Copa na Rússia

O capitalismo não perdoa

A publicidade reinventa o capitalismo o tempo todo.

O capitalismo é um carro guiado pelo mercado publicitário. E o pior, um carro sem freio. A regra é seguir sem parar, acelerar, avançar a estrada, mesmo que ocorram inúmeros atropelamentos.

Não existe espaço para a solidariedade real. O objetivo é lucrar o tempo todo e transformar o tempo (todo) em dinheiro. Por isso o mercado publicitário é um condutor essencial e ideal nesse trajeto.

A publicidade e propaganda ajudam o capitalismo a se reinventar. Exemplos não faltam: Compre a camisa da marca A para ajudar os desabrigados pela chuva, consuma o refrigerante da marca B para apoiar o instituto de crianças da cidade, use o tênis da marca C e ajude os meninos da comunidade que nem sabemos se existe.

As marcas viraram sobrenomes, nomes do meio e vírgula de diversos ambientes e serviços oferecidos pelo sistema. Vá para a Arena da marca D de futebol, assista o campeonato da marca E brasileiro, não perca o Torneio da Marca F de vôlei, não esqueça da corrida da marca G de verão.

Compre, beba, use, experimente! O mercado publicitário avança tanto que não será surpresa se em breve tivermos o Círio da marca H de Nazaré, a Igreja da marca I de Jesus ou a Festividade da marca J do santo popular. Não existe freio.

A publicidade reinventa o capitalismo o tempo todo. E o pedido de perdão da marca L, ou melhor, o pedido de perdão “Gillette” do Neymar é a prova disso. O que poderia ser um simples pedido de desculpas feito por alguém cheio de erros e acertos como todos nós se transforma num desabafo patrocinado com um roteiro impecável exibido no horário mais caro da TV brasileira.

Não. Literalmente, não existe perdão nesse sistema. O capitalismo é uma máquina da marca M de moer gente da marca N. O tempo todo.

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