Dia Qualquer”; um vaqueiro falastrão em “Marajó - Barreira do Mar”; um peão em “Um Diamante e Cinco Balas”; e um padre em “Brutos Inocentes”.

Barradas tem formação de ator em teatro, e atuou em várias peças teatrais em Belém. Foi também professor em algumas escolas, como na antiga Escola Técnica Federal do Pará. Aos 13 anos, ele entrara para um seminário, mas o abandonou para ser ator. Muitos anos depois, Barradas voltou-se à religião, se consagrando padre, função na qual atua em algumas paróquias de Belém.

Serviço: Exibição do filme “Um Dia Qualquer”, direção de Líbero Luxardo, e homenagem ao ator paraense Cláudio Barradas, programação do aniversário de 404 anos de Belém, domingo, 12, às 16h30, no Cinema Olympia (avenida Presidente Vargas). Entrada gratuita.

Tags

Belém404Anos fumbel

Comentários

*Os comentários não representam a opinião do site, a responsabilidade é do autor da mensagem.


  • in this conversation
      Media preview placeholder