MAIO LARANJA

Projeto "Direito de Ser" chega aos lares com campanha virtual de proteção à criança

Para celebrar o Maio Laranja, mês do Dia Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, que transcorreu nesta segunda-feira, 18, o projeto "Direito de Ser Criança e Adolescente", da Secretaria Municipal de Educação (Semec), começou no dia 18 a campanha virtual "Embarque nessa viagem: garantido os direitos das crianças e adolescentes!", que segue até o dia 31. Por conta da pandemia de covid-19, as atividades ocorrem por meio de redes sociais.

Para conversar sobre um assunto tão sério e delicado com pais, alunos e sociedade, a Semec sempre realiza oficinas e manifestações culturais, que são pensadas a partir de um dos direitos básicos das crianças: o brincar. Este ano, por conta da pandemia de covid-19, a programação será totalmente virtual. Cada unidade educativa organizou ações para sensibilizar a comunidade escolar a respeito do tema e informar quais são os órgãos de defesa da criança e do adolescente, como o Conselho Tutelar, que atua em parceria com as escolas, além de canais de denúncia.

"Esta é a 13ª edição do projeto ‘Direito de ser criança e adolescente’ e as ações foram iniciadas em janeiro e serão intensificadas no período de 18 a 31 de maio para demarcar a data de 18 de maio, Dia Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, mobilizadas nas escolas municipais. Escolhemos uma abordagem lúdica por meio do símbolo do avião dos direitos para retratar os direitos das crianças e as cartas para a paz com temas de sensibilização, amor e paz para falarmos de um tema tão sério", disse Célia Pena, coordenadora da Educação Infantil, da Semec.

A professora ainda acrescenta que esta é uma estratégia da Semec para promover uma educação que respeita as crianças e adolescentes em seus direitos e atua em parceria com Conselhos Tutelares, Ministério Público do Estado Pará (MPPA), Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Infância e Educação (Infance) da Universidade Federal do Pará (UFPA), Tribunal Regional do Trabalho (TRT), Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e Rede Maternar.

"A brincadeira e as cartas-aviões de amor e esperança, em voos imaginários, decolarão nas redes sociais, nosso ponto atual de conexão de sentimentos, sensibilização, pensamentos e ações", diz Célia.

Oficinas - O símbolo da campanha deste ano é o "Avião dos direitos", em referência aos planadores feitos de dobraduras de papel originários da China Antiga e que logo se tornou popular na época. Essa brincadeira atravessou o tempo e ainda hoje faz sucesso com as crianças. A ideia é que os alunos façam aviões coloridos, cheios de desenhos e mensagens, com dobraduras de origami, e acima de tudo, cheios de infância.

Outra oficina, "Cartaz para a paz", orienta as famílias na produção escrita de cartas com as crianças, permitindo que falem de seus sentimentos e sonhos que reafirmam seus direitos. Todas as ações realizadas pelas escolas por meio de imagens e vídeos durante a campanha serão divulgadas no perfil do projeto no Instagram: @projetodireitodeser e com a hashtag: #DireitoDeSer2020.

Papo virtual - A Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental Florestan Fernandez, localizada no Parque Verde, que atualmente atende 1.042 alunos, realizou nesta segunda-feira, 18, a I Conversa sobre cuidados e proteção infantil, com o tema "Exploração sexual de crianças e adolescentes, por meio do grupo de WhatsApps dos responsáveis dos alunos, com compartilhamento de vídeos, slides e proporcionando um papo virtual com convidados.

"É um trabalho de extensão da escola para orientar os pais para evitar em casa situações que levem ou que instiguem situações que são abusivas, que vão desde o uso de expressões, gestos ou palavras que incentivam a violência sexual até o ato em si", explica o professor Cássio Sousa.

Convidados - Entre os convidados está Maria Zuíla Lima Dutra, desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região, e outros agentes de defesa das crianças e adolescentes, que apresentou estatísticas de março deste ano que dão conta de que a cada hora três crianças sofrem abusos sexuais, sem contar os casos que não foram notificados. Os agentes são geralmente pessoas próximas.

Vanilza Malcher, juíza do Trabalho da 8ª Região e gestora do Programa de Combate ao Trabalho Infantil e Estímulo à Aprendizagem, reforçou que o abuso ocorre em lugares onde menos se espera e a sociedade precisa estar atenta, pois a criança não sabe se defender.

A conselheira tutelar Poliana Lima, que atua no Distrito Administrativo do Benguí (Daben), alertou para que se observe o comportamento da criança neste período de pandemia em que elas estão em casa e que podem estar com seus supostos abusadores. Ela atua nos bairros do Parque Verde, Tapanã, Una, Cabanagem, Coqueiro, Pratinha, São Clemente e Benguí.

Famílias - Cerca de 100 pessoas participaram do bate-papo virtual. Entre elas a estudante de enfermagem Joyce Gomes da Silva, mãe do Asafe Fabrício dos Santos, de 7 anos. "Esse debate foi muito bom. Pude contar a experiência que passei. Aprendi muito, porque temos que passar confiança e sermos amigos dos nossos filhos. Sempre oriento meu filho para quem não deixe ninguém tocar em suas partes íntimas e que entre nós, pais e ele, não pode haver segredos, ainda mais em situações como essas".

"Fiquei muito feliz com a ação da escola. Este é um assunto que ainda temos muita dificuldade para falar. Foi uma tarde de aprendizado. Descobri que as crianças e adolescentes sofrem com traumas após o abuso. Tive orientações que vou passar aos meus amigos, vizinhos e família", disse Ellen Paixão, dona de casa e mãe do Jhony, de 6 anos, e da Maria Eduarda Paixão, de 14.

Ela também relata que passou por situações de abuso. "Eu entendo as vítimas. Os pais precisam ficar atentos ao comportamento de seus filhos. Fazer com que eles confiem em você.  A criança não vai te medo em falar. Sempre digo aos meus filhos para me falarem a verdade, pois vou ajudar sempre. E assim transmito confiança para eles", disse.

As demais escolas também seguem programações semelhantes, com a participação de convidados e registros fotográficos, entre outras atividades.

Tags

Coronavírus semec

Comentários

*Os comentários não representam a opinião do site, a responsabilidade é do autor da mensagem.


  • in this conversation
      Media preview placeholder