Covid-19

Solidariedade paraense em tempos de pandemia

Em meio a pandemia de Coronavírus, iniciativas de solidariedade se multiplicam pelo Pará

“Se você tem mais de 60 anos, posso ir ao mercado para você, sem problemas ou custo. Só me avisar antes para eu me programar". A mensagem publicada no grupo de Whatsapp de um condomínio no bairro do Marco, em Belém, é uma iniciativa da estudante Juliana Duarte, 20 anos. A atitude, que tem se multiplicado por diferentes lugares do mundo, foi uma forma que a jovem encontrou para ajudar os vizinhos idosos que moram sozinho e estão no grupo de risco do Covid-19. 

“Estamos vivendo um momento atípico. É hora de pensar no coletivo. Caso contrário a gente vai chegar em situações extremas como na Itália, por exemplo. Por isso tomei essa decisão. É uma tentativa de me colocar um pouquinho no lugar do outro e ver como eu posso ajudar", explica a jovem.

O combate ao Coronavírus tem estimulado diversas ações de solidariedade e união pelo país e o mundo. Em Belém, não é diferente. Assim como a Juliana, a psicóloga Carla Guerra tem se colocado à disposição das pessoas mais fragilizadas nesse momento de isolamento social temporário. Especialista em saúde mental, Carla publicou um post no Facebook na última sexta-feira (20) informando estar disponível a ouvir pessoas que estão se sentido ansiosas, depressivas e afetadas mentalmente pela quarentena provocada pelo Covid-19. 

A postagem viralizou em poucas horas. Até a noite neste domingo (22) apresentava 82 comentários, 320 compartilhamentos e cerca de 250 curtidas. 

Postagem da psicóloga Carla Guerra no Facebook


“Eu confesso que fiquei surpresa com a repercussão da postagem. Em menos de 24 horas da publicação eu fiz uma média de 35 atendimentos. Pessoas de Belém, de outros estados, gente dos mais diversos perfis como homens, mulheres, jovens, adultos me procuraram para relatar suas angustias e pedir algum tipo de orientação”, afirma a psicóloga.

Segundo ela, o excesso de informação sobre o novo Coronavírus e o estresse provocado pelo ajuste de rotina são os principais responsáveis pela alteração da saúde mental neste momento. “O sentimento de medo e ansiedade com as consequências que o novo vírus pode causar aliado à preocupação sobre ter o que fazer durante a quarentena, têm ocasionado reflexos emocionais em muitas pessoas. Cuidar da saúde mental é crucial para atravessar esse período sem traumas”.


Mobilização coletiva 

Em meio à quarentena e a pandemia causada pelo novo Coronavírus, exemplos de solidariedade também se espalham pelo interior do Pará. No município de Viseu, nordeste paraense, um grupo de funcionários da escola pública Dr. Abel Chaves resolveu fazer uma campanha para arrecadar materiais de higiene e doar para famílias carentes da cidade.

Funcionários da escola Abel Chaves, em Viseu.

“Essa inciativa nasceu da necessidade de ser fazer alguma coisa além das orientações por mensagens. Todos nós já sabemos que é preciso lavar as mãos com água e sabão para se evitar o contágio do vírus, mas só informação não basta. Precisamos de ação, precisamos levar água e sabão para quem não tem. Por isso, pensamos em arrecadar itens básicos de higiene e doar para quem mais precisa”, conta a professora Maria Auxiliadora, uma das idealizadoras da campanha.

A campanha tem movimentado os moradores da cidade. Segundo a educadora, cerca de 35 voluntários participam ativamente da arrecadação de doações como sabonete, sabão em barra, água sanitária, sabão em pó, shampoo e creme dental. O número de materiais arrecadados ainda é pouco. Por isso, os voluntários tem se mobilizado nas redes sociais para aumentar a arrecadação. Para agendar a coleta ou ter mais informações sobre a campanha basta ligar no contato: (91) 98711-1369.

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Novo coronavírus solidariedade Viseu

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