Homenagem

Coronavírus cancela homenagens do centenário do poeta Ruy Barata

No dia 25 de junho o poeta, cantor e compositor paraense faria 100 anos se vivo estivesse

No final dos anos 1970, início dos 80 eu morava na rua Veiga Cabral, entre Bom Jardim e Monte Alegre, no bairro histórico da Cidade Velha, em Belém do Pará. Bem em frente de casa, quase todos os dias um senhor idoso, magro de cabelos brancos se sentava em cadeira, dobrava as pernas e fumava um cigarro. Depois se recolhia. Era quase um ritual. Os vizinhos ficavam alvoraçados e começavam a comentar: é o poeta.

Só quando passei no vestibular em 1991, para cursar Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, na Universidade Federal do Pará que fui conhecer um pouco mais daquele senhor que encantava nossos vizinhos.

Se tratava do poeta Ruy Barata, autor de clássicos como “Esse rio é minha rua”, “Baiucas Bar”, “Foi assim”, imortalizados na voz de Fafá de Belém. Para escrever esta reportagem eu fiz uma breve pesquisa sobre o poeta e não consegui nenhuma informação sobre ele morar nesse endereço.

É uma página obscura na biografia de Ruy Barata. Intrigado enviei uma mensagem por uma rede social para um dos filhos dele que respondeu com a seguinte informação. “Foi uma época que ele morou com a Maria, com quem viveu alguns anos, depois que se separou da minha mãe. Só se separaram de fato, mas não judicialmente”, explicou.

Centenário – O ano de 2020 marca o centenário de nascimento do advogado, cartorário, jornalista, poeta, professor, músico e político paraense Ruy Paranatinga Barata, o Ruy Barata.

Era para ser um ano marcado por diversos eventos comemorativos nas áreas literária, musical, teatral e das artes plásticas. Estava programado os lançamentos de songbook, de documentário audiovisual e de livros biográfico e de poesia, além de shows e musical sobre a vida do artista.

Mas por causa da pandemia do novo coronavírus os eventos foram todos adiados “para quando for possível as suas realizações”, informou Tito Barata, um dos filhos e coordenador geral das comemorações do Centenário de Ruy Barata.

Para não deixar passar em branco, as homenagens ao poeta migraram para as redes sociais. Foi criada uma conta no Facebook com o nome de Centenário Ruy Barata, onde são postadas as homenagens que pode ser acompanhadas também por meio da Conexão Belém do Pará e pelos canais e grupos de whatsapp.

Sobre Ruy Barata - Ruy Paranatinga Barata nasceu em Santarém, em 25 de junho de 1920, e morreu em São Paulo, em 23 de abril de 1990, foi advogado, cartorário, jornalista, poeta, professor e exerceu intensa atividade política como deputado estadual em duas legislaturas (1947-1954).

Como jornalista, até 1964 dirigiu o suplemento literário de 'A Província do Pará', além de ter sido titular da cadeira de Literatura Brasileira da Faculdade de Filosofia, Letras e Artes (mais tarde incorporada à Universidade Federal do Pará).

No mesmo ano, com o golpe militar, foi preso, demitido do cartório e aposentado compulsoriamente do magistério superior.

Saindo da prisão, passou a sobreviver como advogado. Com o advento da anistia, em 1979, voltou à atividade acadêmica, sendo readmitido na Universidade Federal do Pará.

Com seu filho, Paulo André Barata, compôs em parceria um vasto número de canções que se tornaram referência em todo o Estado do Pará. Não se pode falar de música paraense sem que seu nome esteja presente.

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