Coronavírus

Número de curados sobe oito vezes e Marituba mantém pandemia sob controle

“O pior já passou”. Josué Pompeu, secretário de Saúde de Marituba, diz a frase com uma serenidade que a voz não denotava havia muito tempo. Um mês atrás, no pior momento da pandemia, a rede municipal estava à beira do colapso e a equipe de saúde era o retrato da exaustão.

As unidades, superlotadas, recebiam a toda hora gente desesperada oriunda de Belém, Ananindeua e dezenas de outros municípios. Havia médicos, medicamentos, leitos e oxigênio – mas não para suportar uma demanda externa tão grande.

Alguns pacientes iam de cidade em cidade, sem conseguir atendimento, e já chegavam a Marituba quase sem chances de sobrevivência. O número de infectados dobrava a cada três dias e a equipe de médicos e enfermeiros começava a ficar desfalcada, porque muitos também adoeciam.

De lá pra cá, o cenário mudou. Nos últimos 20 dias, o número de pacientes curados cresceu mais de 8 vezes, saltando de 20, no dia 6, para 167 altas no dia 26. Graças aos testes em massa e aos kits de medicamentos, foi possível garantir o tratamento precoce, reduzindo drasticamente a necessidade de internação.

Uma série de ações articuladas, voltadas para a prevenção, atendimento e tratamento, fechou o cerco à pandemia. A tropa da prevenção foi para as ruas, para orientar as pessoas e impedir aglomerações.

A desinfecção chegou a todos os 20 bairros e haverá uma nova rodada, com a ajuda de tratores para lavar ruas e calçadas e pulverizadores para atacar os focos de contaminação e matar o vírus em suspensão no ambiente.

Milhares de máscaras foram distribuídas nos quatro cantos de Marituba. O atendimento foi reforçado com tendas para triagem, alas exclusivas para a covid, mais leitos, mais profissionais, mais equipamentos de segurança, mais oxigênio.

Foram instaladas cabines de sanitização e adquiridas as inovadoras cápsulas Wanessa. Chegaram a ser feitos até 400 testes rápidos por dia e, nos próximos dias, serão mais 800. Mais de mil kits de medicamentos foram distribuídos em apenas uma semana.

Tudo isso deu resultado inegável. Na noite desta segunda-feira, 26, pouco antes de conceder a entrevista por telefone, Pompeu fora informado de que não havia, na rede municipal, naquele momento, nenhum paciente internado por covid-19. Os mais de 100 casos ainda existentes estão fora de risco, em tratamento domiciliar, monitorados pelas equipes da Secretaria de Saúde.

“Hoje, a pandemia está sob controle em Marituba. Mas isso não quer dizer que a gente vá relaxar. O coronavírus não deixou de existir”, adverte o secretário. “O vírus continua infectando pessoas e a doença continua matando. Mesmo neste momento de maior controle em Marituba, ninguém está imune”.   

Outro dado importante é que a contaminação está migrando para as cidades do interior do Estado. A maioria não tem uma rede pública preparada para atender tanta gente ao mesmo tempo, especialmente os casos mais graves. Logo, haverá pacientes vindo atrás de UTIs em Belém. E Marituba está no meio do caminho.

“Em vez de relaxar, agora mesmo é que temos de tomar o maior cuidado. Manter o distanciamento social, só sair de casa por absoluta necessidade, usar máscaras, não descuidar da higiene pessoal, ter sempre álcool à mão e não correr riscos. Se não fizermos isso, estaremos convidando o coronavírus a voltar. E ninguém, em sã consciência, deseja uma segunda onda da doença em Marituba”.

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