Memória

Sobre a consolidação do Dia do Quadrinho Nacional em Belém

Grupos de quadrinistas trouxeram e perpetuaram a comemoração do Dia do Quadrinho Nacional na capital paraense.

Em 30 de janeiro de 1869, a revista ilustrada A Vida Fluminense, do Rio de Janeiro, publicou em suas páginas o primeiro capítulo daquela que é considerada a primeira história em quadrinhos brasileira: As aventuras de “Nhô- Quim”, ou Impressões de uma viagem à Corte, de autoria do caricaturista italiano Angelo Agostini. E, em reconhecimento ao pioneirismo da obra, a Associação dos Quadrinistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo (AQC – ESP) instituiu, no ano de 1984, que seria comemorado o Dia do Quadrinho Nacional a cada 30 de janeiro.

Na capital paraense, remonta a 1992 a primeira celebração dessa data. Naquele 30 de janeiro, a Casa da Linguagem abrigou uma exposição com parte do acervo dos integrantes do grupo Ponto de Fuga, além de uma mesa redonda composta por desenhistas, artistas gráficos, roteiristas, escritores e pesquisadores. Formado em 1990, a partir de uma oficina que o desenhista Joe Bennett e o roteirista Gian Danton ministraram no Centur, o Ponto de Fuga inaugurou em Belém o movimento de articulação de quadrinistas em grupos e coletivos, com o intuito de produzir, publicar, promover eventos e desenvolver a cena de quadrinhos local.

Não só em 1992 como também, por exemplo, em 1997 e em 1998 o Dia do Quadrinho Nacional foi organizado pelo Ponto de Fuga. Em 1997, repetiu-se a parceria com a Casa da Linguagem (com apoio da Fundação Curro Velho; ambos, além do próprio Centur, funcionaram como espaços de reuniões do grupo), ao passo que, no ano seguinte, a comemoração ocorreu no local denominado Na Morada da Arte, onde o grupo firmou sua sede juntamente com outras seis associações artísticas.

Programação referente ao Dia do Quadrinho Nacional de 1997. Retirada do 
Fanzine Ponto de Fuga nº9. Foto: Juliana Angelim.

Em consequência de um workshop de quadrinhos presidido por Miguel Imbiriba no Instituto de Artes do Pará (IAP), surgiu, em 2007, o Catarse Quadrinhos. De 2010 a 2012, foi esse grupo – em colaboração com o Centur – o responsável pela realização do evento, agora contando com mais dias de programação e tendo seu nome alterado para Semana do Quadrinho Nacional. Porém, até então, periodicidade e lugar permaneceram incertos. Segundo Andrei Miralha, Técnico em Gestão Cultural da Fundação Cultural do Pará e atual curador do evento, a Semana (ou o Dia) do Quadrinho Nacional não foi organizada em todos os anos após 1992; de forma que, enquanto não houve registro de sua ocorrência em alguns anos, em outros, teria sucedido duas vezes em Belém, em diferentes locais.

Divulgação da Semana do Quadrinho de 2011. Retirado do blog do Catarse
Quadrinhos.

A partir de 2015, com a reunião dos espaços culturais sob o nome Fundação Cultural do Pará[1], o evento entra oficialmente para a agenda do Centur e da Biblioteca Pública Arthur Vianna, onde opera a Gibiteca. É assim que, embora no corrente 2020 contabilizamos a 6ª Semana do Quadrinho Nacional, desde 1992, Belém já havia aderido à tradição de homenagear e incentivar a produção local/nacional de quadrinhos durante o 30 de janeiro.

Lembrando que a programação deste ano teve início na última segunda, 27, e vai até sexta-feira, 31. 

 


[1] A Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves (Sede Centur), a Casa da Linguagem, a Fundação Curro Velho (atualmente, Núcleo de Oficinas Curro Velho) o Instituto de Artes do Pará (que se converte em Casa das Artes) e o Teatro Experimental Waldemar Henrique, tornaram-se, em 2015, unidades englobadas pela Fundação Cultural do Pará.

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HQ Ponto de Fuga Semana do Quadrinho Nacional

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