Patrimônio histórico
(Foto: RedePara.Web.ViewModels.Sgn.Foto?.credito)
O Complexo Ver- o –Peso, espaço turístico com funções econômicas e culturais que simboliza parte da história da colonização portuguesa na Amazônia, é conhecido como principal cartão postal da cidade. O local, que já foi considerado a maior feira a céu aberto da América Latina, completa 393 anos de fundação no próximo dia 27 de março.
Este mês deveria ser marcado por preparativos para mais uma data festiva. No entanto, o espaço é pauta de polêmicas sobre a tão esperada reforma, iniciada pela Prefeitura, mas embargada no último dia 10 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
De acordo com o Iphan, as construções em alvenaria de quiosques, às proximidades das barracas tradicionais do complexo, não estavam de acordo com o projeto apresentado pela prefeitura. As instalações deveriam ser feitas de madeira, mas estavam sendo construídas em alvenaria, diferente do que consta no projeto original. Essa constatação foi confirmada pela própria Prefeitura, em nota encaminhada à imprensa.
“A Prefeitura, devido a Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb) não ter a licença para a troca de material dos boxes provisórios das obras de reforma da feira do Ver-o-Peso, resolveu demolir o início da construção da estrutura temporária, que seria usada para o remanejamento em etapas dos permissionários”. Afirmou a Prefeitura Municipal, por meio de sua assessoria de imprensa, que assegurou que a construção em alvenaria buscava melhor higienização e segurança para os feirantes.
A Prefeitura esclareceu também que a empresa responsável pela obra assumiu o ônus da construção inicial e que fará a alteração para madeira, não ocasionando nenhum custo adicional para o município.
Reforma - Ano passado a Prefeitura de Belém anunciou que já está assegurado o recurso financeiros de R$ 40 milhões para a obra de revitalização do Ver-o-Peso. O projeto vem passando por adequações desde 2014 para que a obra seja liberada pelo Iphan.
No projeto original consta uma série de mudanças estruturais pelas quais o mercado deve passar. Uma dessas mudanças deve ocorrer no Setor 1, destinado aos industrializados (ferragens, confecções e importados). Nele, as barracas serão maiores, passando de 1,95m² para 4,00m², tendo uma nova disposição interna para prateleiras e expositores.
Com a reforma, a área da feira terá corredores de até 3 metros de largura e um corredor principal com 6 metros. Todos serão sinalizados para facilitar o fluxo dos consumidores e, ao mesmo tempo, garantir maior segurança no espaço.
Além disso, o projeto também prevê instalação de banheiros com box para banho, tanto para homens, quanto mulheres.
E ainda haverá espaço para 80 contêineres para melhorar o acondicionamento do lixo até o momento da coleta.
Independente da polêmica instalada acerca da engenharia adotada para a reforma, o que a sociedade paraense e os turistas reivindicam é que o Complexo do Ver-o-Peso, seja restaurado e utilizado dentro das condições mínimas de segurança e higiene.
Patrimônio - Localizado às margens da baia do Guajará, em Belém, o Ver-o-Peso carrega inúmeros títulos: principal cartão postal de Belém, maior feira aberta da América Latina, uma das Sete Maravilhas do Brasil.
Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico e Nacional (IPHAN) em 1977, o Ver-o-Peso é conhecido pelos grandes chef´s da alta gastronomia internacional, por suas especiarias, ervas exóticas e pelos mais de 40 tipos de pescados.
O lugar inspirou o chef paraense Paulo Martins a criar o Festival Gastronômico Ver-o-Peso da Cozinha Paraense (http://www.veropesodacozinhaparaense.com.br), que há quase duas décadas atraiu especialistas da culinária mundial ao Pará, a exemplo de Alex Atala, Mônica Rangel, Bel Coelho, Helena Rizzo, entre outros.
Fundado em março de 1687, o Ver-o-Peso funcionava inicialmente como entreposto fiscal ,onde os portugueses estabeleceram um rígido controle alfandegário na Amazônia, criando ali um posto de fiscalização e tributos – a casa do Haver o Peso - onde um funcionário público com uma balança mediava as transações comerciais da época para conferir o peso exato das mercadorias e cobrar os respectivos impostos para a coroa portuguesa.
A Casa do Haver- o - Peso funcionou até meados de outubro de 1839 quando a repartição foi extinta e o espaço foi arrendado e destinado à venda de peixe fresco. Desde então, o Complexo do Ver-Peso, com seus 30 mil metros quadrados é composto pelo Mercado de Carne, Mercado de Peixe, Praça de Alimentação, Solar do Beira e Feira do Açaí. O espaço recebe por dia cerca de 50 mil pessoas, entre elas, turistas de vários lugares do Brasil e do Mundo
Solar da Beira - Outro equipamento que faz parte do complexo e que está passando por reformas, é o Solar da Beira. A Prefeitura de Belém anunciou no dia 20/03/2019 o início dos trabalhos, depois de 19 anos sem reforma.
Obra está estimada em R$ 4 milhões e tem previsão de conclusão em 8 oito meses, segundo a Prefeitura de Belém. O processo, que será coordenado pela Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb. A última vez que o espaço passou por uma reforma conservativa foi no ano de 2000.
Por estar inserida em área de tombamento federal e municipal, a obra já passou pela aprovação e está licenciada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan Pará) e Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel).
O imóvel se encontrava totalmente abandonado e sem funcionamento.
Depois de reformado, o Solar contemplará um espaço para exposição permanente, com divulgação cultural de produtos da região amazônica e o artesanato do espaço da Feira do Ver-o-Peso. Também terá uma sala para exposições temporárias, cursos e eventos.
O trabalho de restauro inclui ainda o anexo que fica ao lado do Solar, que atualmente é um local de venda de lanche. Está sendo necessário fazer o deslocamento de alguns ambulantes do entorno do prédio, para instalação de tapumes.
O Solar da Beira foi construído no século XIX, após o surgimento do Ver-o-Peso. O espaço histórico vem ao longo do tempo passando por um processo lento e gradual de degradação, com surgimento de infiltrações e comprometimento nas instalações elétricas e estruturais.
Com a colaboração de Ronaldo Quadros
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