Educação

Escolas e universidades investem em alta tecnologia para manter ensino de qualidade

Instituições particulares realizam atendimento domiciliar e ensino à distância, cobrando mensalidades integrais, Sinepe diz que cobrança não é irregular.

A pandemia do novo coronavírus (Covid-19) surpreendeu a todos e para evitar que o contágio fosse veloz, o governador do Estado do Pará, Helder Barbalho e o prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, anunciaram medidas para impedir aglomerações. O Sindicato dos Estabelecimentos Particulares do Estado do Pará (Sinepe-PA) acompanhou e até antecipou as medidas recomendando que escolas, cursinhos, universidades e faculdades particulares suspendessem aulas presenciais.

Mesmo com a suspensão de aulas presenciais, as instituições continuam cobrando o valor integral das mensalidades. Pais e responsáveis indagaram sobre os valores, mas a presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares do Estado do Pará (Sinepe/PA), Beatriz Padovani, esclarece que é preciso manter a regularidade dos pagamentos mensais para que as escolas consigam cumprir a folha de pagamento dos funcionários e fornecedores. “Sem a continuidade dos contratos, sem os recebimentos dos encargos educacionais das mensalidades, as escolas não poderão pagar seus professores, funcionários e demais custos”, frisa a presidente do sindicato.

Em foco: Beatriz Padovani, presidente do Sinepe/PA.

As escolas estão superando as dificuldades e ofertando educação com qualidade e de forma atrativa para os alunos. “Investimentos grandes estão sendo realizados em equipamentos, tecnologias, plataformas e capacitações para fazer frente às novas demandas da educação nesse momento de crise”, afirma.

Lucy, de apenas sete anos, está sem aulas presenciais desde 19 de março, mas tem a ajuda da mãe Sophia Jares, 31 anos, nas atividades online passadas pela instituição. “A princípio a escola passou alguns exercícios impressos e avisos de tarefas para serem feitas nos livros, mas com o aumento do prazo de suspensão das aulas, eles optaram por investir no ensino online”, conta.

A cobrança do valor integral não é irregular, já que as escolas continuam oferecendo ensino e aulas online, segundo o Sinepe. A taxa de desconto seria então, uma opção, já que os preços dos encargos são baseados nas planilhas de cada instituição de ensino.

A presidente do sindicato afirma que não houve redução de gastos e sim o aumento deles durante a suspensão de aulas por causa do Covid-19. “Portanto se alguns pensam que houve uma redução de custos para o estabelecimento, há de se ponderar que houve um acréscimo de custos no sentido de implementação de metodologias novas que possam vir a atender e dar continuidade ao ano letivo”, relembra Padovani.

A tecnologia agora não serve apenas para vídeos no YouTube e jogos, mas agora também como uma ferramenta educacional. “Eles anexam exercícios no Google ClassRoom para a criança fazer diariamente. O que eu acho muito bom, porque a criança não fica parada, está sempre exercitando a mente e, além disso, eles postaram algumas videoaulas de educação física para criança cumprir também”, elogia Sophia.

Para que haja um bom funcionamento das escolas, faculdades e universidades é preciso que os pagamentos dos colaboradores e despesas estejam em dia. “Solicitamos a todos, vamos manter a regularidade do setor. Vamos manter a regularidade das mensalidades, a regularidade do pagamento de professores, funcionários e fornecedores. Vamos sim, juntos, dar continuidade ao nosso ano letivo de 2020”, reafirma Padovani.

Para Sophia, a instituição continua oferecendo ensino com qualidade mesmo à distância. “Acredito que a escola esteja investindo e dando uma atenção maior sim ao ensino dos alunos, mesmo com todo esse cenário, pra assegurar que o ano letivo não seja interrompido ou frustrado com tudo isso”.
Instituições de ensino superior também driblam dificuldades da pandemia e oferecem aulas ao vivo.

As instituições de ensino superior também tiveram que reinventar a maneira de ministrar aulas, já que as disciplinas costumam ser mais teóricas e matérias mais densas. A professora do curso de Letras, Sabrina Arrais, diz está em processo de adaptação, mas que com certeza o atendimento aos alunos será intensificado. “As aulas estão ocorrendo ao vivo, por uma plataforma da Microsoft (Microsoft Teams) e iniciam no horário das aulas presenciais, mas com a duração um pouco menor. Em média elas duram de 50 minutos”.

Os materiais são disponibilizados previamente e no momento das aulas explicamos o conteúdo e interagimos com os alunos. “Como nós precisamos tornar tudo bem interativo, até mesmo pra não se tornar cansativo pro aluno, o trabalho de preparação acaba sendo redobrado, principalmente porque o planejamento que já estava feito passou a ser completamente reconfigurado. Além disso existe a preparação pra manusear a plataforma em si, o estudo tem sido diário”, explica a professora.

O estudante de publicidade, Daniel Sampaio, 26 anos, afirma que ministrar aula online foi uma boa sacada das instituições de ensino. “É bom, tenho horário normal de aula. Tenho boa comunicação com o professor, porque é como aula normal, pois é ao vivo”, afirma. O horário de trabalho acaba sendo maior desde que as atividades e aulas online começaram. “Sempre estou com o celular atendendo algum aluno, seja pelo portal institucional, e-mail ou WhatsApp”, afirma a professora Sabrina.

Texto: Ana Victória Botelho

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