Sustentabilidade

Empresas investem na compostagem para geração de adubo natural

Imerys e MRN adotam boas práticas que contribuem para adequada destinação de resíduos orgânicos em Ipixuna do Pará e Porto Trombetas

De acordo com Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), cerca de 51% de todos os resíduos produzidos no Brasil são orgânicos. Esse percentual representa 36,5 milhões de toneladas por ano e apenas 1% é tratado de forma adequada.

Alternativa para o gerenciamento de resíduos orgânicos, a compostagem reduz custos com destinação final, a quantidade de lixo e o impacto ao meio ambiente. Ao invés de seguir para aterros sanitários, o material resultante do processo pode passar a ser usado como adubo orgânico. Algumas indústrias de mineração que operam no Pará adotaram esta prática com resultados bastante positivos.         

A Imerys, mineradora que atua com caulim em duas minas no município paraense de Ipixuna do Pará, já utilizava o processo na PPSA e o bom exemplo acabou sendo replicado na outra mina da empresa, a RCC, onde aproximadamente 60% de todo o resíduo orgânico gerado é aproveitado. “São muitas possibilidades porque também podemos compostar cascas, grãos e sementes em geral, a borra e o filtro do café, o saquinho do chá, o hashi da comida japonesa”, conta o técnico Ambiental da Imerys, Mauro Cunha.

Na mina PPSA, a empresa verifica média mensal de aproximadamente duas toneladas de resíduos orgânicos geradas no restaurante, que são 100% reaproveitados na compostagem. “No ano passado, colocamos a máquina de compostagem em operação. Os custos com toda a destinação final para empresas que recolhiam os resíduos orgânicos para incineração, praticamente, foram zerados. Além do ganho econômico, temos o ganho ambiental, utilizando o material processado na compostagem como adubo nas áreas de recuperação”, afirma Rafael Ferreira, biólogo da Imerys.

O processo de compostagem reaproveita a matéria orgânica contida em restos de origem animal ou vegetal, que por meio de um processo biológico de decomposição formam um composto. “Todo esse processo dura 24 horas. Após esse período, retiramos 30% do material e deixamos 70% para função dos micro-organismos, necessários para acelerar a decomposição da matéria orgânica”, explica Ferreira.

O composto orgânico pode ter várias finalidades. Uma delas é ser utilizado no Programa de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) para ajudar no enriquecimento da matéria orgânica. “Entre os principais benefícios da compostagem estão a destinação mais adequada dos resíduos orgânicos para natureza; a substituição do uso de adubos químicos por compostos orgânicos no meio ambiente e a redução da quantidade de resíduos a serem enviados para aterros sanitários”, conclui Mauro Cunha.

Na Mineração Rio do Norte (MRN), que opera a mineração de bauxita no distrito de Porto Trombetas, em Oriximiná, Oeste do Pará, mensalmente, são reaproveitados, em média, 5 toneladas de resíduos orgânicos através da compostagem, que é realizada desde 2002 pela Gerência de Administração de Infraestrutura da empresa, atendendo às legislações ambientais vigentes como a Lei 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos Urbanos (PNRS). “Ao realizar o reaproveitamento desse tipo de resíduos, o produto da compostagem, que é o adubo orgânico, é utilizado em jardinagem das residências da vila de Porto Trombetas”, comenta Carlisson Alves Romano, Engenheiro Sanitarista e Ambiental da MRN.

A boa prática é realizada na Central de Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos (CTR) e visa, entre outros fatores, a redução da quantidade de resíduos descartados no aterro sanitário do distrito. Esta etapa faz parte do programa de coleta seletiva de resíduos sólidos, feita pelos moradores. A coleta de orgânicos é realizada toda segunda, quarta e sexta-feira. Já os resíduos inorgânicos são coletados na terça e quinta-feira.

Na prática, a compostagem reaproveita os resíduos orgânicos oriundos do descarte de resíduos das casas e restaurantes industriais e de comunitários na vila residencial. “Para que o processo de compostagem dê certo, é necessário que a coleta seletiva de resíduos sólidos seja atendida. Os resíduos orgânicos coletados são direcionados para a CTR. Lá, acontece a mistura com resíduo vegetal (capim/grama) oriundos do serviço de roçagem das áreas verdes da vila residencial. O processo de mistura de orgânicos com vegetal ocorre numa área específica da CTR. O tempo de processo é de 90 a 110 dias”, relata Carlisson.

Entre os principais benefícios da compostagem para a empresa e o meio ambiente estão a redução de resíduos destinados para o aterro sanitário e, consequentemente, o aumento da vida útil do aterro, a doação do adubo orgânico para moradores da vila residencial, que o utilizam em jardinagem, e o valor ambiental desta boa prática.

Texto: Fabiana Gomes

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